Ljubomir Stanisic, Nuno Faria e Nelson Santos vendem o grupo 100 Maneiras a Dhurba Subedi após 17 anos de atividade.
O grupo 100 Maneiras, que inclui o restaurante 100 Maneiras, o Bistro 100 Maneiras e o Carnal Gastrobar, passou para a propriedade do grupo Dhurba Subedi. A decisão foi anunciada esta sexta-feira, 8 de maio de 2026, através de um comunicado oficial divulgado nas redes sociais do projeto. Ljubomir Stanisic, Nuno Faria e Nelson Santos, os fundadores, cessaram funções de gerência e gestão no início do ano, acompanhando de perto o processo para garantir uma transição estável das equipas.
O grupo adquirente é liderado por Jamuna Subedi, Dhurba Sapana, Niraj Subedi e Kismita Subedi. Esta empresa gere mais de cem restaurantes em vários pontos do mundo, com presença já estabelecida em Lisboa através dos espaços Las Ficheras e UMA Marisqueira. Não foram divulgados os termos financeiros da operação nem eventuais alterações imediatas na operação dos restaurantes.
O 100 Maneiras teve origem em 2009, quando Ljubomir Stanisic, de origem jugoslava, abriu o primeiro espaço em nome próprio em Cascais, aos 26 anos, ainda com dificuldades na língua portuguesa. O restaurante instalou-se depois no Bairro Alto, na Rua do Teixeira, expandindo-se com o Bistro 100 Maneiras em 2010 – num edifício histórico de inspiração Art Déco, com capacidade para cerca de 70 pessoas – e o Carnal Gastrobar em 2021.
O restaurante 100 Maneiras, renovado em 2019 no número 39 da mesma rua, destacou-se com menus de degustação de autor e chegou a receber uma estrela Michelin entre 2021 e 2023. Já o Bistro combinava gastronomia, bar premiado, arte e música, com uma cozinha de conforto inspirada em influências portuguesas, jugoslavas, francesas e italianas. Quanto ao Carnal, explorava um conceito irreverente mexicano, com arte de Carlito Dalceggio, até ser destruído por um incêndio no passado dia 7 de abril, o que obrigou à transferência temporária da operação para o Bistro.
Os últimos anos trouxeram obstáculos significativos ao grupo. A pandemia de Covid-19 exigiu reestruturações, com encerramentos temporários e serviços de take-away. A perda da estrela Michelin impactou a faturação em cerca de 40%, conforme admitido pelo próprio Stanisic. Acrescentaram-se os custos crescentes com produtos, impostos e empréstimos contraídos durante os confinamentos, num cenário de recuperação lenta da restauração independente em Portugal. E o Grupo 100 Maneiras chegou, até, a procurar um financiamento de 500.000€ para expandir e reestruturar dívidas através da plataforma Goparity, mas esse financiamento foi cancelado devido à falta de adesão.
Apesar de todas as adversidades, Stanisic manteve-se no ativo com atividades como workshops e eventos farm-to-table na sua quinta em Grândola. O conhecido chef tem, também, vindo a estabelecer várias parcerias com casas de apostas legalizadas em Portugal, bem como com outras marcas, como é o caso do Burger King, para o qual desenvolveu novas receitas de hambúrgueres.
No comunicado, Stanisic descreve o 100 Maneiras como “gente” e não como números, referindo-o como o seu “primeiro filho”. A mensagem, partilhada no Instagram, é uma “carta de amor” a equipas, clientes, fornecedores e parceiros, assinalando “o fim de um ciclo, mas também um início”. Fala em lágrimas e orgulho pelo que foi construído, prometendo novos projetos “sem medo” e mantendo o espírito irreverente do grupo.
