A nova Dyson CameraJet combina uma microcâmara, IA e irrigação de precisão para limpar entre os dentes durante a escovagem.
A Dyson acaba de entrar numa categoria de produtos onde há muita concorrência, mas onde crê poder deixar a sua marca: as escovas de dentes. Esta terça-feira, em Paris, a marca apresentou a CameraJet, uma escova de dentes elétrica que integra uma microcâmara, irrigação dirigida de elixir e um sistema de deteção automática dos espaços entre os dentes, com o objetivo de limpar áreas que a escovagem tradicional tende a deixar por tratar. O preço, esse, surge a condizer com a marca em si… mas já lá vamos.
James Dyson, fundador e engenheiro-chefe da marca, revelou o dispositivo como uma “nova forma de escovar os dentes”, assente em seis anos de investigação e desenvolvimento focados nos hábitos de higiene oral e na acumulação de placa bacteriana. A premissa é simples: a maioria das pessoas não usa fio dentário com a regularidade recomendada e escova durante menos tempo do que o indicado, deixando os espaços interdentais como os principais focos de acumulação de placa, tártaro, mau hálito e irritação gengival.
A CameraJet propõe combinar, num único gesto, a escovagem, a limpeza interdentária e a aplicação de elixir, eliminando a necessidade de passos separados.
No coração do sistema está uma câmara com objetiva macro de 100.000 pixels, associada à tecnologia Gap Optical Targeting, um algoritmo de aprendizagem automática treinado com 470.000 imagens dentárias. O dispositivo analisa 28 imagens por segundo em tempo real para identificar, acompanhar e prever a localização dos espaços entre os dentes.
Quando a câmara deteta um espaço, o sistema ativa, em cerca de 100 milissegundos, um irrigador cónico que projeta elixir bucal exatamente nesse ponto, enquanto as cerdas continuam a escovar. Segundo a Dyson, esta é a única escova de dentes com câmara capaz de irrigar com precisão os espaços interdentais durante a escovagem.
Por trás do processo estão 16 milhões de linhas de código e um modelo de IA desenvolvido internamente, que corre localmente no dispositivo.
Os engenheiros de dinâmica de fluidos da Dyson trabalharam com a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Nacional de Singapura para criar um modelo laboratorial de placa bacteriana, usado para testar e otimizar a remoção de placa sem recorrer a ensaios clínicos em cada iteração.
Os irrigadores convencionais do tipo “agulha” produzem um jato laminar, afiado e perfurante. Nos testes da Dyson, esse tipo de jato perfurava a placa, mas não a removia na totalidade, devido à sua viscosidade. O irrigador cónico da CameraJet usa um único jato com perfil mais amplo, que “varre” a placa de uma só vez e foi otimizado para operar a pressão mais baixa, de modo a ser mais suave para gengivas e esmalte.
Quanto ao reservatório de elixir, tem 12,5 ml e foi desenhado para libertar a quantidade recomendada para uma sessão de limpeza interdentária, sem encher excessivamente a boca. A ideia é integrar o elixir na rotina de escovagem, evitando um passo extra.
O sistema usa um reservatório antigravidade com bomba de diafragma e câmara de pressão, que se adapta durante a utilização para manter irrigação controlada e ininterrupta em qualquer ângulo. Ao contrário de sistemas convencionais baseados num tubo tipo “palhinha num copo”, que podem aspirar ar e perder desempenho quando inclinados, este desenho procura eliminar bolsas de ar e evitar jaetos vazios, algo particularmente relevante na limpeza da parte de trás dos dentes, onde a escova fica frequentemente na horizontal.
E não, a cabeça da escova não é plana: foi moldada para acompanhar a topografia dos dentes e alcançar mais superfície, com foco na linha da gengiva e na remoção de manchas superficiais. Utiliza dois tipos de cerdas: internas, ligeiramente mais firmes, para remover manchas e clarear a superfície; e externas, mais macias, para limpar suavemente junto à gengiva.
Aliás, cada cabeça tem a sua própria etiqueta RFID, que identifica quando está montada, quantas limpezas realizou e alerta o utilizador quando deve ser substituída – ao colocar uma nova, o ciclo reinicia. Existe também uma versão mais delicada, pensada para dentes e gengivas sensíveis.
A cabeça integra ainda um amortecedor sónico, para melhorar o conforto acústico e tátil, e uma lente de focagem que alarga o campo de visão da câmara macro, facilitando a deteção de espaços.
Durante o desenvolvimento, a Dyson analisou, em câmara lenta, cabeças de escovas sónicas líderes de mercado e concluiu que as cerdas podem “travar” contra o dente, sobretudo em áreas de difícil acesso, o que reduz a eficácia da limpeza.
Para contornar isso, a CameraJet usa uma oscilação sónica variável que altera o ângulo de oscilação enquanto escova, mantendo as cerdas em movimento constante e reduzindo o bloqueio. Em testes independentes, a Dyson indica que este sistema remove até 69% mais placa bacteriana do que escovas elétricas premium líderes de mercado em áreas de difícil acesso.
Como seria de esperar, a Dyson desenvolveu pasta de dentes e elixir bucal próprios para funcionar com a CameraJet. A pasta não produz espuma, é formulada sem SLS (um agente espumante comum) e foi pensada para não comprometer a visão da câmara, apoiando a tecnologia Gap Optical Targeting.

Tanto a pasta como o elixir contêm fluoreto de sódio para fortalecer o esmalte, além de fosfatos e xilitol para combater bactérias associadas à formação de placa e tártaro. O elixir tem fórmula antibacteriana, com glicerina para ajudar a prevenir a secura da boca e proporcionar uma sensação hidratada. Ambos os produtos estarão disponíveis nos sabores gengibre e menta/hortelã, com uma variante da pasta de dentes em menta para dentes sensíveis.
De resto, a escova surge também equipada com Wi-Fi de 2,4 GHz e Bluetooth. Na prática, a câmara integrada funciona como um endoscópio de alta qualidade, permitindo aos utilizadores ver, em tempo real, o que se passa na boca através da funcionalidade de visualização em direto na app MyDyson.
Naturalmente, a câmara só está ativa durante a visualização em direto ou durante a limpeza automática. Segundo a Dyson, não são gravadas nem armazenadas imagens no produto ou na nuvem, mantendo as imagens do utilizador privadas.
Na app, os utilizadores acedem a orientações de limpeza, vídeos explicativos, dicas de escovagem, mapas de cobertura e feedback personalizado, com o objetivo de perceber onde estão a limpar de forma eficaz, onde podem estar a falhar e como melhorar a técnica ao longo do tempo. É ainda possível escolher entre modos de deteção automática e jato manual e ajustar a intensidade da escovagem.
Quanto à base de carregamento, foi desenhada para reabastecer a escova com o simples toque de um botão, em cerca de três segundos, e carrega o dispositivo entre utilizações. Serve também como suporte vertical higiénico para guardar a escova. O sistema inclui um estojo de viagem, para que o Dyson Dental System possa ser usado em casa ou fora.
Resta mencionar o preço, 479€, um tremendo investimento numa escova de dentes… mas nada como experimentar. Para já, a nova escova de dentes Dyson CameraJet ainda não tem data para chegar ao mercado nacional.
