Poucos gadgets combinam tantas funcionalidades úteis, equilibradas com uma excelente experiência de utilização. Os SteelSeries Arctis Nova Pro OMNI são um caso raro desse tipo, com um fantástico suporte multiplataforma, incrível qualidade de som e outros extras verdadeiramente únicos.
Quando os SteelSeries Arctis Nova Pro OMNI foram revelados fiquei extremamente entusiasmado com a sua premissa, pois apresentaram-se como um par de auscultadores de secretária que poderiam responder às minhas necessidades pessoais, as de quem procura uma solução de qualidade, multiplataforma e com áudio de alta-resolução, no fundo, um combo bem raro, uma espécie de “gadget unicórnio”. E uma vez nas minhas mãos, ou na minha cabeça, essas minhas necessidades foram todas respondidas de formas surpreendentes e, por consequência, as expectativas que tinha pelos Arctis Nova Pro OMNI ultrapassadas, com um dos equipamentos do género mais versáteis e completos que já usei, e que também não sacrificam a excelente qualidade da sua experiência.
Os Arctis Nova Pro OMNI marcam o meu primeiro contacto com equipamentos da SteelSeries, mas não significa que não reconheça de imediato a sua linguagem visual e o design adotado, que é consistente com os seus novos equipamentos da restante linha Nova Pro. São elegantes e modernos, distintos, com um design que apela mais ao funcional do que à aparência e, talvez o mais importante, sem qualquer elemento que grite “gaming”, com destaque para a ausência de iluminação RGB. E ainda bem porque, vamos ser honestos, iluminação em auscultadores destes é sempre desnecessária e gasta bateria.
Apesar deste look, admito que no seu manuseamento, os plásticos usados não transmitem imediatamente o tato mais premium, nomeadamente nas cúpulas onde se concentram os controlos e que escondem duas tampas magnéticas para uma porta USB-C e para a bateria amovível (mais sobre ela em baixo). O mesmo não pode ser dito da sua fantástica almofada macia e flexível, ou do aro metálico com uma segunda banda elástica de contacto com a cabeça. Uma vez em utilização, os Arctis Nova Pro OMNI são bem maleáveis e ajustáveis, leves e com o nível de pressão ideal para ficarem confortavelmente estáveis na cabeça. Já a dimensão dos drivers, de 40mm, em conjugação com a sua almofada, abraçam bem as orelhas com algum espaço para respirarem, algo que também afeta positivamente a experiência sonora.
Estes dias de início de verão, em que começa a ficar mais quente, tornaram-se no cenário ideal para testar os Arctis Nova Pro OMNI, num teste à minha resistência no uso contínuo e ao possível suor. Por um lado, tenho pouco a dizer, por outro é do mais positivo possível. Para além de confortáveis, com o tempo e foco nas minhas tarefas, sejam jogos ou produtividade, os Arctis Nova Pro OMNI “desaparecem” facilmente da cabeça, a sensação constante de ter algo a abraçar-me dilui-se e em momento algum senti calor, suor ou qualquer outro tipo de desconforto. O isolamento é fantástico e é um daqueles casos em que é “demasiado bom”, ao obrigar-me por vezes a levantar um dos lados para ouvir ou tomar atenção a algo que se passava em meu redor – isto, claro, sem recorrer ao modo de transparência.
E já que referi um modo de utilização, os Arctis Nova Pro OMNI contam com três modos bem distintos e muito úteis. O modo padrão, que usei mais, serviu então de referência para o tipo de isolamento de som, que como já mencionei é ótimo. Mas há também o modo de ANC e o seu contrário, o modo de transparência. O ANC é fantástico. Não se trata de um sistema muito avançado, já que está desenhado para o uso interno, em frente ao PC, mas é capaz de eliminar com eficácia o som das ventoinhas de um PC, ar condicionado ou dos cliques do rato e toques agressivos de um teclado mecânico. Outros sons externos, como animais e veículos na rua, continuam identificáveis, mas para uma utilização ideal durante o consumo multimédia é excelente. Já o modo de transparência também se comporta extremamente bem, acentuando todos esses sons, permitindo até ter conversas com outras pessoas sem ter de os retirar – embora haja uma presença constante daquele som de volume amplificado, capturado com dois microfones externos para o efeito.
Um dos aspetos que mais antecipava dos Arctis Nova Pro OMNI era o seu suporte para áudio de alta fidelidade, que aqui se apresenta no formato sem fios, tanto através do hub de 2,4 GHz como através de Bluetooth 5.3. Com suporte de áudio a 96 kHz a 24 bit, passa a ser possível usufruir de melhor conteúdo em, por exemplo, subscrições premium como, no meu caso, o Apple Music, com transmissão lossless para lá desses valores. Não se trata, obviamente, da resolução máxima desse serviço, que vai até aos 192 kHz em conteúdos especificos, mas já é um nível de qualidade com diferenças bastante significativas na experiência áudio, oferecendo um excelente soundstage, riqueza e diferenciação de instrumentos. Apesar de um dos alvos desta solução ser os jogadores – como as suas aplicações de personalização denunciam com diferentes opções e perfis já calibrados para diferentes jogos -, a SteelSeries opta aqui por oferecer um equilíbrio sonoro bastante equilibrado, sem graves agressivos ou artificiais, mas com capacidade e folgo suficientes para manipular essa experiência, o que é também muito bem-vindo.
Como seria de esperar, os Arctis Nova Pro OMNI também contam com suporte de áudio espacial. São compatíveis com Dolby Atmos, mas no PC o recomendado é o sistema proprietário Sonar, uma plataforma desenhada para jogos competitivos que na prática funciona, acentuando sons considerados posicionais, nomeadamente de inimigos e adversários, mas, claro, a troco da autenticidade da experiência. Em alternativa, para algo mais fiel e autêntico, temos também o Windows Sonic Spatial, gratuito e nativo ao sistema Windows e à XBOX. Já na PlayStation 5, os jogadores poderão tirar ainda partido do Tempest 3D.
E já que falamos em plataformas, os Arctis Nova Pro OMNI são uma daquelas soluções verdadeiramente raras que justificam o seu preço se, como eu, tiverem acesso a diferentes dispositivos e quiserem uma solução tudo-em-um. Isto porque, para além do PC e dispositivos móveis via Bluetooth, os Arctis Nova Pro OMNI são compatíveis com a PlayStation 5, a XBOX Series X|S, a Nintendo Switch e a Nintendo Switch 2, recorrendo a um único ponto de 2,4 GHz — o seu GameHub. Em vez de um dongle USB, o GameHub é um pequeno dispositivo e, provavelmente, a melhor coisa do pacote, onde me arrisco mesmo a dizer que os próprios Arctis Nova Pro OMNI é que são o verdadeiro acessório do conjunto. O GameHub confere uma compatibilidade imensa graças a uma variada seleção de portas, que incluem três USB-C – sendo uma delas a única apropriada para a XBOX – um jack de 3,5 mm de entrada e outro de saída. Esta seleção de portas permite a ligação de vários dispositivos em simultâneo, sem ter de andar a mover e a ligar constantemente cada um.
Mas a verdadeira magia do GameHub, que incorpora um útil ecrã OLED e uma roda de controlo para fácil navegação e configuração sem recorrer a software, é que também é um DAC, com hardware interno para processar áudio de alta qualidade. Graças aos jacks de 3,5 mm é possível ligar um microfone e, para meu deleite, colunas externas para quando não quero usar os auscultadores. As possibilidades são imensas e acabam até por simplificar a configuração da secretária e a gestão de cabos e ligações. É fenomenal. O único senão desta experiência diz respeito ao controlo de volume do sinal de saída para as colunas, que deixa de ser controlável ao nível do sistema ou do GameHub, obrigando ao controlo direto nas colunas ou no seu comando. Mas é um pequeno sacrifício com o qual vivo bastante bem.
Outro aspeto muito pouco convencional da experiência dos Arctis Nova Pro OMNI e do seu GameHub é que os auscultadores recorrem a uma bateria amovível. Como a maioria destes equipamentos, os Arctis Nova Pro OMNI podem ser carregados via USB-C, mas neste caso a bateria pode ser retirada dos auscultadores e colocada numa ranhura do GameHub para ficar a carregar. Como se não bastasse, para não ficarmos à espera do carregamento nem a usar os auscultadores com cabos, a SteelSeries fornece na caixa uma segunda bateria, que estará sempre pronta a usar, tornando a experiência dos Arctis Nova Pro OMNI perpetuamente sem fios e de autonomia infinita – isto, claro, fazendo esta pequena gestão e troca quando necessário, sensivelmente ao fim de 30 horas de uso contínuo.
Para comunicação, os Arctis Nova Pro OMNI recorrem a mais uma solução elegante, o microfone ClearCast Pro retrátil, que é um dos meus formatos favoritos, já que nem fica com um braço pendurado quando não é usado, nem fica perdido numa gaveta até ser necessário usá-lo. A qualidade de captura do microfone é fantástica, de nível quase profissional, perfeito para criação de conteúdo, ainda melhor para chamadas, e que rivaliza com alguns microfones de secretária mais modestos para gravações e narração. O som capturado é extremamente limpo, encorpado e com níveis de volume bem equilibrados. Esta parte destes equipamentos é, para mim, sempre secundária, mas neste caso a experiência é boa o suficiente para a mencionar e, por vezes, para recorrer a ela em vez do meu microfone de secretária dedicado.
Desde que comecei a experimentar equipamentos para o Echo Boomer em 2017, nunca senti que um pedaço de hardware fosse tão completo, versátil e com uma qualidade de experiência à altura das suas valências e promessas. Os Arctis Nova Pro OMNI são os primeiros a fazê-lo, pelo menos de que tenha memória. Desde a qualidade de construção cuidada, ao formato multiplataforma, aos extras incluídos e, claro, à qualidade sonora, tudo se complementa sem excessos e com poucos sacrifícios. Os Arctis Nova Pro OMNI são dos poucos produtos em que um preço de 399,99€ justifica todos os cêntimos. Por outras palavras, são perfeitos.

Este dispositivo foi cedido para análise pela SteelSeries.
