Um espaço versátil onde a gastronomia libanesa encontra a vida noturna lisboeta. Assim é o Maída, o novo restaurante do Cais do Sodré.
O Cais do Sodré ganhou recentemente um novo restaurante libanês que combina gastronomia, música e convívio num mesmo espaço. Chama-se Maída e nasce da vontade de recriar, em Lisboa, o espírito de hospitalidade libanesa – aquele que se manifesta à volta da mesa, com refeições longas, pratos partilhados e conversas que se estendem pela noite.
O projeto é da autoria de Anna e Anthony, dois fundadores com percursos distintos que se cruzaram na paixão pela comida como forma de ligação cultural. Anna vem da área do design e da animação, enquanto Anthony tem formação em engenharia e consultoria. Depois de criarem o The Happy Salad, decidiram explorar algo mais íntimo: as recordações e sabores das suas origens libanesas. Dessa vontade de regresso à memória familiar nasce o Maída Lisboa, um espaço inspirado na vida quotidiana de Beirute, nos aromas e nos rituais que marcam a sua cozinha.
O nome define a sua identidade. “Maída”, do árabe مائدة (ma’ida), significa “mesa de partilha”, símbolo da cultura libanesa e da forma como se constrói convivência em torno da comida. O restaurante assume assim a mesa como o centro da experiência, propondo-se a ser mais do que um sítio para jantar: um ponto de encontro no Cais do Sodré, onde a refeição se transforma num momento coletivo.
O Maída escolheu o Cais do Sodré pela energia próxima de Mar Mikhael, um bairro de Beirute conhecido por juntar restaurantes e bares lado a lado. O design do espaço reflete essa fusão: um ambiente acolhedor, contemporâneo e subtilmente pontuado por referências portuguesas. Versátil no conceito, o restaurante adapta-se a diferentes ritmos, desde um almoço descontraído a um jantar que se prolonga pela noite. Desde a abertura, o Maída coleciona episódios reveladores do seu ambiente informal, como o momento em que recebeu uma cliente chamada Maída, transformando a coincidência numa pequena celebração em tom beirutense.
Quanto à proposta gastronómica, conjuga a tradição libanesa com uma abordagem contemporânea, mantendo um diálogo constante com a cozinha mediterrânica. Entre os pratos mais emblemáticos estão o Shawarma Platter, o Tabbouleh, o Shish Barak e a feta brûlée. Os Saj Wraps, preparados com pão de produção própria, são um dos elementos centrais da carta e distinguem o restaurante: é o único em Lisboa a fazer pão Saj integral, sem adição de açúcares. O menu é sazonal e evolui com as estações, introduzindo periodicamente novas combinações e ingredientes que mantêm o repertório fresco e dinâmico.
Com um conceito pensado para ganhar força ao longo das próximas semanas, com a entrada do verão no horizonte, um dos eixos centrais passa pelas Maída Sessions, já realizadas semanalmente e agora com maior visibilidade. A ideia é clara: manter a vertente de restaurante, sem abdicar de um ambiente ligado à música e à socialização.
A música, aliás, é um pilar fundamental. Anthony, um dos proprietários, é também DJ, o que explica a importância dada à curadoria sonora e ao ambiente criado no interior. A casa dispõe de um sistema de som de alta qualidade e está a preparar uma rotação regular de DJs com diferentes estilos ao longo da semana. A intenção é criar uma programação viva, capaz de mudar de registo de uma semana para a outra. Entre as ideias já em desenvolvimento estão noites temáticas, incluindo sessões dedicadas aos anos 80, com o objetivo de consolidar o Maída como um lugar com agenda própria.
Outra novidade é o brunch, pensado para os sábados e ainda em fase de preparação. A proposta prevê música durante o dia, bebidas e um ambiente mais descontraído, prolongando a utilização do espaço para além do jantar. O arranque está previsto para maio, numa fase de lançamento gradual que servirá também para apresentar o formato a novos convidados e dar maior destaque às Maída Sessions.
Ao mesmo tempo, o restaurante está a renovar a carta, introduzindo novos pratos e caminhando para uma oferta mais mediterrânica, sem abandonar a influência libanesa que define a identidade do projeto. O objetivo é alargar o menu e torná-lo mais abrangente, acompanhando a evolução do conceito sem perder a base que o sustenta.
Mais do que um restaurante, o Maída Lisboa quer afirmar-se como um verdadeiro espaço de permanência, onde se vem para jantar, mas sobretudo para ficar.
