O Festival Iminente comemora o seu décimo aniversário com mais de 140 artistas e cinco palcos numa escola desativada há 16 anos, cruzando música com artes cénicas e visuais.
O Festival Iminente prepara a comemoração do seu décimo aniversário, marcado de 17 a 20 de setembro, com uma ocupação artística sem precedentes nas antigas instalações da Escola Industrial Afonso Domingues, desativada há 16 anos na sequência da promessa de construção de uma nova ponte sobre o Tejo. O espaço, marcado pelo abandono e pela memória das sucessivas turmas que ali passaram, foi integralmente resgatado e transformado num ecossistema multidisciplinar onde confluem a música, as artes visuais, a dança e intervenções comunitárias de grande fôlego.
A ligação afetiva ao local ganha uma densidade particular com a participação de figuras como o DJ Marfox, que foi aluno e finalista do estabelecimento em 2010 e assume agora o papel de elo vivo entre o passado escolar e a reconstrução criativa do recinto, partilhando histórias e testemunhos ao longo das áreas recuperadas.
A dimensão arquitetónica e patrimonial deste novo poiso articula-se de forma direta com o compromisso institucional de entidades como a Fundação Millennium bcp, mecenas que colocou à disposição o seu acervo artístico para inspirar novas peças e reinterpretações visuais. A presença e intervenção da fundação neste polo cultural remonta a precedentes históricos e dinâmicas internacionais, evocando paralelos com a efervescência de movimentos de rua e o impacto da arte pública nos anos oitenta em cidades como Nova Iorque, além de experiências em galerias e espaços alternativos de Londres e no tecido bancário e mecenático.
Essa visão alicerça-se no entendimento de que a arte urbana e as suas manifestações transversais não se resumem à efemeridade das paredes, mas constituem um elemento de regeneração e dignificação comunitária, capaz de atrair nomes consagrados e novas vozes para um mesmo plano de diálogo.
Ao longo de quatro dias, distribuídos por cinco palcos e diversos recintos temáticos, o festival reúne mais de 140 artistas oriundos de múltiplos contextos geográficos e estéticos. No que ao cartaz diz respeito, o Iminente 2026 conta com mais de 60 atuações distribuídas por quatro dias, num programa que cruza diferentes gerações, geografias e linguagens da música urbana e contemporânea. Há atuações de DJ Premier, Original Kappa – também conhecido como Allen Halloween -, Sam The Kid, Lena d’Água, entre muitos outros.
Já as salas de aula, corredores e espaços exteriores da antiga Escola Industrial Afonso Domingues integram a programação visual do Iminente, com trabalhos e intervenções de Vhils, Tamara Alves, ±MAISMENOS±, Wasted Rita, Camila Rosa, AkaCorleone, Pedrita, Oskouei, João Fortuna, PEDRÊZ, Entangled Others, ML7, 3D Crew, OBEY SKTR, ERROR43 + PEDRITA + FURO, PREGOS shp, Halfstudio, RUSSO 1003PV e Ricardo Passaporte.
Ao décimo ano, o cinema entra pela primeira vez na programação do Iminente, com quatro filmes ligados diretamente a pessoas, lugares e movimentos que também fazem parte da história ou do cartaz desta edição.
Em estreia mundial, o Iminente apresenta Implantação da Rapública #4: Rimar o Hip-Hop, da autoria de Bruno Martins, com realização de Catarina Peixoto. O filme encerra a série que a Antena 3 estreou em 2019, nos 25 anos de Rapública, a compilação que, em 1994, marcou a chegada do rap português ao disco. Este quarto e último episódio, dedicado aos MCs, reúne nomes ligados à história do hip-hop e do próprio Iminente, entre os quais Capicua, Sam The Kid, Xullaji, Ace e Presto, General D, Bambino, D-Mars, Fase, Maze e Mundo Segundo.
Também o programa BAIRROS, de workshops artísticos comunitários que, desde 2020, trabalha em territórios de habitação social de Lisboa, está novamente presente. Ao longo destes anos, o projeto tem vindo a moldar a própria identidade do festival, criando relações continuadas entre artistas, associações e comunidades e procurando quebrar barreiras no acesso às artes.
Apresenta-se também o UNFOLD, projeto europeu sobre o espaço público que juntou artistas de Portugal, Sérvia e Grécia. Dele resultam duas performances – Chloe Aligiani, coreógrafa grega que pediu como mentora alguém de um rancho folclórico português, e Nemanja Bošković, que pediu um mentor da área social e não um crítico de dança – e as instalações de Miljena Vučković e Athanasios Kanakis.
Criado em 2016, o Iminente chega em 2026 à sua décima edição depois de ter passado por seis cidades e recebido mais de seiscentos artistas – para muitos deles, o primeiro palco da vida. Os bilhetes estão disponíveis nas seguintes modalidades: Passe 4 dias a 60€; Passe 3 dias a 55€; Passe fim de semana (sábado e domingo) a 38€; e bilhete diário a 20€ em venda antecipada ou 25€ à porta.
