A broncoscopia robótica utilizada no IPO Lisboa permite alcançar nódulos pulmonares periféricos e lesões de pequenas dimensões difíceis de abordar por métodos convencionais.
O Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa tornou-se o primeiro hospital em Portugal a utilizar um sistema de broncoscopia robótica no diagnóstico do cancro do pulmão. A tecnologia permite orientar o equipamento através da árvore brônquica e alcançar nódulos pulmonares periféricos, incluindo lesões de pequenas dimensões que podem ser difíceis de abordar com recurso aos métodos convencionais.
A árvore brônquica, formada pelo conjunto de vias aéreas que se ramificam no interior dos pulmões, tem uma extensão total estimada em cerca de 2.400 quilómetros. A complexidade e a dimensão desta rede podem dificultar o acesso a determinadas zonas do pulmão, sobretudo quando estão em causa nódulos pequenos e localizados na periferia.
A possibilidade de chegar a estas lesões é especialmente relevante num contexto em que a confirmação de um diagnóstico numa fase inicial pode influenciar a definição do tratamento. Até agora, muitos doentes com nódulos pulmonares pequenos ou com suspeita de lesão eram acompanhados durante períodos mais ou menos prolongados. Esse acompanhamento podia implicar a repetição de exames ao longo do tempo, até que fosse possível determinar a evolução da lesão, confirmar ou excluir um diagnóstico de cancro e decidir qual a abordagem terapêutica adequada.
Este processo podia prolongar a incerteza para os doentes e manter a necessidade de novas reavaliações. Nos casos em que a lesão evoluía, o intervalo entre exames poderia também contribuir para que a doença fosse identificada numa fase menos favorável à realização de uma cirurgia. A avaliação de nódulos pulmonares pode, contudo, conduzir a resultados benignos.
Nalgumas situações, a confirmação da natureza da lesão implicava uma biópsia cirúrgica. Quando o resultado acabava por excluir a presença de cancro, o doente tinha sido submetido a uma intervenção para retirar uma lesão que não era maligna. A utilização de uma técnica capaz de alcançar diretamente nódulos periféricos poderá permitir obter amostras de algumas destas lesões sem recorrer desde logo a procedimentos cirúrgicos mais invasivos, embora a decisão dependa sempre das características de cada caso.
A broncoscopia robótica foi introduzida no IPO Lisboa com o objetivo de facilitar o acesso a lesões pulmonares difíceis de alcançar e contribuir para uma confirmação mais rápida do diagnóstico. Quando é identificado um cancro do pulmão, um diagnóstico mais célere pode permitir iniciar mais rapidamente o planeamento e o tratamento. Quando a lesão é benigna, a obtenção de um diagnóstico sem recurso a cirurgia poderá evitar intervenções desnecessárias e reduzir os riscos, as possíveis complicações e o período de ansiedade associado à indefinição clínica.
A utilização do sistema poderá não ficar limitada à realização de biópsias. Em casos selecionados, a mesma tecnologia poderá vir a ser aplicada no tratamento de determinadas lesões pulmonares. Essa possibilidade permitiria, caso venha a ser adotada, tratar alguns doentes sem recorrer a cirurgias de maior dimensão, preservando uma parte mais significativa do tecido pulmonar e reduzindo o impacto da intervenção na qualidade de vida.
Por enquanto, a principal aplicação do sistema no IPO Lisboa está relacionada com o diagnóstico de nódulos pulmonares, sobretudo quando a sua localização ou dimensão dificulta o acesso através das técnicas convencionais.
