DECO defende reembolso após cancelamento dos Megadeth no Evil Live

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Os Megadeth cancelaram a sua atuação no Evil Live 2026 em cima da hora, quando milhares de espetadores os esperavam. Resta saber se um regresso está a ser cogitado…

Durante o Evil Live 2026, que aconteceu no passado domingo, dia 5 de julho, na MEO Arena, em Lisboa, a atuação dos Megadeth foi cancelada quando a banda já estava 30 minutos atrasada para o início do concerto. E foi mesmo o próprio grupo a dar uma “justificação” em primeiro lugar, numa curta mensagem dirigida ao público na qual referiram que o cancelamento se deveu a “problemas técnicos fora do seu controlo”, acrescentando que a decisão foi tomada com frustração e lamentando não poder corresponder às expectativas dos fãs, com a promessa de regressar no futuro.

Também a Prime Artists, promotora do evento, se viria a pronunciar, referindo ter garantido, ao longo de todo o dia, o cumprimento das condições necessárias para a realização do espetáculo, mantendo-se disponível para colaborar com todas as equipas envolvidas e procurando soluções que permitissem manter a atuação. Apesar dessas diligências, a decisão de cancelamento foi mantida pela estrutura da banda.

O cancelamento ocorreu num dia em que o cartaz incluía ainda atuações de nomes como Marilyn Manson, Mastodon, Converge, Imminence e The Gathering. A proximidade temporal entre os concertos de Megadeth e Marilyn Manson, agendados para momentos consecutivos, é apontada como um dos elementos de contexto relevantes para o que terá sucedido nos bastidores.

Embora a explicação oficial, tanto da banda como da organização, se limite a dificuldades técnicas, diz o site Maxazine, através de uma fonte em qual confia, que a origem do cancelamento poderá não ter sido exclusivamente de natureza técnica. Segundo essa versão, terá ocorrido um desentendimento nos bastidores envolvendo Dave Mustaine, líder dos Megadeth, e um técnico associado à equipa de Marilyn Manson, que anteriormente teria trabalhado com a banda. O incidente terá escalado, levando à decisão de não subir ao palco. Até ao momento, nenhuma das partes confirmou publicamente esta versão, mantendo-se a posição oficial centrada em problemas técnicos.

Ora, e o que acontece relativamente a reembolsos? Da parte da Prime Artists, o comunicado divulgado nas redes sociais nada refere sobre devolução do dinheiro, nem parcial. Do lado da banda também nada é dito sobre esse assunto, mas a verdade é que, poucos minutos após o anúncio, muita gente abandonou a MEO Arena e “picou” o bilhete à saída, de modo a poderem avançar com a reclamação e respetivo reembolso. Portanto, em que ficamos?

Independentemente dos motivos que terão estado na origem da decisão, a não realização do espetáculo levanta questões quanto aos direitos dos consumidores. De acordo com o enquadramento legal aplicável, o promotor de um evento está obrigado a proceder ao reembolso do valor dos bilhetes sempre que o espetáculo não ocorra nas condições anunciadas, nomeadamente quando não se realiza na data, hora ou local previstos, quando há alterações relevantes no programa ou substituição de artistas principais, ou ainda em situações de interrupção.

No caso concreto, a ausência dos Megadeth – anunciados como co-headliners – é entendida pela DECO como motivo suficiente para garantir o direito ao reembolso, sobretudo por não se tratar, à partida, de uma situação enquadrável como força maior.

A associação de defesa do consumidor tem vindo, aliás, a defender a necessidade de clarificação da legislação aplicável a festivais e eventos com múltiplas atuações. Segundo a DECO, persistem dúvidas na interpretação das regras, o que pode levar a práticas divergentes por parte dos promotores e, em alguns casos, à limitação indevida dos direitos dos consumidores.

Na prática, continuam a registar-se situações em que o reembolso é recusado quando um artista anunciado cancela ou é substituído, sob o argumento de que o evento prossegue com o restante alinhamento. Para a DECO, esta interpretação não deve prevalecer quando estão em causa alterações relevantes ao programa inicialmente divulgado, sobretudo quando afetam nomes de maior destaque.

A associação sublinha que a proteção dos consumidores não pode depender do formato do evento, devendo antes assentar no cumprimento efetivo das obrigações legais por parte das entidades organizadoras. Recorda ainda que, em eventos desta dimensão, os custos suportados pelo público vão frequentemente além do preço do bilhete, incluindo deslocações, alojamento e outras despesas associadas.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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