Os dados do INE de 2025 indicam que 42,3% dos residentes em Portugal lidam com doenças crónicas, o que representa o terceiro pior registo da União Europeia.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2025 revelam que as doenças crónicas em Portugal afetam 42,3% da população residente com 16 ou mais anos. Este valor, que traduz o diagnóstico de um problema de saúde prolongado em quase metade dos habitantes, reflete um aumento de 1,8% face aos registos de 2024. Esta prevalência coloca o território nacional na posição de terceiro país com piores indicadores de saúde pública entre os 27 Estados-membros da União Europeia.
A análise demográfica do INE evidencia assimetrias significativas na incidência destas patologias de longa duração. O impacto é mais expressivo na população feminina, com uma taxa de 47,6%, um valor superior aos 40,2% observados na população masculina. Simultaneamente, a prevalência de doenças crónicas atinge uma proporção que é o dobro no segmento da população idosa, evidenciando o peso do envelhecimento demográfico no sistema de saúde português.
O nível de escolaridade apresenta uma forte correlação estatística com o estado de saúde clínico dos portugueses. A taxa de doentes crónicos fixa-se nos 32,5% entre os cidadãos com o ensino superior concluído. O cenário agrava-se para 54,5% entre os indivíduos que possuem apenas o ensino básico (9.º ano) e atinge os 78,5% na faixa da população sem qualquer nível de instrução escolar.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, explicou ao jornal Correio da Manhã (acesso pago) que a disparidade educativa reflete diferenças nos níveis de literacia em saúde e nas condições socioeconómicas. Segundo o representante médico, as franjas populacionais com maior escolaridade adotam mais facilmente hábitos preventivos, como nutrição adequada, exercício físico regular e cumprimento das horas de sono. Adicionalmente, sublinhou que os cidadãos com menor capacidade financeira ficam mais vulneráveis à ausência de cuidados clínicos adequados nas situações em que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não consegue assegurar a resposta necessária.
Para além da elevada taxa de doença, Portugal destaca-se de forma negativa na perceção geral do estado de saúde individual. Apenas 53,6% dos portugueses avaliam a sua própria condição clínica de forma positiva. Este indicador situa-se 14,9% abaixo da média europeia de 68,5%, resultando no terceiro pior registo global no conjunto dos países da União Europeia.
Os indicadores de longevidade contrastam fortemente com a estimativa de anos de vida saudável à nascença. Os dados oficiais do INE referentes a 2023 indicam uma esperança de vida geral de 82,5 anos, dividida em 85,3 anos para as mulheres e 79,5 anos para os homens. No entanto, devido às limitações físicas impostas por problemas de saúde prolongados, a média de vida com total capacidade funcional contrai para os 59,6 anos na população total. Neste indicador específico dos anos vividos com saúde plena, as mulheres apresentam uma perspetiva de 58,3 anos, inferior aos 61 anos previstos para os homens.
No âmbito da capacidade de resposta hospitalar, o sistema de saúde registou a realização de 1,3 milhões de intervenções cirúrgicas durante o ano de 2024. Este volume global de operações executadas traduz um acréscimo de 8,3% em comparação direta com a atividade cirúrgica apurada no ano anterior.
