Acessível, simples e sem tecnologia de ponta, Corsair SKIFF 100 acaba por ser uma opção bastante sólida para o uso diário para o utilizador mais despreocupado.
Nas minhas atividades estou habituado a ter equipamentos que respondem a necessidades específicas e que, por norma, primam por qualidades e características que nem sempre estão presentes em soluções mais acessíveis. Por essa razão, considero o primeiro contacto com os equipamentos que vou testando bastante importante, independentemente do seu valor, por se tornarem temporariamente (ou não) nos meus novos daily drivers. E com isto em mente, admito que a nova solução “budget” da Corsair para teclados me deixou um pouco de nariz torcido quando o tirei da caixa.
A Corsair não é estranha a soluções acessíveis de alta qualidade, como já vimos com o rato Harpoon v2 Wireless, os auscultadores HS35 v3 Wireless, ou até mesmo o pequeno teclado Clipper Pro Mini 60, equipamentos com alguns sacrifícios aqui e acolá, que compensam com a adição de algumas tecnologias avançadas, e uma qualidade de construção mais aprimorada, tudo de forma equilibrada, sendo capazes de oferecer a ilusão de que estamos perante algo mais “premium” do que parece. Já com o teclado Corsair SKIFF 100, não senti muito isso, mas acredito que seja por design.
O Corsair SKIFF 100 é um teclado barato, apresentando-se na loja da marca por apenas 59,99€, sendo, assim, expectável que não conte com características muito avançadas, ou um feel propriamente premium, ou pequenas conveniências como um cabo destacável. De formato completo, ou seja, com adição do teclado numérico, o Corsair SKIFF 100 é um teclado relativamente simples, com uma linha de design que reflete a filosofia atual da Corsair, com um corpo de cantos arredondados e um design sóbrio e relativamente minimalista. No entanto, o uso de plásticos faz-se sentir bastante, com um teclado relativamente leve e de sensação oca.
Algo que também se notou imediatamente, o tipo de concessões feitas para um teclado de entrada, foi o abandono de tecnologias de alto desempenho tradicionais para jogadores e dos switches mecânicos, com o Corsair SKIFF 100 a oferecer uma experiência com teclas de membrana de borracha, que apesar de não ser a opção mais “rápida e precisa”, compensa com níveis de ruído mais baixos e, por extensão, uma experiência de teclar mais suave e silenciosa. Vindo de teclados óticos e mecânicos ao longo dos últimos anos, o downgrade faz-se sentir, mas não é algo a que não seja fácil habituar a usar, ou que se revele propriamente negativo para uma utilização diária em produtividade, trabalho, ou até mesmo em jogos que não requeiram impulsos e tempos de reação sobre-humanos. A verdade é que é uma opção viável, com vantagens e surpreendentemente satisfatória.
O único senão desta escolha é algo que alguns modelos mais avançados e mecânicos também podem sofrer, que é a impossibilidade de trocar as key-caps, ou a remoção para troca e limpeza, o que significa que, com o tempo, detritos e poeiras podem acumular-se por baixo das teclas e afetar o seu desempenho. E por falar em limpeza, o Corsair SKIFF 100 surge com uma mais-valia para os utilizadores mais desastrosos, com certificação IP53, que oferece resistência a humidade, pingos, e derrames acidentais, que em teclados convencionais podem significar um “Game Over” completo.
O sistema de macros do Corsair SKIFF 100 é uma grande mais valia
De destaque, o Corsair SKIFF 100 faz-se ainda acompanhar de um Dial giratório para controlo de volume e clicável para colocar em mute, iluminação RGB completa (mas não individual por tecla) com diferentes perfis, e, a minha função favorita, seis botões de G1 a G6 para macros na lateral esquerda. A personalização do Corsair SKIFF 100 continua minimalista, mas para mim, suficiente, recorrendo a este conjunto de teclas para criar não só atalhos, como comandos complexos, com ações de diferentes teclas, sendo possível até definir janelas de tempo entre cliques. É especialmente útil em ferramentas de produção, como num Affinity ou Photoshop, onde posso replicar uma série de ações como redimensionamento, ajustes e gravação, num único clique, diretamente do teclado. É excelente, útil, prático e surpreendentemente fácil de configurar. Ainda que não seja uma novidade em teclados, é definitivamente um extra muito bem pensado.
A nível de ergonomia, o Corsair SKIFF 100 também é bastante competente. Tirando o facto de ter um cabo agarrado ao corpo, sacrificando aqui um pouco a sua versatilidade e, no meu caso, propondo um compromisso de utilização mais duradouro, esta solução é muito confortável de usar. Conta com os habituais pezinhos para criar ângulo, e as teclas são todas elas côncavas e com ótima separação e espaço de navegação dos dedos, e o Corsair SKIFF 100 inclui ainda uma muito bem-vinda base de apoio para os pulsos, com textura aborrachada e anti-dedadas, ideal para quem passa muito tempo em frente ao teclado por dia.
E muito tempo já passei e continuo a passar por mais, porque, lá está, contra as minhas expectativas iniciais, o Corsair SKIFF 100 serve muito bem o seu propósito para as minhas exigências. Muitos dos elementos a que estou habituado em teclados mais avançados são, no fundo, uma experiência diferente e nem sempre transformativa, mas sim alternativa. E em termos de oferta, o Corsair SKIFF 100 traz o mínimo e essencial ajustado ao seu preço de entrada, revelando-se assim uma fantástica solução para quem não se preocupa com extras supérfluos e desnecessários, mas quer algo simples, funcional e de confiança para o seu dia-a-dia.
Este dispositivo foi cedido para análise pela Corsair.
