A Tesla diz que o novo Roadster pode gerar força descendente mesmo parado. O desportivo elétrico chega em três versões, com tecnologia inspirada na SpaceX.
A Tesla apresentou finalmente o novo Roadster, um desportivo elétrico que pretende ultrapassar os limites habituais dos automóveis de produção em série. A marca descreve-o como um veículo que vai além do Model S Plaid e que combina design minimalista, materiais leves, aerodinâmica ativa e soluções tecnológicas associadas à exploração espacial.
Segundo a empresa, o Roadster foi concebido para responder de forma quase imediata aos comandos, beneficiando de uma posição de condução fixa, comandos manuais e uma redução deliberada da massa total.
Para alcançar esse objetivo, a marca recorreu a materiais leves e resistentes, como magnésio, titânio e fibra de carbono. A engenharia baseada em primeiros princípios é apresentada como a base do projeto, com o propósito de reduzir peso sem comprometer a rigidez e o comportamento dinâmico do veículo.
O exterior segue uma linguagem minimalista: o Roadster tem faróis ocultos, uma faixa luminosa traseira que percorre toda a largura da traseira e soluções aerodinâmicas integradas na carroçaria, contribuindo para uma silhueta mais limpa.
A Tesla estabelece várias ligações entre o Roadster e o universo aeroespacial. A pintura Ano White é descrita como inspirada em técnicas usadas na indústria espacial, com proteção contra radiação ultravioleta, temperaturas criogénicas, dissipação eletrostática e resistência à corrosão. Já os vidros escurecidos, designados Gold Glazed, pretendem recordar o revestimento dourado dos visores dos fatos espaciais.
No interior, o Roadster mantém o acabamento Ultrawhite, combinado com microcamurça cinzenta. Os bancos têm reforços laterais para maior contenção e apresentam um padrão perfurado em linhas de velocidade, que se dispersa ao longo do encosto.
Uma das soluções mais invulgares anunciadas é um sistema de ventoinhas multimodo com vedação ao solo. A Tesla explica que este conjunto funciona como um gerador de força descendente, extraindo ar de debaixo do veículo. O objetivo é criar sucção suficiente para manter o Roadster invertido, mesmo parado.

As ventoinhas motorizadas trabalham em conjunto com asas ativas para aumentar a tração e a velocidade em curva. A empresa afirma que o sistema consegue gerar força descendente mesmo com o automóvel parado, uma abordagem que vai além da aerodinâmica passiva convencional.
O Roadster também integra propulsores de gás frio, acionados por atuadores totalmente elétricos. A Tesla descreve estes sistemas como capazes de efetuar microajustes em frações de segundo, com o objetivo de estabilizar o veículo durante o “voo” – sim, a fabricante indica que se trata de um carro capaz de voar… mas não é bem assim.
A presença destes propulsores distingue as diferentes versões anunciadas. Na configuração Thrust, os propulsores estão colocados na traseira e, combinados com o sistema de sucção multimodo, permitiriam uma aceleração de 0 a 100 km/h em menos de um segundo. Na versão Rocket, os propulsores estão distribuídos pelo perímetro do carro e seriam usados para aceleração para a frente e para cima, bem como para movimentos de rotação lateral.
A Tesla apresenta o Roadster em três versões, com diferentes graus de preparação e disponibilidade. A versão Performance, sujeita a reserva, é descrita como um automóvel preparado para a estrada, com lugar para duas pessoas, aerodinâmica ativa e sistema de sucção multimodo para maximizar a força descendente em pista e fora dela.
A versão Thrust é uma edição limitada preparada para competição, também com dois lugares. Além do sistema de sucção, inclui propulsores de gás frio na traseira, que a Tesla associa à aceleração abaixo de um segundo para os 100 km/h.
A configuração Rocket é apresentada como disponível apenas por convite. Tem lugar para uma pessoa, propulsores de gás frio distribuídos pelo perímetro e, segundo a Tesla, capacidade para acelerar para a frente e para cima, além de realizar rotações laterais. A empresa resume esta capacidade com uma afirmação direta: “pode voar”. Naturalmente, não se trata de uma versão autorizada a circular nas estradas públicas, portanto só podemos resumir a um brinquedo para gente rica.
O Tesla Roadster, revelado agora com quase nove anos de atraso – recorde-se que um protótipo começou por ser apresentado em 2017 para chegar ao mercado em 2020 -, deverá também apresentar-se ao serviço com uma autonomia superior a 480 quilómetros. A produção deverá arrancar em 2028, mas, até ver, a empresa não avançou com preços.
