A Vinte Vinte apresentou chocolates biológicos de 75%, 85% e 100% com cacau de Madagáscar, reforçando a ligação entre origem e produto final.
A Vinte Vinte apresentou uma nova gama de chocolates biológicos de origem única, produzidos a partir de cacau proveniente de Madagáscar. A coleção inclui três referências com diferentes percentagens de cacau – 75%, 85% e 100% – e resulta de um trabalho conduzido pelo mestre chocolateiro Pedro Araújo.
O cacau utilizado nesta gama é exclusivamente proveniente da plantação Mava Ottange, situada no vale de Sambirano, uma das principais regiões produtoras de cacau em Madagáscar. Segundo a marca, a opção por uma única origem permite assegurar maior controlo sobre a qualidade e consistência do produto, bem como uma identificação mais clara das características sensoriais associadas ao território.
A abordagem biológica adotada pela Vinte Vinte é apresentada como uma decisão estrutural e não apenas como uma certificação formal. De acordo com Pedro Araújo, a produção assenta na rastreabilidade integral do cacau, desde a plantação até ao produto final, e numa relação direta com produtores certificados. Este modelo implica a adoção de práticas agrícolas que excluem pesticidas e privilegiam a preservação dos solos e da biodiversidade, ainda que com maior exposição às variáveis naturais da produção agrícola.
A escolha de Madagáscar está relacionada com o perfil aromático específico do cacau produzido na região de Sambirano, frequentemente associado a níveis de acidez mais elevados e a notas de fruta. Esta origem distingue-se de outros perfis mais tradicionais do chocolate negro, oferecendo características sensoriais que refletem condições locais como clima, solo e métodos de fermentação.
As três versões agora lançadas apresentam variações dentro da mesma origem. A versão com 75% de cacau apresenta um perfil sensorial marcado por uma acidez evidente, combinada com notas de frutos vermelhos, nomeadamente framboesa, morango silvestre e cereja ácida. Surgem também referências a componentes cítricas e tropicais, como laranja, limão, maracujá e ananás, complementadas por apontamentos mais suaves associados a mel e açúcar mascavado. O conjunto resulta num chocolate com amargor moderado e taninos pouco agressivos, mantendo um equilíbrio entre intensidade e acessibilidade.
Na variante com 85% de cacau, a redução do teor de açúcar altera significativamente o perfil. A componente aromática mantém-se centrada em frutos vermelhos, como framboesa e groselha, mas integra também ameixa vermelha e maçã verde. Os elementos cítricos tornam-se mais evidentes, com destaque para limão e lima, aproximando-se da sensação de casca de citrinos. A acidez surge mais marcada, o amargor prolonga-se e o final apresenta-se mais seco. Trata-se de um perfil mais linear e concentrado, em que a perceção de doçura inicial dá lugar a uma maior estrutura e persistência.
Já a versão com 100% de cacau elimina qualquer adição de açúcar, apresentando-se como a expressão mais direta da matéria-prima. O perfil sensorial é descrito como intenso, com notas de framboesa verde, arando, casca de lima e toranja, apoiadas por uma base de cacau profunda. A acidez é elevada e precisa, enquanto o amargor se prolonga de forma consistente. Os taninos estão presentes, mas sem caráter excessivamente agressivo. O resultado é um chocolate de perfil mais exigente, menos orientado para consumo generalista, e que evidencia de forma mais evidente as características intrínsecas da origem.
Quanto a preços, cada tablete de 50g tem um custo de 6€.
