Além das motorizações Eco-G mais eficientes e da poupança do GPL, a Renault reforçou a segurança com 29 sistemas ativos e o Gemini da Google.
A Renault apresentou em Espanha as suas mais recentes apostas para o mercado automóvel, focando a estratégia comercial nas motorizações Eco-G a GPL (Gás de Petróleo Liquefeito) para os modelos Clio e Symbioz. A marca francesa delineou um plano assente em dois pilares principais: a tecnologia E-Tech 100% elétrica e a tecnologia E-Tech full hybrid.
O objetivo principal desta abordagem passa pela utilização de plataformas dedicadas que permitam maximizar a eficiência, reduzir o peso dos automóveis e, consequentemente, diminuir o consumo de combustível. Dentro da gama E-Tech 100% elétrica, a oferta estende-se desde o modelo Twingo, posicionado no segmento A, até ao Scénic, que integra o segmento C, sem esquecer o novo Megane. Por outro lado, as motorizações full hybrid E-Tech são apontadas pela empresa como uma excelente solução de transição energética para os clientes que ainda não se sentem preparados para efetuar a mudança definitiva para um veículo 100% elétrico, cobrindo uma faixa de mercado que vai desde o Clio até ao Espace, situado no segmento D.
No que respeita aos motores de combustão interna, a Renault disponibiliza diversas opções para dar resposta às necessidades específicas dos consumidores. A oferta inicia-se com as motorizações a gasolina e a GPL, desenhadas para garantir um preço de entrada mais acessível. Seguem-se as opções mild hybrid, que representam o primeiro nível de eletrificação da marca, disponíveis em sistemas de 12 volts ou 48 volts. A tecnologia full hybrid E-Tech é promovida como o melhor de dois mundos por conciliar desempenho e consumos reduzidos. No topo da gama situa-se o Rafale, equipado com uma bateria de grandes dimensões com uma capacidade de 22 quilowatts-hora, capaz de debitar até 105 quilowatts, oferecendo tração integral e uma potência total de 300 cavalos.
O foco da apresentação, à qual o Echo Boomer assistiu presencialmente, incidiu de forma detalhada sobre a tecnologia GPL. De acordo com os dados partilhados, o preço do GPL na Europa situa-se, de forma aproximada, em 1€ por litro, apresentando uma estabilidade de preços considerável ao longo dos últimos seis meses, ao contrário do que sucede com a gasolina. No mercado europeu, as vendas de veículos a GPL da Renault registaram um crescimento expressivo na comparação entre os anos transatos, com o Clio a registar uma subida de 35% e o Captur a aumentar 28%. A marca efetuou simulações financeiras comparando o Clio a GPL com a versão equivalente a gasolina equipada com a mesma caixa de velocidades EDC. Considerando um preço médio de 1,932€ para a gasolina e de 1€ para o GPL, com uma média de 20.000 quilómetros percorridos anualmente, a Renault estima uma poupança superior a 500€ por ano para os proprietários. Um cenário de poupança semelhante, também na ordem dos 500€ anuais, foi apresentado para o modelo Symbioz face à concorrência direta.
Para além das vantagens económicas, a marca sublinhou o impacto ambiental positivo desta tecnologia, que regista menos 9% de emissões de dióxido de carbono em comparação com um motor a gasolina. Mais significante é a redução de 90% na emissão de partículas finas face à gasolina e de 96% nas emissões de óxidos de azoto quando comparado com as motorizações a diesel. A tecnologia Eco-G do Grupo Renault é uma solução totalmente integrada de fábrica, desenvolvida com elevados padrões de segurança que incluem uma válvula de não retorno e uma válvula de alívio de pressão. O motor utilizado é uma unidade de 1,2 litros, com três cilindros, turbocomprimido e equipada com injeção direta de gasolina. A grande novidade técnica reside no aumento da capacidade do depósito de GPL no Clio, que passou de 32 para 50 litros úteis, correspondendo a uma capacidade real total de 60 litros. Este aumento permite ao Clio atingir uma autonomia combinada de 1.450 quilómetros, enquanto o Symbioz alcança os 1.500 quilómetros de autonomia total.
A Renault justificou a decisão de equipar o Clio GPL com uma caixa automática EDC e o Symbioz com uma caixa manual. No caso do Clio, um modelo do segmento B que enfrenta frequentemente situações de trânsito urbano e filas de condução, a marca optou por introduzir tecnologias e equipamentos oriundos do segmento C, priorizando o conforto de condução através da transmissão automática. Já no Symbioz, a promessa da marca consistiu em disponibilizar um veículo do segmento C por um valor inferior a 30.000€ em todos os países europeus. A inclusão da caixa manual revelou-se fulcral para atingir essa meta de preço, além de garantir um consumo de combustível ligeiramente inferior.
O Symbioz surge, assim, como um SUV compacto do segmento C que visa democratizar o acesso a esta categoria. Este modelo vem substituir a anterior motorização mild hybrid de 1,3 litros e quatro cilindros de 140 cavalos, que sai de cena para dar lugar ao novo bloco Eco-G 120 a GPL, opção mais barata e com consumos mais reduzidos. Equipado com um depósito de GPL de 50 litros e um depósito de gasolina de 48 litros, o Symbioz totaliza uma autonomia de 1500 quilómetros, o que reduz a dependência de paragens frequentes para reabastecimento. Em termos de especificações, o motor debita 120 cavalos de potência, apresenta um binário de 200 Newton-metro e regista emissões de dióxido de carbono de 116 gramas por quilómetro. A gama do Symbioz fica estruturada com três opções de motorização: o full hybrid E-Tech de 1,6 litros com 160 cavalos, a versão mild hybrid com transmissão automática e a nova variante Eco-G 120 com caixa manual.
No que diz respeito ao Clio, a introdução do depósito de GPL de 50 litros representa um acréscimo de 18 litros face à geração anterior, o Clio 5, que contava apenas com 32 litros. Combinado com o depósito de gasolina de 39 litros, o modelo alcança os 1450 quilómetros de autonomia. O Clio Eco-G 120 está equipado com a transmissão automática EDC, debitando 120 cavalos de potência e 200 Newton-metro de binário. As emissões de dióxido de carbono situam-se 9 gramas abaixo da versão convencional a gasolina. A gama do Clio divide-se assim entre as versões de entrada com caixa manual, a versão EDC automática a gasolina, a nova variante Eco-G a GPL e a opção full hybrid E-Tech.
Em termos de design, ambos os modelos partilham a nova identidade visual da Renault. Na secção dianteira, os designers trabalharam o formato do losango da marca, criando jogos de luzes e reflexos na grelha e repetindo o padrão geométrico nas luzes de circulação diurna em formato vertical. Na traseira, o Symbioz destaca-se pelas óticas com formas que evocam blocos de gelo, enquanto o Clio adota um estilo mais fresco e técnico.
A nível tecnológico, os veículos incorporam um conjunto alargado de ajudas à condução. Entre os 29 sistemas de segurança ativos disponíveis no Clio e no Symbioz, destaca-se a câmara de visão tridimensional de 360 graus, projetada para facilitar as manobras de estacionamento e evitar colisões. Outro equipamento relevante é o controlo de velocidade de cruzeiro adaptativo, que gere de forma automática a velocidade e a distância de segurança para o veículo da frente.
Já o sistema de infoentretenimento OpenR Link é baseado na tecnologia da Google e passa a incluir, a partir deste período, o sistema de inteligência artificial Gemini em substituição do assistente anterior, de modo a permitir uma interação mais natural através de linguagem corrente. Com esta novidade, o condutor pode dar comandos diretos ou exprimir estados de espírito, como indicar que sente frio, para que o sistema ajuste automaticamente a temperatura do habitáculo, tornando a experiência de utilização mais simples e segura ao evitar distrações durante a condução.
Há também o sistema Smart Mode, disponível nas caixas automáticas do Clio e nas motorizações GPL, que faz uma gestão preditiva e inteligente do comportamento do automóvel, adaptando o funcionamento do motor de forma automática entre uma condução mais económica em ambiente urbano ou uma resposta mais desportiva quando o condutor solicita maior aceleração para efetuar uma ultrapassagem, regressando posteriormente ao modo normal.
O Symbioz, lançado originalmente há cerca de dois anos, assume uma posição central na gama da Renault. Apresenta-se com um comprimento superior a 4,4 metros e caracteriza-se por uma grande versatilidade, evidenciada pelo banco traseiro deslizante que se move ao longo de 16 centímetros, privilegiando o espaço para as pernas dos passageiros traseiros ou aumentar a capacidade da bagageira. Mesmo na versão a GPL, o volume da bagageira supera os 600 litros, mais concretamente 610 litros, mantendo formas quadradas e uma superfície de carga plana. Com os bancos traseiros totalmente rebatidos, a capacidade de carga útil expande-se para lá dos 1500 metros cúbicos. O modelo inclui ainda o tejadilho panorâmico Solarbay, um equipamento opcional composto por um vidro que se torna opaco através de um comando vocal ou por botão, uma tecnologia anteriormente reservada a segmentos superiores ou a modelos mais dispendiosos como o Rafale ou o Scénic E-Tech.
Em Portugal, o Clio assume-se como um caso de sucesso comercial, mantendo-se de forma regular nas posições cimeiras de vendas na sua categoria desde o seu lançamento, com o novo design e a capacidade da bagageira de 390 litros a recolherem uma aceitação positiva por parte dos clientes. No Clio, a soleira de carga da bagageira foi rebaixada em 4 centímetros nesta nova geração, facilitando o acesso e a colocação de objetos no interior.
A estrutura de preços para o mercado português fixa o Symbioz ECO-G 120 na versão Evolution com um preço de 28.140€, posicionando-se como a opção mais económica da gama, enquanto a versão Techno situa-se nos 30.140€. Por sua vez, o novo Clio ECO-G 120 EDC começa nos 23,490€ para a versão Evolution, sobe para os 25.190€ na versão Techno e alcança os 26.890€ na versão Esprit Alpine.
A relevância do GPL no mercado português é demonstrada pelos dados estatísticos do setor. Nos últimos quatro anos, o mercado de veículos a GPL em Portugal registou um crescimento expressivo de 272%, atingindo um volume anual que se fixa na casa das 20.000 unidades transacionadas. A quota de mercado desta tipologia de combustível no panorama nacional subiu de 2,83% para 7,90%, consolidando-se como uma opção de consumo regular e abandonando o estatuto de produto de nicho. Este crescimento foi acompanhado pelo esclarecimento de dúvidas comuns dos consumidores relativas à segurança dos sistemas, à manutenção do rendimento do motor e às regras de estacionamento em parques subterrâneos. A legislação nacional em vigor permite o estacionamento destes veículos em parques cobertos, desde que os automóveis utilizem sistemas validados e instalados de fábrica que cumpram os critérios de segurança estipulados, eliminando as restrições associadas a instalações antigas ou artesanais.
Do ponto de vista financeiro e fiscal, o GPL apresenta um preço médio de 0,92€ por litro em Portugal. Mesmo contabilizando o diferencial de consumo inerente ao GPL face à gasolina, a marca aponta para uma poupança efetiva na ordem dos 40% nos custos de utilização. Para as empresas e frotas de dimensão corporativa, a aquisição de viaturas a GPL confere vantagens fiscais específicas, nomeadamente a capacidade de dedução de 50% do valor do IVA na compra do automóvel e uma dedução idêntica de 50% do IVA em cada reabastecimento de combustível, além de taxas reduzidas em sede de tributação autónoma, benefícios que não se aplicam aos veículos movidos exclusivamente a gasolina. E embora a marca Dacia represente uma fatia significativa do volume total deste mercado, a Renault registou um crescimento acentuado neste setor, multiplicando por seis os seus resultados comerciais anteriores no segmento do GPL.
