Smart City of Rock: O teste de tecnologias urbanas e gestão de dados em grande escala

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O projeto Smart City of Rock, desenvolvido no Rock in Rio Lisboa, analisa a aplicação de inteligência artificial, gémeos digitais e sensorização na gestão urbana.

A gestão das cidades modernas enfrenta o desafio de integrar fluxos massivos de informação e exigências infraestruturais complexas. No contexto do projeto Smart City of Rock, desenvolvido no Rock in Rio Lisboa com a colaboração da Universidade de Lisboa, da Unicorn Factory Lisboa e da MEO, o recinto do festival é utilizado como um espaço de testes em grande escala para avaliar o impacto real de novas tecnologias aplicadas ao ambiente urbano. Através da monitorização de dados, simulações digitais e soluções de sustentabilidade e acessibilidade, este ecossistema serve para analisar de que forma a inovação tecnológica pode ser integrada na infraestrutura pública para melhorar a eficiência das cidades.

A recolha e a agregação de dados constituem a base operacional desta infraestrutura. A startup Sensei atua no papel de agregadora de dados recebidos de várias outras startups focadas em nichos específicos, que incluem desde a monitorização do fluxo de pessoas nas ruas e a geração de energia eólica portátil até à ocupação de instalações sanitárias e dados meteorológicos. Contudo, a mera observação de números isolados num ecrã não possui utilidade prática. O tratamento destes fluxos através de algoritmos de inteligência artificial visa dar contexto à informação, transformando dados brutos em ferramentas analíticas que permitam aos gestores antecipar cenários e tomar decisões sobre segurança, fluxos e gestão de recursos em ambientes de elevada densidade populacional.

Para processar este volume de dados e prever comportamentos urbanos, o projeto recorre ao conceito de Digital Twin, ou Gémeo Digital, desenvolvido pela Infinite Foundry. Esta tecnologia consiste na criação de uma réplica virtual do espaço físico que, alimentada por dados recolhidos previamente, simula cenários em tempo real. Em termos práticos, o sistema modela o adensamento e a movimentação das massas humanas, permitindo antever estrangulamentos ou prever, por exemplo, a necessidade de ajustar a temporização de semáforos para escoar o tráfego pedonal ou rodoviário de forma mais fluida. Este tipo de modelação foca-se numa gestão urbana prospetiva e planeada, contrapondo-se aos modelos tradicionais puramente reativos.

No âmbito da sustentabilidade e da gestão de recursos, várias startups aplicam sensores e sistemas de análise ao recinto. A startup Planta Smart Homes implementou a sensorização de instalações sanitárias para monitorizar os tempos de espera nas filas e a frequência de utilização, fornecendo dados que otimizam as rotinas de manutenção preditiva. Ao mesmo tempo, a Incredible desenvolve turbinas eólicas portáteis e células fotovoltaicas para a produção local de energia renovável, utilizada em postos de carregamento de dispositivos móveis, enquanto a Trash4Goods utiliza a gamificação para incentivar a reciclagem correta através de recompensas digitais. No setor dos transportes, a GoParity foca-se na otimização de frotas e em soluções de mobilidade que visam reduzir a pegada ecológica das deslocações massivas.

A inclusão e a acessibilidade digital são testadas através da AliClu, uma startup focada no desenvolvimento de ferramentas para cidadãos seniores, analfabetos ou com deficiência visual e baixa visão. A aplicação móvel deteta os códigos de barras de produtos e reproduz, por via áudio, as informações completas dos rótulos, ingredientes e potenciais alergénicos, permitindo testar a autonomia de consumo destes grupos num ambiente de grande rotação.

O envolvimento da Unicorn Factory Lisboa foca-se na seleção e na ligação de startups em fases de aceleração que apresentem potencial para gerar impacto nos modelos B2B (Business to Business) e B2G (Business to Government). Das mais de cem candidaturas submetidas, treze startups operam no terreno para testar a escalabilidade dos seus produtos. Entre estas, a Catchit aplica mecânicas de jogo à distribuição de prémios e à comunicação com os utilizadores, ajudando também a orientar fluxos de público para zonas específicas através de incentivos digitais, enquanto a Getroco funciona como um sistema central de atendimento baseado em inteligência artificial, respondendo no telemóvel dos utilizadores a dúvidas sobre a localização de serviços e horários.

No plano da comunicação e da imagem, a Yudoll disponibiliza uma plataforma que integra elementos de marca na produção de fotografias e vídeos originais gerados pelas equipas e pelos utilizadores, testando dinâmicas de envolvimento de públicos. A MeetVibe implementou uma plataforma assente na partilha de objetivos em tempo real, onde os utilizadores publicam projetos e procuram colaborações dentro da comunidade. O ecossistema conta ainda com a ViaGlass, focada na criação de conteúdos de vídeo personalizados através de inteligência artificial, e com dinâmicas lúdicas onde os cidadãos simulam a tomada de decisões políticas complexas sobre urbanismo.

A validação científica de todo o projeto é assegurada pela Universidade de Lisboa, que disponibiliza o conhecimento das suas dezanove faculdades para avaliar de que forma os dados recolhidos nestas experiências podem ser extrapolados e aplicados na gestão quotidiana de cidades reais. A interoperabilidade e a estabilidade das redes de comunicação – cruciais para que estes sistemas analíticos funcionem de forma integrada e preditiva – dependem da infraestrutura e conectividade de banda larga fornecidas pela MEO. O cruzamento entre estes diferentes agentes permite transformar o recinto num campo de ensaio técnico para os modelos de planeamento que moldarão as futuras metrópoles.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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