PXN VD4 Bundle Review: De regresso ao volante

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O PXN VD4 Bundle oferece uma entrada acessível no mundo dos volantes direct drive, com um conjunto completo para PC que mesmo assim exige algum espaço e tempo para encontrar a afinação certa.

Já há algum tempo que queria voltar a jogar com um volante. Um tipo de experiência que não consumo há bem mais de uma década, desde os tempos da XBOX 360, com o seu volante oficial, que já tinha force feedback, para jogar jogos como Forza Motorsport 4 ou Need For Speed SHIFT. Ficaram boas memórias, mas os anos passaram e este foi um segmento que evoluiu bastante, tanto para entusiastas de simuladores, até para quem procura experiências mais árcade. Mas definitivamente são os setups e utilização dada pelos entusiastas, com estruturas dedicadas, bancos e tudo aquilo que dificilmente conseguiria acomodar na minha secretária, que me têm feito fantasiar por elevar o nível da experiência. Por isso, quando a PXN me propôs experimentar o PXN VD4 Bundle, um conjunto de entrada no mundo do direct drive, saltei para a oportunidade.

Essa fantasia não existe no vácuo e com ela há também um interesse quase científico ou educacional, de perceber até que ponto uma solução destas faria sentido para alguém como eu, que gosta de jogos de corrida, mas que também gosta de pegar num comando e começar a jogar sem grandes compromissos. Queria descobrir o que estava a perder em termos de imersão e se conseguiria adaptar o volante a experiências mais relaxadas e consideradas arcade. E, pelo meio, perceber se os 329€ pedidos pelo PXN VD4 Bundle seriam um investimento razoável para começar a explorar este hobby.

Tudo o que é preciso para começar.

Lançado no ano passado, o PXN VD4 Bundle é  uma proposta de sim racing gear exclusiva para PC, que reúne numa única caixa a base com motor direct drive, um volante de 280 mm, dois pedais e o suporte para fixar tudo à secretária, juntamente com os cabos e acessórios para montar tudo como deve ser. Apesar da sua compatibilidade limitada, há quem consiga usar este conjunto na PlayStation 5, mas através de adaptadores de terceiros, com resultados pouco fiáveis, pelo que, pessoalmente, quem quiser algo para a consola mais vale investir num equipamento dedicado à plataforma onde quer jogar.

A grande novidade para mim está na base, onde o motor fica diretamente ligado ao eixo do volante, dispensando os mecanismos de correias ou engrenagens usados noutras soluções de force feedback. Aqui temos um motor de baixa inércia com 4 Nm de binário contínuo e picos de 5 Nm, acompanhado por um encoder magnético de 24 bits que lê a posição do volante. São características de entrada neste segmento, mas a força disponível foi mais do que suficiente para a minha utilização. Que na verdade, passei boa parte do tempo a reduzi-la, de forma a tornar os jogos mais controláveis.

O volante incluído é o W AS, com um sistema quick release para o prender à base, patilhas de mudanças magnéticas em alumínio e patilhas analógicas adicionais. Na frente encontramos botões, um D-Pad, dois seletores rotativos e até iluminação LED para indicação das rotações. Já os pedais PD HM, de acelerador e travão, têm construção metálica e sensores Hall Effect, que fazem a leitura da posição através de magnetismo, numa solução que convém distinguir de travões load cell, que medem a força aplicada. Já aqui, a leitura depende do curso do pedal, independentemente da resistência ao pressionar.

Uma secretária também precisa de espaço para outras coisas.

Da caixa aberta até ter tudo montado houve, no entanto, uma primeira lição de paciência. As instruções incluidas com o PXN VD4 Bundle são algo vagas para quem chega aqui pela primeira vez e há bastantes parafusos para organizar e perceber onde colocar. Também não ajuda o peso da base, que obriga a algum cuidado enquanto se tenta alinhar e fixar o conjunto. Nada de particularmente impossível, mas foi logo uma pequena amostra do compromisso necessário para começar a brincar.

Não tendo uma rig própria, usei a minha secretária e comecei imediatamente a pensar no processo inverso. Porque aquela também é a secretária onde trabalho e onde jogo outras coisas, pelo que deixar um volante montado permanentemente à minha frente está fora de questão. Instalar e retirar o conjunto é possível, claro, mas é um processo suficientemente moroso para me fazer planear a utilização. Acabei por olhar para estas sessões quase como pequenos track days, reservando um fim de semana, ou vários dias, para dar umas voltas nos meus jogos favoritos.

Ligar ao PC é só o início.

Felizmente, a ligação ao PC é simples e o PXN SimRacing, o software da marca, é relativamente fácil de seguir. Temos presets para vários jogos e opções para ajustar o ângulo de viragem, a intensidade do force feedback e o comportamento da base, entre outras afinações. Para quem chega sem grande experiência, como eu, já há bastante por onde experimentar, com a vantagem de podermos guardar configurações em vez de repetir tudo sempre que mudamos de jogo.

O problema é que escolher um preset está longe de concluir o processo. Em todos os jogos que testei tive de associar os comandos, incluindo a direção e os pedais, e em alguns casos voltar às definições do próprio jogo para continuar a afinar. Entre Forza Horizon 6, DiRT Rally 2.0 e EA Sports F1 25, houve sempre alguma coisa a ajustar até encontrar uma condução satisfatória. É um hobby que pede alguma disponibilidade para explorar menus e perceber o efeito de cada alteração, algo que quem vem de um comando poderá estranhar.

Menos força, mais vontade de conduzir.

Foi em Forza Horizon 6 onde mais tempo passei a usar o volante e onde procurei uma experiência mais relaxada, em linha com a forma como gosto de jogar. Um ângulo de viragem de, por exemplo, 900 graus pode fazer sentido noutros cenários por replicar aproximadamente 1:1 a experiência de um carro real, mas, para mim, tornou-se praticamente injogável. Reduzir esse ângulo e aliviar o force feedback tornou a condução muito mais agradável, permitindo-me desfrutar do jogo sem estar constantemente a lutar com o volante. E foi interessante descobrir como as mesmas características que tornam o equipamento apelativo também podem atrapalhar quando não estão ajustadas à nossa utilização.

Já EA Sports F1 25 foi o jogo que mais gostei de conduzir com PXN VD4 Bundle e onde pretendo continuar a fazer Grand Prix. Aqui já com ângulos de viragem maiores e sem qualquer tipo de assistências, a condução não é apenas realista e próxima daquilo que imagino que é conduzir um carro de Fórmula 1 (dentro dos limites deste setup) como é extremamente satisfatório sentir todos os detalhes da pista e as forças e contra forças em ação, que acentuam ainda mais a sensação de velocidade vertiginosa e perigosa. É uma experiência mesmo fantástica. Mas, lá está, até aqui o force feedback merece ser reduzido.

A força é, aliás, uma das primeiras coisas que mais me impressionou, mesmo considerando esta base uma solução de entrada. Com o force feedback no máximo os efeitos revelaram-se excessivos para mim, especialmente numa secretária em vez de uma estrutura dedicada. Acabei assim por baixar o force feedback para menos de metade nas configurações que experimentei, algo que me ajudou a reduzir a necessidade constante de corrigir a condução. Esta adaptação foi transversal a todos os jogos e fez-me questionar até que ponto estava a aproximar-me de uma condução realista ou simplesmente a encontrar uma versão mais confortável para mim. Sem experiência suficiente neste segmento (ou até a conduzir carros exóticos e de corrida na vida real) para fazer essa avaliação, fiquei sobretudo satisfeito por conseguir chegar a algo de que gostava.

Mas mesmo com a força reduzida, há muito para sentir nas mãos. A resistência ao virar, as vibrações das irregularidades do piso e o ponto em que o volante encontra o limite de rotação dão uma presença física diferente à condução. Toda esta informação chega através do volante e da base, concentrando aí boa parte da experiência, e ajuda a explicar o entusiasmo que existe à volta destes equipamentos. O volante tem também a dimensão certa para mim, os botões ficam ao alcance e a utilização das patilhas é natural e responsiva. Na maioria do tempo, até há mais comandos e botões disponíveis do que aqueles de que preciso.

Os pedais revelaram-se outro desafio, porque a resistência ao pressionar é a suficiente para empurrar o conjunto pelo chão, obrigando-me a encontrar uma forma de o manter no lugar. A solução acabou por ser uma placa de madeira entre os pedais e a parede à frente, que resolveu o problema. É uma improvisação simples, mas que volta a mostrar como o espaço onde usamos este equipamento influencia a experiência. Podemos ter tudo o que precisamos dentro da caixa e, ainda assim, precisar de adaptar alguma coisa em casa.

Um hobby para reservar no calendário.

Ao fim de cerca de uma semana ao volante, fiquei definitivamente com vontade de continuar a usar o PXN VD4 Bundle, mas especialmente em sessões planeadas de Forza Horizon 6, EA Sports F1 25, EA Sports WRC ou DiRT Rally 2.0. Pelo seu valor, para uma primeira experiência com direct drive, esta solução dá acesso a um conjunto completo, com força suficiente e margem para adaptar a condução a gostos bastante diferentes, incluindo até o meu lado mais arcade. E por isso, recomendo facilmente este bundle a quem estiver a pensar entrar no hobby consciente das suas limitações e entraves, como a instalação, exclusividade ao PC e afinações constantes. Por isso, tudo depende da vontade de dedicar tempo e espaço ao hobby. Já no meu caso, sinto-me bastante satisfeito, mas reconheço que ainda assim o comando continua a ser a escolha mais conveniente para jogar de forma espontânea – menos aos fins de semana.

Este produto foi cedido para análise pela PXN.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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