Com som envolvente, excelente conforto e autonomia despreocupada, os FreeBuds Neo oferecem precisamente aquilo que não nos obrigam a fazer: a pensar neles.
A maioria dos bons auriculares causa uma excelente primeira impressão. Durante alguns minutos, tudo parece funcionar bem, colocamo-los, ouvimos algumas músicas que conhecemos de cor, atendemos uma chamada e ficamos convencidos de que já percebemos aquilo que têm para oferecer. No entanto, é na utilização diária, especialmente longe de casa, que os vários aspetos menos positivos se começam a revelar, já que um pequeno desconforto pode tornar-se incómodo ao fim de algumas horas, há ruídos que começam a fazer-se sentir e a autonomia passa ser a uma preocupação real. E foi com isto em mente que durante uma viagem de autocarro entre Lisboa e o Porto, pude testar os Huawei FreeBuds Neo de forma mais exigente.
Ao longo dessa viagem, os novos auriculares da Huawei demonstraram a sua capacidade de reduzir significativamente o ruído ambiente, tornando a experiência a bordo muito mais agradável, mantiveram-se confortáveis durante horas seguidas e apresentaram um som dinâmico e envolvente, quer estivesse a ouvir música, a acompanhar um podcast, a ver vídeos no YouTube ou na Netflix ou a atender chamadas. Mas o que mais me marcou foi que nunca senti a necessidade de os ajustar constantemente, preocupar-me com o desempenho ou estar sempre atento ao nível da bateria. O que foi uma surpresa, já que na verdade, esperava encontrar uns auriculares compactos e competentes, equipados com cancelamento ativo de ruído e pouco mais. No fundo, expectativas bastante moderadas para o que estou habituado.

Dentro da gama FreeBuds existe uma segmentação bastante clara, na qual a série SE se destina a quem procura o mínimo e essencial num par de auriculares sem fios. Há também os modelos da linha i, que são as soluções mais equilibradas para utilização diária. E, por fim, encontram-se os modelos Pro, que concentram as soluções de áudio mais avançadas da marca. Os FreeBuds Neo surgem como uma novidade, ao ocuparem um novo espaço, dentro das propostas intermédias, custando 129€, e orientados para quem consome muito conteúdo e procura maior controlo, um cancelamento ativo de ruído eficaz e um desempenho consistente, sem ter de investir em soluções bem mais caras. E foi exatamente essa a impressão com que fiquei durante a utilização, de que os Freebuds Neo não tentam impressionar os entusiastas de áudio, nem competir diretamente com os ecossistemas fechados de outras marcas. O objetivo parece passar apenas por oferecer uma experiência fiável no máximo de contextos diferentes.
A nível de design os FreeBuds Neo contam com uma haste curta que lhe oferece uma identidade própria, enquanto a caixa de transporte mantém dimensões compactas e práticas. Entre as várias cores disponíveis, a versão prateada que recebemos para testes destacou-se particularmente, pelo seu acabamento com um aspeto discreto e sofisticado, com uma textura visual que resulta muito melhor ao vivo do que nas imagens.
No que diz respeito ao cancelamento ativo de ruído, procuro sempre manter expectativas realistas, pois nenhum auricular consegue transformar o ruído de um autocarro num espaço totalmente silencioso, e qualquer promessa nesse sentido tende a ser quase sempre exagerada. Desta forma, o que se procura é uma redução eficaz do ruído contínuo, suficiente para não ter de aumentar constantemente o volume da música ou esforçar-me para ouvir diálogos. Os FreeBuds Neo respondem exatamente a essa necessidade, durante a viagem, o som constante do motor permaneceu presente, mas perdeu grande parte da sua intensidade. E conseguia acompanhar um filme com conforto, ouvir música a volumes moderados e trabalhar sem que o ruído ambiente se tornasse uma distração permanente. A experiência revelou-se muito mais tranquila e menos cansativa do que realmente esperava. Parte desse resultado deve-se à tecnologia incorporada, já que os Huawei Freebuds Neo recorrem a um sistema acústico de canal duplo, combinado com processamento inteligente de terceira geração e cancelamento adaptativo, que ajusta continuamente o desempenho às condições do ambiente.
Ao contrário de alguns modelos com ANC mais agressivo, nunca senti aquela sensação de pressão desagradável que pode surgir após algum tempo de utilização. Mesmo durante várias horas seguidas, mantiveram-se confortáveis e discretos, algo particularmente importante numa viagem um pouco mais longa. Outro detalhe que se revelou bastante útil foi o modo de atenção, onde quando começo a falar, o sistema reduz automaticamente o volume e ajusta o cancelamento de ruído para me permitir interagir com o que me rodeia. É uma funcionalidade simples, mas extremamente prática fora do contexto de viagem.

Os FreeBuds Neo são compostos por especificações são bastante ambiciosas, incluindo um DAC de áudio de nível profissional com um ruído de fundo muito reduzido, transmissão de alta resolução de até 48 kHz/24 bits, suporte para LDAC e um sistema composto por um driver de percurso duplo aliado a um equalizador adaptativo que ajusta o desempenho em função do volume, da forma como os auriculares assentam e das características do canal auditivo. Para perceber melhor o seu comportamento, recorri a algumas músicas que utilizo habitualmente como referência. “The Pot“, dos Tool, continua a ser uma excelente forma de avaliar separação instrumental e construção atmosférica. “Between Two Points“, de David e Romany Gilmour, permite analisar a reprodução de harmonias vocais. “Around The World“, dos Red Hot Chili Peppers, testa a gestão das frequências graves, e por fim, “Time“, de Hans Zimmer, ajuda a avaliar amplitude, profundidade e sensação de espaço. Encontrei assim uma assinatura sonora rica e envolvente. Os graves têm presença, mas não dominam a mistura, os agudos mantêm detalhe e energia sem se tornarem fatigantes, e os médios surgem claros e bem definidos, permitindo que vozes e instrumentos conservem a sua identidade. Em “The Pot”, uma faixa que facilmente fica mais densa e indistinta em auriculares menos capazes, os Freebuds Neo conseguiram manter uma boa separação entre guitarra, bateria e baixo. À medida que a música cresce em intensidade, cada camada continua percetível, preservando a dinâmica da gravação em vez de a comprimir num bloco sonoro sem profundidade. Foi, contudo, em “Between Two Points” que mais facilmente percebi a maturidade da afinação. As várias vozes mantiveram a sua individualidade sem perder a sensação de conjunto. Em vez de apresentar um som excessivamente analítico ou artificial, os Huawei Freebuds Neo deixaram a música respirar de forma natural, proporcionando uma apresentação equilibrada e agradável.
O desempenho dos graves nos Freebuds Neo também merece destaque com peso e impacto físico, recuando no momento certo, sem invadir os médios ou comprometer a clareza geral da música. Mesmo nos momentos mais exigentes, o som nunca se tornou confuso ou abafado. Nos agudos, a história repete-se, conseguindo preservar o detalhe e a energia da gravação sem atingir altos níveis de agressividade. Não são, naturalmente, auriculares destinados ao nicho audiófilo mais exigente, mas entregam uma qualidade sonora que ultrapassa claramente aquilo que o seu formato poderia fazer prever.
Há ainda também a questão do áudio espacial, que apesar de não ser o foco destes auriculares é bem vinda. Por exemplo, em “Time”, de Hans Zimmer, o envolvimento espacial tornou-se mais amplo e envolvente, sem comprometer o foco dos elementos centrais da composição. Esta qualidade é particularmente interessante em conteúdos mais específicos como música ao vivo, podcasts com múltiplos intervenientes, no YouTube, entre outros. O desempenho também se revela constante, com vozes que soam naturais, sem nunca sentir necessidade de ajustar constantemente definições ou procurar um equalizador para corrigir problemas.
Os Freebuds Neo vem equipados com um sistema de três microfones, complementado pela tecnologia dedicada ao processamento de voz. Testei os FreeBuds Neo em locais com bastante ruído de fundo e a reprodução da minha voz manteve-se consistente e natural. Ao contrário de alguns modelos que sacrificam a naturalidade em nome da redução de ruído, aqui as conversas soaram claras sem aquele efeito artificial ou excessivamente processado. No dia a dia, os controlos táteis revelaram-se igualmente bem implementados, com gestos simples que permitem gerir reprodução multimédia, chamadas e funções de cancelamento de ruído. A curva de aprendizagem é rápida e, mais importante ainda, os comandos respondem de forma previsível. Nunca tive a sensação de estar constantemente a ativar funções por engano ao tocar nos auriculares, e os controlos através de movimentos da cabeça também acabaram por se revelar mais úteis do que imaginava. Em situações em que tinha as mãos ocupadas, seja com bagagem, compras ou outras tarefas, pude até atender uma chamada sem pegar no telemóvel. E para quem já utiliza equipamentos da Huawei, a ligação aos dispositivos da marca é rápida e permite aceder a várias funções diretamente através de um relógio compatível. A partir do pulso é, por exemplo, possível verificar a autonomia, alterar definições de cancelamento de ruído, ajustar o equalizador, controlar o volume ou localizar um auricular perdido.
Para além disso, gostei particularmente da forma como as notificações de treino podem coexistir com a reprodução de música sem interromper a experiência. Esta integração permite manter o foco sem necessidade de consultar constantemente o ecrã do telemóvel. Já a compatibilidade com duas ligações simultâneas contribui para a versatilidade dos auriculares, onde pude alternar entre diferentes dispositivos sem complicações. O melhor é que as vantagens do ecossistema Huawei acrescentam valor quando estão disponíveis, mas os FreeBuds Neo não dependem delas para oferecer uma experiência completa. Funcionam bem por si só seja numa smartphone Android ou iOS, num computador com Windows, macOS e até no Linux.
A autonomia é um daqueles aspetos que raramente valorizo quando tudo funciona como deve ser e, normalmente, só me apercebo da bateria quando sou obrigado a interromper aquilo que estou a fazer para os carregar. Com os FreeBuds Neo, isso simplesmente não aconteceu, com a gestão da bateria a deixar de ser uma preocupação constante. Com eles, nunca senti necessidade de planear carregamentos a meio do dia, nem me apanhei a verificar repetidamente a percentagem restante por receio de ficar sem energia num momento inconveniente. De acordo com a Huawei, os FreeBuds Neo podem atingir até 10 horas de utilização contínua com o cancelamento ativo de ruído desativado, cerca de 6,5 horas com o ANC ligado e até 38 horas quando combinados com a energia armazenada no seu estojo. Em utilização real, os auriculares parecem cumprir essas promessas, com a tal a sensação de autonomia despreocupada. O seu estojo também merece uma referência positiva, mantendo dimensões reduzidas, e sendo fácil de transportar no bolso ou numa mochila.
A autonomia foi provavelmente o que mais gostei nos FreeBuds Neo. No geral não tentam impressionar, acabando por se destacarem-se por uma experiência equilibrada, confortável e consistente. Entre a qualidade sonora, o cancelamento de ruído eficaz, o conforto prolongado, a boa integração com diferentes dispositivos e uma autonomia capaz de acompanhar dias exigentes, acabam mesmo por ser uns bons companheiros de viagem.
Os FreeBuds Neo já estão disponíveis com um preço marcado nos 129€, mas através sua campanha de lançamento, que decorre até dia 25 de outubro, é possível adquiri-los no site da Huawei, por apenas 89€.

Este dispositivo foi cedido para análise pela Huawei.
