Com a procura interna a superar o turismo, a Bolt alerta para a falta de veículos TVDE em Portugal.
O mercado de Transporte em Veículo Descaracterizado a partir de Plataforma Eletrónica (TVDE) em Portugal tem vindo a registar um crescimento acentuado, impulsionado predominantemente pela procura interna. Em entrevista ao Diário de Notícias (acesso pago), Mário de Morais, diretor-geral da Bolt Portugal, traça um balanço positivo da operação nacional em 2025, revelando que a procura no setor TVDE superou o dobro da oferta disponível. O aumento da utilização destas plataformas de mobilidade urbana foi garantido de forma essencial por residentes, que já ultrapassam o peso do turismo no volume de viagens. A empresa, no segundo ano consecutivo na liderança do mercado português, opera com automóveis em todos os distritos do continente e regiões autónomas, integrando também trotinetes e bicicletas elétricas nas localidades onde a infraestrutura permite a micromobilidade.
A adesão a este modelo de transporte individual e remunerado de passageiros reflete mudanças estruturais nos hábitos da população. As faixas etárias mais jovens abdicam da compra de viatura própria para evitar custos de manutenção e as dificuldades de estacionamento nos centros urbanos, optando por solicitar viagens na aplicação. Em simultâneo, as gerações mais velhas consolidam a transição gradual para a utilização regular destas plataformas eletrónicas. Perante a expansão da base de utilizadores em Portugal, o diretor-geral da Bolt contraria a perceção pública de excesso de viaturas. Na realidade, o gestor alerta para a escassez de automóveis TVDE em circulação, considerando a frota atual insuficiente para dar resposta às reais necessidades de mobilidade nas cidades portuguesas.
A Bolt está também em negociações com diversas transportadoras para permitir a venda de bilhetes de autocarro e comboio diretamente na sua aplicação. Este modelo de multimodalidade permitirá, por exemplo, reservar uma viagem ferroviária entre Lisboa e Coimbra e assegurar um automóvel à chegada ao terminal de destino. Sobre esta assunto, mais detalhes deverão ser divulgados no segundo trimestre.
O eixo de expansão da mobilidade em Portugal contempla ainda a introdução de veículos autónomos. A empresa mantém a calendarização para o arranque de projetos-piloto ainda durante o corrente ano, antecipando um crescimento gradual desta tecnologia num horizonte de três a cinco anos. Por cá, o Governo e o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) tem vindo a demonstrar abertura para criar um diploma legal específico que permita os testes, em total alinhamento com a intenção de Bruxelas de estabelecer as condições normativas adequadas para a condução autónoma na Europa.
