A TrimUI Brick Pro é a nova versão da popular TrimUI Brick, mas apesar do que o seu nome sugere, é uma versão apenas aumentada em tamanho e algumas funcionalidades, posicionando-se mais como uma alternativa do que uma grande melhoria face à original.
Nos últimos dois anos entrei numa espécie de buraco negro, ao descobrir o mundo das portáteis de retro-gaming, aquelas consolas que surgem nos reels do Instagram e no TikTok, consolas de emulação capazes de correr os nossos jogos de infância com grande conveniência e portabilidade. Com um leque gigante de escolhas e formatos, das mais baratas e podres às mais premium e completas, a minha jornada manteve-se num meio termo entre o acessível e o de confiança, tendo assim colocado as mãos em meia dúzia de Anbernic e Miyoo, entre outras, até descobrir a TrimUI com a sua brilhante TrimUI Brick, o dispositivo que se tornou no meu daily driver absoluto.
Na minha jornada, o formato vertical tornou-se numa preferência, e quanto mais pequenas e convenientes fossem estas consolas, melhor. A TrimUI Brick respondeu exatamente a essas necessidades, sendo pequena, mas não a mais pequena de todas, oferecendo uma compatibilidade gigante com diferentes gerações de jogos, dos 8-bit aos primeiros 3D, mas acima de tudo pela sua fantástica qualidade de construção, suporte da comunidade e design elegante que coloca em sentido muitos gadgets premium.
Por essa razão, quando a TrimUI anunciou que iria lançar, não só uma, mas duas versões “Pro” da TrimUI Brick, fiz questão de contactar a marca para lhes tentar colocar as mãos. E enquanto o modelo mais avançado, a TrimUI Brick Hammer Pro U, não fica à venda, a TrimUI enviou-me a TrimUI Brick Pro para brincar e ficar novamente encantado com o retro-gaming na palma das minhas mãos.
Um formato maior, mas familiar
Apesar de adorar o formato da TrimUI Brick original e as suas dimensões, a verdade é que, ao longo do tempo, o seu uso deixou de ser tão confortável como gostaria, especialmente em sessões de jogo muito longas. Foi algo que descobri durante a grande tempestade no início do ano, que me levou a embarcar em RPGs antigos que nunca tinha jogado. Ao fim de duas horas de jogo, é fácil as mãos começarem a revelar fadiga, tanto pela aproximação das mesmas como pela posição dos nossos dedos, particularmente em jogos que requerem o uso contínuo das duas mãos. Face a esta realidade, a natureza da TrimUI Brick Pro vem remediar imediatamente este problema, com as suas “grandes dimensões”.

A grande novidade, se não for a mais importante, da TrimUI Brick Pro é mesmo o seu tamanho. Mantendo o design monolítico, premium e, honestamente, perfeito do modelo original, a TrimUI Brick Pro cresce tanto para os lados como em altura, ostentando um ecrã de quase 3,95 polegadas (quase 4), mas mantendo as dimensões da maioria dos seus botões, que são exatamente as mesmas, mas devidamente bem distribuídas pelo corpo. O impressionante é que, para além destas dimensões, a sua finura não aumenta muito e traz consigo algumas melhorias, tanto estéticas como funcionais.
O design mantém-se assim elegante e moderno, com este aspeto de tijolo que faz justiça ao seu nome, “brick”, tudo envolvido em materiais de altíssima qualidade, muito bem aplicados, e que conferem uma robustez impressionante para um equipamento deste segmento. O seu corpo é todo ele em plástico de alta qualidade, semelhante ao que encontramos em periféricos premium para PC e consola, com um toque muito satisfatório. Na traseira do ecrã voltamos a ter uma placa metálica que ajuda na dissipação de calor, algo muito importante neste modelo. A nível de interfaces, a TrimUI Brick Pro preserva também quase tudo da original. Temos as duas portas USB-C, uma em baixo e outra na parte superior, e os botões de ombro destacáveis, com a inclusão de mais alguns conjuntos para os alterar. Na lateral direita temos o botão de on/off e o interruptor FN programável, enquanto à esquerda ficam os botões de volume e um novo botão Home. Em baixo temos a porta para o cartão microSD, o botão de reset, uma das portas USB-C e uma porta de áudio de 3,5 mm. Mas é na parte frontal que se encontram as grandes novidades. Para além do ecrã maior, temos dois analógicos com tecnologia Hall Effect, que aumentam automaticamente a utilidade da TrimUI Brick Pro, mas com limites.
Dois analógicos com algumas limitações
A introdução dos analógicos é fascinante. É como se a TrimUI Brick Pro tivesse sido desenhada já a pensar no potencial da futura TrimUI Brick Hammer Pro U, porque, tecnicamente, mantém exatamente as mesmas características internas da TrimUI Brick original. Isto significa que os dois analógicos não são acompanhados por um aumento das capacidades de emulação, ficando sem grande utilidade nos jogos 3D que a consola não suporta ou que já apresenta dificuldades em executar. Na prática, a TrimUI Brick Pro continua a ser uma excelente consola para jogos até à PlayStation, mas esta foi precisamente a geração em que o DualShock surgiu e em que os dois analógicos ainda estavam longe de ser uma exigência generalizada. O analógico esquerdo pode, por isso, ser utilizado como substituto do D-Pad em praticamente todo o catálogo, desde jogos da Nintendo Game Boy à SEGA Master System, mas o segundo analógico acaba por ter uma utilização bastante mais limitada. Mesmo plataformas como a Nintendo 64 ou a PlayStation Portable, que fazem uso de um analógico, já não são garantias de um desempenho ideal, enquanto a geração de 128-bit, onde os dois analógicos se tornaram essenciais para praticamente todos os jogos 3D, fica fora do alcance da consola. Desta forma, a TrimUI Brick Pro parece ter um analógico a mais, já que o analógico esquerdo se adapta bem a todas quase todas as experiências, substituindo o D-Pad, até em jogos da Nintendo Game Boy e SEGA Master System.

As dimensões e o ecrã também serão levados até ao modelo TrimUI Brick Hammer Pro U, permitindo já fazer aqui uma espécie de previsão daquilo que nos espera no futuro. Tal como o ecrã da original, este é absolutamente excelente, com incrível contraste, boas cores e ótimos tempos de resposta, sem motion blur agressivo. É, no fundo, o mesmo ecrã IPS de 1024×768 píxeis, mas de maiores dimensões. Contudo, existe aqui um pequeno downgrade, de aproximadamente 400 ppi para 324 ppi, ainda que continue a ser uma excelente densidade de píxeis, capaz de transmitir uma definição excecional nos jogos, seja em integer ou full-screen. O único senão é que, em 2026, e olhando para a concorrência, já se começa a sentir a falta de um painel OLED, com uma definição e qualidade de imagem que dariam definitivamente um look ainda mais premium e moderno aos jogos. O silver lining aqui é que o ecrã IPS utilizado pela TrimUI já é um dos, se não mesmo o melhor, neste segmento, enquanto o seu custo de produção permite manter um preço de venda bem mais acessível.
O mesmo hardware, mais bateria
Como já tinha mencionado, as características internas mantêm-se face ao modelo original. Temos um processador Allwinner A133p de 1,3 GHz, o mesmo GPU PowerVR GE8300 Max de 660 MHz, 1 GB de memória RAM LPDDR3 e 8 GB eMMC, que guardam o sistema operativo original. Quase tudo o resto se mantém, com exceção de algo muito importante: a bateria, que passa de 3000 mAh para 5000 mAh. Dependendo dos jogos e da utilização, isto permite muitas mais horas de jogo, tornando assim a sua gestão mais flexível. Contudo, o mesmo não se pode dizer do tempo de carregamento até aos 100%, que continua demorado, podendo chegar às duas horas.
Por causa das suas características internas, o selo de “Pro” acaba por se limitar ao formato e dimensões da nova consola, já que o tipo de experiências se mantém, com um desempenho muito semelhante. A TrimUI Brick Pro vem com o mesmo sistema operativo stock pré-instalado e, dependendo do modelo que escolham, traz consigo um cartão recheado de ROMs e outros jogos convertidos, de natureza legal dúbia. Para efeitos de testes, usei uma seleção mais curada de jogos, com rips de jogos que possuo e que fui acumulando ao longo dos anos, cobrindo diferentes gerações. Um aspeto positivo desta experiência é que não precisei de configurar quase nada, uma vez que o cartão que já usava na TrimUI Brick normal foi instantaneamente reconhecido, permitindo começar a jogar e até continuar algumas aventuras na nova consola.
Uma consola feita para experimentar
Entre jogos da Nintendo Game Boy, Game Boy Color, Advance, NES, SNES, SEGA Mega Drive e SEGA Master System, todas estas plataformas, e outras ainda mais antigas, correm de forma brilhante, sem qualquer compromisso. O sistema da TrimUI Brick Pro recorre ainda ao RetroArch, uma popular ferramenta de emulação de múltiplos sistemas, o que permite uma flexibilidade de configuração brutal para otimização dos jogos. Ainda assim, por defeito, é excelente.
À medida que avançamos para gerações com jogos mais avançados, as limitações começam a sentir-se. Os jogos da PlayStation correm, na sua maioria, bastante bem, mas é possível encontrar títulos que não se mantêm fixos nos 60 FPS. Já aqueles cuja natureza é limitada aos 30 FPS assim ficarão, a menos que existam opções que permitam duplicar essa frame rate. A PlayStation Portable também tem algum grau de compatibilidade e, agora com os analógicos, há um suporte mais vasto para jogos que requerem este tipo de controlos. O mesmo se aplica à Nintendo 64, embora nem todos os jogos corram com o desempenho desejado e, noutros casos, seja bastante difícil afinar os controlos para conseguir uma experiência viável. Entre as minhas experiências, também testei a emulação da SEGA Dreamcast e, embora alguns jogos corram, o desempenho deixa muito a desejar. O que significa que, nesta geração, já se está a esticar um pouco a corda.
É impossível falar da TrimUI Brick Pro sem falar do suporte da comunidade. A consola em si acaba por ser uma plataforma aberta à experimentação e à exploração das suas potencialidades. Entre os vários projetos que sigo regularmente, destaco o NextUI, um sistema operativo minimalista que corre diretamente do cartão, sem afetar o firmware interno da consola – que está já devidamente configurado para correr a maioria dos jogos das consolas que já mencionei, sem qualquer configuração adicional. Ainda assim, o NextUI oferece muitas opções adicionais e até a possibilidade de instalar aplicações, como uma loja direta para o Itch.io e o Portmaster, cheios de projetos legais e independentes para experimentar e explorar. É fantástico. Caso tenham uma TrimUI Brick ou uma TrimUI Brick Pro, não consigo recomendar melhor sistema operativo para estas consolas.
Brick ou Brick Pro?
Quando a TrimUI Brick Pro me chegou às mãos, eu já estava preparado para aquilo que ia receber. Sabia que, apesar da sua designação Pro, as suas características internas e desempenho seriam semelhantes à experiência que tive outrora, aqui melhorada a nível de ergonomia, materiais e formato, devido às maiores dimensões e aos novos analógicos. Para quem está à procura de uma primeira consola do género e acha isto tudo confuso, a melhor maneira de olhar para a TrimUI Brick Pro e para a TrimUI Brick é vê-las como alternativas uma à outra, com os seus prós e contras. A TrimUI Brick destaca-se maioritariamente pelo seu formato mais pocketable, enquanto a TrimUI Brick Pro aposta num ecrã mais “envolvente”, naturalmente mais legível, e numa bateria aumentada, que acaba por ser uma vantagem mais relevante do que os próprios analógicos. E são estas barreiras ténues que separam os dois modelos que também ajudam a explicar o preço surpreendentemente acessível da TrimUI Brick Pro, que, dependendo da loja onde se encontra, é facilmente encontrada por menos de 100€, tal como a TrimUI Brick.

Este produto foi cedido para análise pela TrimUI.
