Despedimentos na indústria dos videojogos já duplicaram o total de 2025

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A indústria dos videojogos já soma cerca de 11 322 despedimentos em 2026, mais do dobro de todos os postos de trabalho eliminados durante o ano passado.

A indústria dos videojogos continua a ser vítima das más decisões dos executivos com uma forte vaga de despedimentos em 2026, somando já cerca de 11 322 postos de trabalho eliminados desde o início do ano, de acordo com os dados acompanhados pelo GamingLayoffs. O número representa mais do dobro dos cerca de 5200 despedimentos registados durante todo o ano de 2025, quando ainda faltam três meses para terminar 2026.

Os dados mostram também que 2026 já se aproxima dos cerca de 14 900 despedimentos contabilizados em 2024, que continua a ser o pior ano registado pelo GamingLayoffs. À entrada para outubro, a indústria já atingiu aproximadamente 76% desse total, faltando cerca de 3600 despedimentos para igualar o valor alcançado há dois anos.

Um levantamento mais recente da TradingPlatforms baseado em anúncios de despedimentos, dados de sites como TrueUp e TechCrunch e notificações WARN nos Estados Unidos, contabiliza 6159 despedimentos em empresas de videojogos até ao final de setembro. O número é inferior ao apresentado pelo GamingLayoffs, tratando-se de um levantamento próprio inserido numa análise mais abrangente ao setor tecnológico, onde foram contabilizados 182 604 despedimentos desde o início do ano.

Dentro dessa amostra, a Epic Games aparece como a empresa de videojogos que mais postos de trabalho eliminou em 2026, com 1000 despedimentos, seguida pela Ubisoft, com 680, e pela Bungie, com cerca de 400. A Strikerz surge depois com 250, enquanto a ZeniMax Online Studios contabiliza 213 e a Intrepid Studios 200.

A lista inclui ainda 170 despedimentos na Build a Rocket Boy, 166 na ZeniMax Media, 136 na id Software e 130 na Sanzaru Games. Só as dez empresas destacadas pela TradingPlatforms representam 3345 postos de trabalho eliminados, mais de metade dos 6159 despedimentos contabilizados pelo levantamento para a indústria dos videojogos.

A Microsoft é quem mais despede trabalhadores e tenta reorganizar-se.

A Microsoft é uma das empresas que continua a contribuir para estes números. Depois de anunciar em julho uma reestruturação da XBOX que prevê a eliminação de aproximadamente 3200 posições ao longo do ano fiscal de 2027, a empresa confirmou em setembro mais 268 despedimentos entre a Halo Studios, outros estúdios internos e funções de gestão e centrais da XBOX Game Studios. Com esta nova ronda, a Microsoft revelou que já completou aproximadamente três quartos da reestruturação anunciada anteriormente.

Os despedimentos têm sido acompanhados pelo desaparecimento de vários estúdios, com o relatório da TradingPlatforms a identificar encerramentos ou planos de encerramento da Atomic Arcade, Bluepoint Games, MidSummer Studios e Polyarc, enquanto a Douze Dixièmes terá igualmente encerrado e a Build a Rocket Boy foi apontada em setembro como estando a terminar as suas operações depois de uma nova vaga de despedimentos.

No caso da Bluepoint Games, a Sony confirmou em fevereiro o encerramento do estúdio responsável pelo remake de Demon’s Souls, afetando cerca de 70 trabalhadores. A Ubisoft também encerrou os seus estúdios de Winnipeg, Belgrado e Halifax ao longo do ano, ao mesmo tempo que avançou com novas reduções em outras equipas.

A analista Stanislava Savisheva, da TradingPlatforms, relaciona esta vaga com os anos de forte contratação e investimento que antecederam o atual período de reestruturação, com as empresas a mostrarem agora menor tolerância para projetos que não atingem os resultados esperados, atrasos e equipas de desenvolvimento sobrepostas. Para a analista, esta mudança pode levar a uma indústria mais pequena e cautelosa, com maior concentração em propriedades já estabelecidas e menos espaço para projetos experimentais.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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