Os Foo Fighters regressaram em força ao NOS Alive num segundo dia marcado pela energia, pela diversidade musical e por atuações memoráveis.
Texto: Patrícia Inês Vaz
O segundo dia do NOS Alive estava esgotado, e notava-se – a afluência de gente era maior e o recinto respirava uma energia mais viva do que a do primeiro dia.
Arrancámos com duas DJs e produtoras em palcos diferentes. No Palco WTF Clubbing, La Fleur, artista sueca conhecida pelo house e pelo techno, encheu o espaço de gente a dançar sem parar. Já no Palco Coreto, o registo era outro: Ellis Ferrére, artista multidisciplinar angolana, cruza eletrónica, funk e ritmos africanos, propondo uma viagem imersiva por vários estilos, sempre com aquele ambiente descontraído que caracteriza o palco.
No Palco NOS, quem trouxe os anos 90 de volta foram os Skunk Anansie. A banda chegou cheia de energia, dominada pelo rock, mas o concerto acabou por ficar marcado sobretudo pelo discurso – a vertente política foi evidente, com a artista a denunciar a discriminação sofrida por mulheres e homens gays e pessoas transgénero às mãos de cristãos extremistas. A meio do concerto, a vocalista desceu ao meio do público a cantar, apagando por completo, por segundos, a distância entre palco e plateia. O regresso da banda a Portugal confirmou a admiração mútua: segundo a própria artista, o público português continua a ser “um fogo”.
Essa mesma proximidade física com o público repetiu-se no concerto de Jehnny Beth, no Palco Heineken: a certa altura convidou fãs a subir ao palco, noutra atirou-se de volta ao público. Acompanhada de banda, o rock dominou, tanto na energia como na presença vocal, e a quantidade de fãs foi bastante notória.

Entre tantas opções para dançar – seja nos DJ sets, seja mais perto do rock – há sempre um canto do festival reservado a um momento mais intimista, relaxado e genuinamente português: o Palco Fado Café, onde escutámos Ana Sofia Varela, com a sua voz a sentir-se com grande determinação e emoção, características comuns ao próprio fado. Neste lugar, complemente cheio, levando algumas pessoas a assistir ao concerto do lado de fora, sentiu-se, claramente, o contraste com a azáfama que se vai vivendo no resto do recinto.
Ao longo da noite, o Palco WTF Clubbing continuou a ser o ponto de encontro de quem quer dançar sem parar – desta vez com Chris Luno e, posteriormente, com Fiona Kraft. A estética visual e o efeito de luzes transformaram aquele canto do festival numa verdadeira discoteca onde se dançou ao som da eletrónica ou do techno.
Já no Palco Coreto, a dimensão mais reduzida garante sempre uma abordagem mais familiar e intimista, e o concerto de Constança Quintero não fugiu à regra. Acompanhada de banda, a cantora e compositora portuguesa cruza o R&B e o soul, presença constante no seu repertório, com a música lusófona e as vibes da kizomba, e rapidamente pôs o público a dançar, a solo ou a dois pelo espaço desafogado que existe – criou-se um ambiente calmo e perfeito para várias gerações.
De volta ao Palco NOS, os Wolf Alice prepararam o terreno para o momento mais aguardado da noite: os Foo Fighters. O concerto arrancou com energia, apresentando ao vivo o novo álbum The Clearing – o palco ganhou um painel decorado com uma estrela prateada, alusiva à capa do disco, que serve de pano de fundo a uma atuação onde o rock dominou o recinto. Ellie Rowsell comandou tudo, ora ao microfone, ora ao megafone, espalhando energia por uma plateia já bem composta e pronta para o que viria a seguir.
Nove anos depois da última passagem pelo NOS Alive, em 2017, os Foo Fighters não esconderam a admiração pela receção do público. Duas horas e meia de concerto depois, ficou claro porque foi o momento mais esperado da noite para muitos: os grandes clássicos da banda desfilaram um a um, a nostalgia instalaram-se e os fãs vibraram do início ao fim.
Terminou assim o segundo dia. O terceiro, também esgotado, promete mais uma dose de diversidade – e guarda a última grande surpresa do festival, muito aguardada pelo público português: o regresso dos Buraka Som Sistema.
