Samsung Galaxy Z Flip8 Review: Evolução sem revolução

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Pequenos ajustes de design, um software mais útil e melhorias pontuais tornam o Galaxy Z Flip8 mais maduro, mas não essencial.

A Samsung anunciou o lançamento do Galaxy Z Flip8, enquanto o sucessor direto do Galaxy Z Flip7 do ano passado. Este novo modelo conta com um design que foi ligeiramente melhorado, praticamente sem mudanças visuais, mas com algumas especificações que foram atualizadas. O Galaxy Z Flip8 acaba, então, por seguir a mesma filosofia dos modelos padrão e Plus da série Galaxy S, que são quase sempre uma simples atualização do seu antecessor, tornando difícil justificar o abandono do equipamento da geração anterior, especialmente considerando os valores com os quais se apresentam. Já disponível para pré-compra, o preço inicial do Samsung Galaxy Z Flip8 é de 1349,90€ para a configuração com 12GB de RAM e 256 GB de armazenamento, já versão com 512GB de armazenamento esse valor sobe para 1599,90€ o que o coloca claramente na faixa premium dos dobráveis.

A verdade é que o Galaxy Z Flip8 segue aquela linha mais iterativa dos produtos, com melhorias, mas sem revolucionar muito a sua oferta. Por essa razão a descrição certa para o novo modelo é mesmo de “melhoramento”. Mas isto não é propriamente negativo. A Samsung pode ser mexido pouco, mas onde mexeu faz diferença no uso diário. Começando pelo design, o novo corpo está ainda mais fino, com 6,1 mm quando aberto, contra os 6,5 mm do seu antecessor, e perdeu 8 gramas que, na prática, não transformam a experiência, mas contribuem para aquela sensação de leveza que sempre caracterizou estes modelos. A certificação IP48 continua presente, e o que realmente me chamou a atenção foi a alteração subtil nas bordas da moldura, que agora são agora chanfradas, criando um ponto de apoio mais natural para abrir o dispositivo. Parece um detalhe menor, mas quem utiliza um Galaxy Z Flip todos os dias sabe que a ergonomia da abertura é parte essencial da experiência. Em comparação. no Galaxy Z Flip7, as duas metades encaixavam-se de forma quase perfeita quando fechadas, mas no Galaxy Z Flip8 há um ligeiro avanço da estrutura que melhora a aderência sem comprometer o design. É uma mudança discreta, mas inteligente, e que Samsung aplicou em todos os dobráveis lançados este ano.

Samsung Galaxy Z Flip8
Samsung Galaxy Z Flip8

Dada esta natureza iterativa do Galaxy Z Flip8, é natural que isso se note sobretudo no hardware. A escolha do processador continua dependente da região, e nos EUA o modelo conta com um chip topo de gama da Qualcomm, enquanto que na Europa chega equipado com um chip proprietário, o Exynos 2600. A transição do Exynos para o processo de 2 nm é interessante e até promissora, mas, na prática, o Snapdragon continua a ser o chip mais poderoso. Embora que, no meu ponto de vista, num telemóvel flip essa diferença raramente se traduz em vantagens reais e tenho dois motivos para isso. Primeiro, o controlo térmico num dobrável é sempre mais limitado. A prioridade é manter o corpo fino, e isso significa menos espaço para dissipação de calor. Mesmo com um processador mais forte, o desempenho absoluto acaba por ser condicionado pelo aquecimento. Segundo, a própria natureza do ecrã dobrável não incentiva a jogos intensos, que normalmente são o principal motivo para querer mais potência, apesar de serem executados sem problema. Mas tem que se ter em consideração que o ecrã é mais frágil do que um ecrã tradicional com vidro rígido, e já tive experiências em que sessões prolongadas de jogos acabaram por causar danos no ecrã. Por isso, apesar de ter um desempenho digno de um smartphone topo de gama, quem tiver e ficar com o Galaxy Z Flip7 não perde muito em termos de performance real para o Galaxy Z Flip8, já que ambos vão oferecer exatamente a mesma experiência.

A bateria do Galaxy Z Flip8 conta com 4300mAh mas a Samsung passou a utilizar o silício‑carbono em vez de polímero de lítio, que é uma tecnologia mais eficiente e com melhor gestão energética. O carregamento continua a estar limitado a 25W com fio e 15W sem fio, e isso significa que fica bem abaixo dos 45W dos novos Galaxy Z Fold8. Numa utilização normal, a bateria é mais do que suficiente para um dia de utilização, já quando temos um dia em que o utilizamos com mais intensidade, no final a bateria já precisa do carregador.

Samsung Galaxy Z Flip8
Samsung Galaxy Z Flip8

No que diz respeito às câmaras do Galaxy Z Flip8, continuamos com um sensor principal de 50MP, um sensor ultra grande angular de 12MP e uma lente frontal com 10MP. É um conjunto competente, mas que não muda a experiência para quem já utiliza o Galaxy Z Flip7, e a qualidade é boa, mas sem se aproximar do que os smartphones topos de gama têm para oferecer. As fotografias e vídeo saem detalhados e com cor, onde em condições de pouca luz, o ruído tende a aparecer. A FlexCam do Galaxy Z Flip8 é, na prática, a forma mais clara de perceber como o formato concha continua a ter o seu próprio encanto e a Samsung aproveitou bem essa vantagem física e expandiu as possibilidades de captura de conteúdo, sobretudo para quem gosta de fotografar ou filmar sem depender das mãos. O telemóvel pode ser pousado em praticamente qualquer superfície, semiaberto, e isso desbloqueia modos de disparo que simplesmente não existem em nenhum smartphone tradicional. Este sistema de mãos livres ganhou novos ângulos de filmagem, permitindo criar vídeos mais estáveis e com enquadramentos mais criativos. A janela de pré‑visualização de selfies no ecrã externo também se tornou mais útil, porque agora é possível ver em tempo real aquilo que a câmara está a captar, ajustar a pose ou o enquadramento e tirar uma foto sem sequer abrir o dispositivo. A FlexCam tira realmente tira partido do design dobrável do Galaxy Z Flip8, sente-se mais madura e mais integrada na experiência geral, fazendo a diferença na utilização diária, sendo especialmente apelativa para quem gosta de criar conteúdos.

E se no hardware dos sensores temos poucas ou nenhumas novidades, o mesmo acontece com os ecrãs Dynamic Amoled 2X. O ecrã dobrável interior conta agora com 6,9 polegadas e o externo com 4,1 polegadas, que parecem praticamente iguais aos da geração anterior. Até a nível de brilho são iguais, e a resolução do ecrã principal é FullHD, com 2520×1080 pixeis e com taxa de atualização variável entre 1 e 120Hz. Já o ecrã externo tem a resolução HD+ com 1048×948 pixeis e taxa de atualização que alterna entre 60 e 12Hz. Por fim, há uma ausência que vale a pena mencionar. Ao contrário do Galaxy Z Fold8 e do Galaxy Z Fold8 Ultra, o Galaxy Z Flip8 não conta com a tecnologia Flex Titanium, responsável por reduzir o vinco no ecrã. O resultado é um ecrã onde ainda se nota o vinco na zona da dobra.

A maior mudança no Galaxy Z Flip8 está no software, e curiosamente, é essa alteração que mais transforma a experiência de utilização. Com o novo One UI 9, a sua interface baseada no Android 17, o ecrã externo deixa finalmente de ser um espaço limitado a widgets e passa a permitir acesso direto a aplicações. É uma grande diferença no dia-a-dia, já que é possível abrir o YouTube, consultar o Google Maps ou responder rapidamente numa aplicação deixa de exigir a abertura do dispositivo. Durante os meus testes, tudo funcionou de forma natural, como se esta funcionalidade sempre tivesse estado lá. Era, de facto, a peça que faltava no puzzle do Z Flip. A Samsung ainda não confirmou se esta novidade chegará ao Galaxy Z Flip7, mas tendo em conta a política de 7 anos de atualizações, é difícil imaginar que fique de fora. Se for incluída, o Galaxy Z Flip7 torna‑se imediatamente numa opção muito mais sensata para quem quer poupar algum dinheiro sem perder funcionalidades essenciais, já que estamos a falar que este custa menos 350€ que o Galaxy Z Flip8.

No resto, a experiência de software mantém‑se fiel ao que já conhecemos da One UI, com alguns dos melhores recursos de Inteligência Artificial que o mercado tem para oferecer, os já bem conhecidos Galaxy AI. Mas há um detalhe que convém não ignorar, grande parte dessa IA depende do teclado da Samsung. Se trocarmos, por exemplo, para o Gboard, perdemos automaticamente muitas das funcionalidades inteligentes que a marca anda a promover. É um daqueles compromissos que não são óbvios à primeira vista, mas convém ter em atenção. De resto, está lá tudo, incluindo os recursos do Google Gemini, e do Perplexity, e funciona tudo muito bem.

Quando olho para o Galaxy Z Flip8 como produto, continuo a achar que é um telemóvel que se compra sobretudo pelo estilo. E, nesse sentido, a escolha da cor acaba por ser mais relevante do que a escolha entre o Galaxy Z Flip7 e o Galaxy Z Flip8. As diferenças entre ambos são reais, como a bateria de silício‑carbono, corpo ligeiramente mais fino, processador mais potente, mas não mudam radicalmente a experiência. São melhorias incrementais, não transformadoras. Por esse motivo, quem quiser poupar algumas centenas de euros deve optar pelo Galaxy Z Flip7, sabendo que ainda tem 6 anos de suporte e que, se a atualização de software oferecer a experiência do ecrã externo, ficará praticamente ao nível deste novo modelo. Claro que o Galaxy Z Flip8 é melhor mas não é um salto geracional, mas sim mais um pequeno passo na direção certa. E isto não diminui os méritos da linha Flip. Porque no universo dos telemóveis dobráveis tipo concha, a Samsung continua a oferecer um dos dispositivos mais competentes do mercado.

Este dispositivo foi cedido para análise pela Samsung

Joel Pinto
Joel Pinto
Joel Pinto é profissional de TI há mais de 25 anos, amante de tecnologia e grande fã de entretenimento. Tem como hobbie os desportos ao ar livre e tem na sua família a maior paixão.
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