Ritz-Carlton Masai Mara: hotel é um dos mais debatidos e controversos do mundo

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Abertura da primeira unidade do grupo Ritz-Carlton na África Subsaariana mobiliza tribunal e ativistas ambientais devido à proximidade das rotas migratórias e a isenções na lei de construção.

Por esta altura, é provável que muitos de vós já tenham ouvido falar do grupo Ritz-Carlton, que atua no segmento de ultraluxo, contando com uma série de hotéis cuja identidade assenta em padrões elevados de hospitalidade e de uma abordagem centrada na experiência do cliente.

Hoje em dia, o grupo Ritz-Carlton afirma continuar a procurar criar experiências marcantes para os hóspedes, com a promessa de momentos pensados para deixar uma impressão duradoura para lá da estadia. Mas a verdade é que também não se livra de polémicas.

É o caso do Ritz-Carlton Masai Mara, no Quénia, que se transformou num dos empreendimentos hoteleiros mais debatidos e controversos do mundo. Localizado no coração do ecossistema do Masai Mara e Serengeti, o empreendimento de luxo, gerido pela Marriott, opera com 21 suítes em tendas de alto padrão e tem vindo a atrair atenção global tanto pela sua proposta de hospitalidade exclusiva, como pelo intenso litígio jurídico e ambiental que envolve a sua construção e localização nas imediações de um rio vital para a fauna selvagem.

A principal controvérsia em redor da propriedade reside na sua proximidade em relação às rotas históricas da Grande Migração, o fenómeno anual em que cerca de dois milhões de gnus, zebras e outros herbívoros cruzam rios infestados de crocodilos para alcançar novas áreas de pastagem. Organizações de proteção ambiental, como a MERC, e ativistas locais moveram ações judiciais contra o grupo hoteleiro, alegando que a infraestrutura foi erguida a menos de 30 metros da margem do rio, desrespeitando normas ambientais e alterando a morfologia das margens. Críticos e petições públicas, que reuniram mais de 26.000 assinaturas a exigir a demolição do espaço e a reflorestação da área, sustentam que as barreiras físicas criadas e as modificações no terreno interferem no movimento dos animais, provocando a separação de crias, o aumento da predação, ferimentos e o bloqueio das passagens naturais dos gnus. Também agências de viagem e plataformas digitais promoveram boicotes à marca, fazendo com que a gestão do hotel tivesse de restringir comentários nas suas redes sociais oficiais.

Ritz-Carlton Masai Mara

Por outro lado, a direção do hotel, liderada por Barnabas Wamoto, diretor-geral com vasta experiência na abertura de centenas de hotéis pelo mundo, rejeita as acusações de bloqueio da migração. Segundo a administração, dados de monitorização por colar eletrónico e levantamentos no terreno demonstram que a travessia dos animais ocorre em zonas de vegetação aberta, situando-se o ponto de maior tráfego migratório a cerca de quatro quilómetros de distância. A gerência argumenta ainda que a fauna evita naturalmente as áreas florestadas e densas onde o acampamento foi instalado.

Relativamente às autorizações de construção, a empresa esclarece que o projeto obteve uma isenção especial assinada pelo presidente do Quénia no âmbito de uma moratória sobre novos desenvolvimentos, com o objetivo de posicionar o país no segmento de turismo de luxo global e gerar impacto económico direto. A operação garante emprego a 201 trabalhadores locais, com remunerações acima da média regional, e a administração afirma ter cumprido rigorosamente todos os trâmites legais e relatórios de impacto ambiental, aguardando a resolução final dos processos judiciais pendentes para apresentar a sua defesa em tribunal.

Do ponto de vista arquitetónico e de infraestruturas, o Ritz-Carlton Masai Mara foi concebido para se integrar na paisagem florestal através de estruturas maioritariamente curvas, evitando linhas retas para favorecer a camuflagem visual na vegetação nativa. A totalidade do complexo encontra-se elevada em relação ao solo florestal, recorrendo a passadiços de madeira para minimizar o pisoteio da flora selvagem. A chegada dos visitantes é efetuada por via aérea até à pista de aterragem local, seguida de transporte em veículos Land Cruiser adaptados para safari.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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