Em Sprawl Zero a MAETH regressa ao género dos FPS com uma homenagem ao passado, repleta de ação frenética, boas habilidades e uma dificuldade que obriga a uma mobilidade constante através de cenários que podiam ser mais criativos no seu design.
Se existe uma certeza nesta maldita indústria é que a nostalgia vende. Por mais que as modas surjam e que géneros se transformem, às vezes sem explicação aparente – ainda mais nesta era digital -, a nostalgia continua a cravar as suas unhas em todos os jogadores. E isto é uma certeza, é científico, não é apenas a conclusão de um crítico escondido atrás do monitor. A única coisa que muda é a origem da nostalgia. Se eu sou vítima de tudo o que seja alusivo à quinta e sexta gerações de consolas, incapaz de resistir ao canto da sereia da estética da PlayStation 1, o mesmo não se aplica a um jogador mais novo. Talvez este jogador sinta antes um encanto pelos tons cinzentos e amarelados da PlayStation 3 e XBOX 360 ou até pela geração da PlayStation 4 e XBOX One com a sua alta definição e a lengalenga dos 60 FPS. A nostalgia é como um parasita que se molda aos tempos e às gerações, sempre à procura de uma nova vítima.
Sprawl Zero assume-se como uma homenagem aos jogos de ação dos 2000s. Aqui está o gancho, ninguém está a salvo. Até os FPS dos anos 2000, pré Call of Duty 4: Modern Warfare e a vaga de shooters realistas – e acredito que pouco falte para o ressurgimento deste estilo baforento que insiste em manter-se na consciência popular –, estão prontos para o seu regresso. O que significa isto? É bastante simples. Sprawl Zero traz-nos um mundo distópico, munido de todos os clichés do género, com controlo populacional, super soldados e cenários que variam entre o brutalismo e o futurismo soviéticos banhados em cinza. Para contrastar com a opressão da sua narrativa e da sua direção de arte, Sprawl Zero compensa na jogabilidade e nas mecânicas que traz consigo, e é aqui que se torna num verdadeiro best of do género.
Desde bullet time, habilidades gravitacionais, um escudo que projeta balas e um leque variado de armas, Sprawl Zero sabe onde se inspirar para ser maioritariamente divertido. Mesmo que o level design peque na reta final, prejudicado por cenários repetitivos e uma direção de arte que cansa a longo prazo, Sprawl Zero é frenético e apresenta um ritmo de combate que é de louvar. A mobilidade alia-se à destreza e é preciso manter-nos em movimento para sobrevivermos em Sprawl Zero. Não só os inimigos são capazes de cercar-nos com facilidade, como Sprawl Zero obriga-nos a trocar constantemente de arma. Sem uma opção de recarregamento, todas as armas são descartáveis após dispararmos todas as suas balas e somos obrigados a procurar novas opções em combate. Se não fosse pelos seus inimigos-esponja e o level design cansativo, Sprawl Zero seria um dos melhores jogos de ação de 2026. Agora resta saber quando Sprawl Zero também fará parte da nostalgia, talvez daqui a 20 anos.
Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Kwalee.
