A Netflix tentou garantir os direitos exclusivos sobre as adaptações dos jogos da XBOX para cinema e televisão durante sete anos, mas as negociações com a Microsoft acabaram por falhar.
A Netflix terá apresentado uma proposta de 500 milhões de dólares à Microsoft para garantir os direitos exclusivos de adaptação das propriedades intelectuais da XBOX para cinema e televisão durante sete anos. No entanto, a Microsoft poderá ter sido golosa demais, ao tentar negociar por 800 milhões de dólares, uma diferença de 300 milhões que acabou por contribuir para o fim das negociações entre as duas empresas.
A informação foi revelada pelo jornalista Matthew Belloni, numa investigação publicada no Puck. De acordo com as suas fontes, a proposta partiu de Bela Bajaria, até recentemente responsável pelos conteúdos da Netflix, enquanto a contraproposta foi apresentada por Asha Sharma, CEO da XBOX, e pela sua equipa comercial. O negócio permitiria à plataforma de streaming produzir filmes e séries baseados nas várias propriedades da Microsoft, incluindo potencialmente franquias como Halo, Gears of War ou Fable, embora não tenha sido revelada uma lista definitiva das propriedades que fariam parte do acordo.
Mas a diferença de valores não terá sido o único motivo para o fim das negociações. A saída de Bela Bajaria da direção de conteúdos da Netflix, a 15 de outubro, deixou a proposta sem uma das suas principais defensoras, levando a plataforma a retirá-la. Para além disso, Spence Neumann, diretor financeiro da Netflix, estaria entre os responsáveis que consideravam o negócio demasiado caro. Para já, nenhuma das empresas confirmou oficialmente os valores envolvidos ou as condições que estavam a ser negociadas.
Entretanto, a XBOX respondeu ao Puck, afirmando que tem recebido um interesse recorde pelas suas propriedades intelectuais e que a Netflix continua a ser uma parceira importante. Aliás, as duas empresas já trabalham em várias adaptações, incluindo um filme de Gears of War e as séries de animação de Minecraft e Diablo. Estas produções continuam em desenvolvimento e não dependiam do acordo que acabou por falhar.
Algumas produções com a Netflix continuam ativas.
Curiosamente, esta situação acontece poucas semanas depois de a Microsoft ter anunciado a criação da XP, uma nova divisão da XBOX dedicada ao cinema, televisão, produtos licenciados e parques temáticos. Esta estrutura, liderada por Kayleen Walters, antiga presidente da Mojang Studios, foi criada para centralizar os negócios relacionados com as propriedades da Microsoft fora dos videojogos, que até agora estavam distribuídos por vários departamentos. A nova divisão vai trabalhar diretamente com os estúdios da XBOX e com parceiros externos, procurando desenvolver adaptações e outros projetos baseados em séries como Minecraft, Fallout, Halo ou Gears of War.
De acordo com a investigação de Matthew Belloni, depois do fim das negociações com a Netflix, a Microsoft estará agora a procurar acordos mais pequenos com diferentes parceiros, em vez de entregar os direitos de adaptação de uma grande parte do seu catálogo a uma única plataforma. Esta estratégia também permite manter os acordos que já existem com outras produtoras, como acontece com Fallout, que tem uma série na Prime Video, ou com a adaptação para cinema de Call of Duty, atualmente em desenvolvimento para a Paramount.
