O Next Level Racing HF8 Pro é um daqueles produtos que se compreende melhor com o tempo do que numa primeira sessão. E assim que nos habituamos, é algo de que sentimos falta quando queremos correr bem.
Há periféricos que prometem tornar-nos mais rápidos. Há outros que prometem tornar a experiência mais imersiva. E depois há produtos como o Next Level Racing HF8 Pro, que ficam algures entre esses dois mundos: não fazem milagres, não substituem treino, não resolvem más travagens nem transformam um piloto inconsistente num candidato automático ao pódio. Mas, depois de algum tempo de utilização, tornam-se num daqueles elementos do rig que, quando não estão ligados, deixam imediatamente a sensação de que falta qualquer coisa. E é talvez esse o melhor elogio que posso fazer ao HF8 Pro.
Para quem não conhece, o HF8 Pro é uma almofada háptica da Next Level Racing, pensada para ser instalada no banco de um cockpit, cadeira gaming ou setup de simulação. A ideia é simples: através de vários motores de vibração distribuídos pela zona das costas e assento, o equipamento traduz informação do simulador em feedback físico. Não estamos a falar de motion, nem de uma plataforma que nos atira para os lados em travagens ou correções. Estamos a falar de vibração localizada, configurável, que tenta acrescentar ao corpo alguma da informação que, num carro real, recebemos naturalmente pelo banco, chassis e contacto com a pista. No papel, é um upgrade de imersão. Na prática, pode acabar por ser mais do que isso.
A instalação do HF8 Pro é simples. Coloca-se sobre o banco, prende-se com as fitas e liga-se ao PC. Não é um periférico que exija grandes alterações ao rig, nem obriga a soluções permanentes, ferramentas ou adaptações complexas. Isso é uma vantagem importante, sobretudo para quem tem um cockpit já montado e não quer entrar no mundo mais trabalhoso dos bass shakers, amplificadores, cablagem adicional e perfis mais complexos.
No meu caso, o interesse principal estava no sim racing, especialmente no iRacing, onde a leitura do carro e da pista é uma parte fundamental da experiência. O force feedback no volante já transmite bastante informação, claro, mas há sempre uma diferença entre sentir tudo apenas nas mãos e começar a receber sinais adicionais através do corpo. O HF8 Pro entra precisamente aí.
As primeiras sessões são curiosas, porque há uma tentação natural de colocar tudo demasiado forte. Queremos sentir o motor, as zebras, os impactos, as mudanças de piso, a perda de aderência, o ABS, o wheel slip, quase tudo ao mesmo tempo. Mas é aí que rapidamente se percebe que este tipo de produto exige alguma contenção. Se tudo vibra, nada comunica. O segredo está menos em “ter muita vibração” e mais em escolher bem o que se quer sentir. E, depois de afinado, o HF8 Pro começa a fazer sentido.
O HF8 Pro não nos dá uma réplica perfeita do que acontece num carro real. Convém dizer isto logo, porque ajuda a enquadrar expectativas. A vibração háptica localizada é sempre uma interpretação do que o simulador está a transmitir, não uma simulação física completa das forças envolvidas. Mas isso não significa que seja inútil. Pelo contrário. Quando bem configurado, o HF8 Pro consegue acrescentar camadas de informação muito interessantes, como a textura da pista, a passagem pelos corretores, vibrações do motor, impactos, perda de aderência, bloqueios, ABS ou até sinais associados à tração. A forma como estes efeitos são usados depende muito do simulador e do software escolhido, mas o potencial está lá.
A sensação mais importante, para mim, não é propriamente a de “realismo absoluto”. É a de presença. O carro deixa de estar apenas no volante, no som e no ecrã, passando a existir também no banco. E isso muda a forma como o cérebro interpreta a condução. Não é motion, nem sequer um substituto para um sistema de atuadores. Mas também não tem o custo, o ruído, o espaço ocupado ou a complexidade de uma solução dessas. É um meio-termo muito interessante para quem quer tornar o rig mais vivo sem transformar a sala num laboratório de simulação.
Um dos aspetos mais importante desta review, é que o HF8 Pro, por si só, não me tornou magicamente mais rápido. Não é um daqueles upgrades que se instala e, de repente, tira meio segundo por volta. A velocidade continua a vir do treino, da consistência, da leitura da pista, da técnica de travagem e da capacidade de perceber o limite do carro. Mas, ao fim de algum tempo, tornou-se difícil desabituar-me dele. Quando vou para o rig e, por alguma razão, não tenho oportunidade de o ligar, sinto falta do feedback que recebo. Não é apenas uma questão de “o cockpit parecer menos divertido”. É mesmo a sensação de que falta um canal de informação. O carro parece mais distante, mais mudo, menos comunicativo.

E a verdade é que, devido a essa ausência, noto uma ligeira quebra na minha sensação de competitividade. Não porque o HF8 Pro me faça conduzir por mim, mas porque ajuda a manter-me ligado ao que está a acontecer. Dá-me pequenas pistas físicas que, mesmo que subtis, contribuem para a confiança. E em sim racing, a confiança é uma parte enorme da consistência. Isto é especialmente evidente quando já estamos habituados a receber determinado tipo de feedback. Quando ele desaparece, o cérebro acusa a diferença. É como voltar a conduzir com menos informação. O carro continua lá, o volante continua a funcionar, o som continua a comunicar, mas há qualquer coisa que deixa de preencher a experiência. E esse é, talvez, o maior sinal de que o HF8 Pro faz bem o seu trabalho. Quando está ligado, passado algum tempo quase deixamos de pensar nele. Quando não está, sentimos-lhe a falta.
Imersão ou vantagem competitiva? A resposta honesta é: principalmente imersão, com algum potencial indireto de consistência. Não compraria o HF8 Pro com a promessa de ganhar corridas. Compraria, sim, se o objetivo fosse aumentar a ligação ao simulador e tornar cada sessão mais envolvente. No entanto, a linha entre imersão e performance nem sempre é completamente separada. Quando um periférico nos ajuda a perceber melhor uma mudança de piso, uma vibração de corretor, um bloqueio ou uma perda de tração, mesmo que de forma imperfeita, isso pode ajudar a tomar decisões mais intuitivas. Não é uma vantagem automática, mas sim uma ferramenta sensorial. No meu caso, sinto que o HF8 Pro acrescenta sobretudo confiança e envolvimento. E quando estou mais envolvido, também estou mais focado. Essa concentração adicional pode não aparecer diretamente numa folha de tempos, mas pode aparecer na consistência ao longo de uma corrida.
Um produto como este vive muito da configuração. Usar o HF8 Pro sem afinação cuidada pode levar a uma experiência exagerada, confusa ou até cansativa. O ideal é perceber que nem todos os efeitos têm de estar ativos e que nem todos devem ter a mesma intensidade. Para sim racing, menos pode ser mais. Prefiro uma configuração onde os sinais mais úteis se destacam, em vez de ter uma vibração constante a tentar representar tudo. Corretores, impactos, ABS, wheel slip e algumas texturas de pista fazem sentido. Já uma vibração permanente demasiado forte pode cansar e reduzir a clareza. O suporte através de software como o HFS da Next Level Racing ou SimHub permite essa personalização. E é aqui que o HF8 Pro se torna mais interessante para utilizadores que gostam de ajustar o setup ao seu estilo. Quem espera uma experiência perfeita de ligar e usar talvez precise de alguma paciência inicial. Já quem gosta de afinar o rig vai encontrar aqui bastante margem para experimentar.
Sendo uma almofada colocada sobre o banco, o conforto é uma parte importante da experiência. O HF8 Pro é suficientemente discreto para se integrar no cockpit sem parecer uma solução improvisada, mas não deixa de alterar ligeiramente a sensação do assento. Dependendo do banco e da posição de condução, isso pode ser mais ou menos evidente. Em sessões normais, a experiência é positiva. Em sessões longas, especialmente endurance ou treinos prolongados, a intensidade dos efeitos deve ser bem gerida. Vibração a mais durante demasiado tempo pode deixar de ser imersiva e passar a ser ruído físico. Aqui, mais uma vez, a afinação é essencial. O ideal é que o HF8 Pro esteja presente sem dominar.
O HF8 Pro faz muito sentido para quem já tem um volante e pedais decentes, já está minimamente satisfeito com o seu cockpit e procura o próximo passo em imersão. Não seria o primeiro upgrade que recomendaria a alguém que ainda usa pedais muito básicos ou uma base de volante limitada. Mas, num rig já minimamente composto, é um acrescento que se nota.
Também é interessante para quem não quer, ou não pode, instalar bass shakers. Um sistema de transdutores pode ser mais poderoso e mais físico, mas também exige mais trabalho, mais componentes e, dependendo da casa, pode gerar mais ruído e vibração estrutural. O HF8 Pro é uma solução mais limpa, mais direta e mais fácil de integrar. Para quem vive o sim racing como experiência, e não apenas como cronómetro, é um upgrade fácil de apreciar.
O HF8 Pro não é perfeito. A principal limitação está na própria natureza do produto: motores de vibração localizados nunca vão substituir forças reais, nem conseguem reproduzir toda a complexidade física de um carro em pista. Há momentos em que os efeitos podem parecer artificiais, especialmente se estiverem demasiado fortes ou mal configurados. Também gostava que a experiência inicial fosse ainda mais intuitiva, com perfis extremamente bem calibrados para os principais simuladores. A capacidade de personalização é ótima, mas há utilizadores que provavelmente gostariam de ligar, escolher iRacing – GT3, por exemplo, e ter logo uma base quase perfeita. Para além disso, sendo um periférico que fica entre o corpo e o banco, o conforto dependerá sempre muito do tipo de cockpit, do tempo de utilização e da sensibilidade de cada pessoa.
Disponível por 279.99€ em vários retalhistas, o Next Level Racing HF8 Pro é um daqueles produtos que se compreende melhor com o tempo do que numa primeira sessão. Ao início, impressiona pela novidade. Depois, obriga a afinar. E, quando finalmente passa a fazer parte natural do rig, torna-se difícil voltar atrás. Não é um periférico essencial. Não é o upgrade que recomendo antes de uma boa base, bons pedais ou uma posição de condução correta. Também não é uma solução milagrosa para ganhar tempo por volta. Mas é um upgrade que muda a forma como o cockpit comunica connosco. E, para mim, esse é o ponto decisivo. O HF8 Pro não me tornou automaticamente mais rápido, mas tornou a experiência mais rica, mais física e mais envolvente. Ao ponto de, quando não o ligo, sentir falta dele. E se um periférico de imersão consegue chegar a esse ponto, então é porque deixou de ser apenas um extra curioso e passou a fazer parte da forma como conduzo no simulador.

Este produto foi cedido para análise pela Next Level Racing.
