Carros da Ebro entram em Portugal com SUVs híbridos produzidos em Barcelona e parceria com M. Coutinho

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Em Lisboa, a Ebro apresentou os seus quatro SUVs híbridos – S400, S700, S800 e S900 -, todos produzidos em Espanha.

Hoje, dia 25 de março de 2026, e num evento no qual o Echo Boomer esteve presente, a marca espanhola Ebro apresentou-se oficialmente no mercado português, presença sustentada numa aliança industrial e tecnológica com a chinesa Chery e numa aposta clara nos segmentos de SUVs multienergia B, C e D, num contexto de forte crescimento da mobilidade eletrificada em Portugal e na Europa.

A sessão foi aberta com a apresentação de Rafael Luiz, presidente da Ebro, que enquadrou a entrada em Portugal como um passo estratégico dentro do projeto industrial em curso. O responsável reforçou que Portugal e Espanha partilham história, cultura e, sobretudo, uma visão comum sobre mobilidade sustentável e redução da dependência de combustíveis fósseis, argumentando que o mercado português se consolidou como um dos grandes referenciais europeus na eletrificação, com uma rede de mais de 15.000 pontos de carregamento e uma elevada penetração de híbridos plug-in e elétricos nas vendas de 2025. Nesse ano, recordou, o mercado automóvel português registou cerca de 225.000 matrículas, das quais aproximadamente 36% corresponderam a híbridos plug-in e elétricos, o que, no entender da marca, cria um ecossistema particularmente favorável à gama Ebro.

É neste contexto que a Ebro avança em Portugal com quatro SUVs – S400, S700, S800 e S900 – todos produzidos na fábrica de Barcelona e equipados com tecnologias híbrida e híbrida plug-in, posicionando-se como uma marca multienergia que cobre gasolina, híbridos, PHEV e, a prazo, elétricos puros. Rafael insistiu no caráter espanhol da marca, cotada na bolsa de Madrid, com capital maioritariamente espanhol e sede em Barcelona, e clarificou que a Chery entra como parceira tecnológica e acionista de referência na fábrica (com cerca de 40% do capital industrial), fornecendo plataformas, tecnologias elétricas e de baterias, sem descaracterizar o ADN espanhol da Ebro.

O presidente da Ebro enquadrou ainda o renascimento da marca num dos processos de reindustrialização considerados mais relevantes em Espanha e na Europa dos últimos anos: a recuperação da unidade de Barcelona, anteriormente da Nissan, que chegou a produzir mais de 200.000 automóveis por ano. Após o anúncio do encerramento pela Nissan, um grupo de empresários e empreendedores decidiu apostar na reativação da fábrica, integrando a marca Ebro nesse esforço. Desde então, a empresa afirma ter investido mais de 100 milhões de euros na unidade, equipado as linhas de soldadura com mais de 200 robôs e reforçado o quadro de pessoal para mais de 1.600 trabalhadores diretos, incluindo cerca de 600 engenheiros, a que se somam cerca de 3.000 postos de trabalho diretos e indiretos. As linhas de montagem terão já produzido mais de 20.000 veículos e a marca desenvolveu uma rede superior a 90 pontos de venda em Espanha, com forte foco no serviço pós-venda e na disponibilidade de peças, uma dimensão que Rafael apresentou como elemento crucial da proposta Ebro.

A Chery tem oito centros de I&D globais, dois deles na Europa: um em Frankfurt e outro em fase de arranque em Barcelona, este último em estreita ligação com a Ebro. O novo centro de I&D em Barcelona terá como foco o desenvolvimento de tecnologia orientada para os padrões europeus, em particular no domínio da dinâmica de condução, chassis, suspensão, direção e sistemasc, áreas que a Chery reconhece como críticas para aproximar os seus produtos das expectativas do consumidor europeu. Tradicionalmente, os carros chineses são percecionados como tendo chassis e direções demasiado “suaves” face aos parâmetros europeus, razão pela qual a Chery está a instalar equipas próprias na Europa, a realizar testes extensivos e a recolher dados com parceiros externos, com o objetivo de ajustar e homologar os veículos ao gosto local.

No plano industrial, a Ebro afirma estar a adaptar a fábrica de Barcelona para cumprir a legislação europeia que vai exigir, até 2029, níveis mínimos de conteúdo europeu para que os veículos possam ser considerados “produzidos na Europa”. Rafael Luiz explicou que o investimento de cerca de 100 milhões de euros em 2024 incluiu uma nova linha de soldadura, maioritariamente fornecida por empresas europeias, uma nova linha de montagem com um fornecedor francês e a atualização das linhas de pintura com empresas como a alemã Dürr, as quais também operam em Espanha.

Em Portugal, a operação é articulada com o grupo M. Coutinho, que assume a distribuição e rede comercial, com a ambição de construir uma presença sólida e próxima do cliente final. A Ebro prevê implementar uma rede de 20 concessionários até ao final de 2027, dos quais 10 deverão estar operacionais já em 2026, cobrindo Portugal continental, Madeira e Açores. No momento da apresentação, sete zonas estavam já atribuídas e o objetivo assumido é, mais do que atingir um número específico de pontos de venda, consolidar uma rede considerada robusta e estável.

A gama apresentada em Lisboa inclui o S400, S700, S800 e S900, todos SUVs, cobrindo os segmentos B, C e D, com diferentes níveis de potência, lotação e tecnologia de propulsão. Começando pelo S400, é descrito como um SUV compacto orientado para mobilidade urbana, com tecnologia híbrida distinta e um consumo combinado anunciado de 5,3 l/100 km e emissões de CO2 de 120 g/km, suportado por uma bateria de elevada capacidade para o segmento.

Apesar de ser o modelo de entrada na gama, o S400 surge com um nível de equipamento considerado elevado, com 24 sistemas de assistência à condução (ADAS) de série, incluindo um conjunto alargado de funcionalidades que excedem os mínimos obrigatórios impostos pela União Europeia. A versão base integra, entre outros elementos, alarme, climatização avançada, assistente de voz e um pacote completo de ajudas à condução, enquanto a versão superior, por um acréscimo de 2.000€ sobre o preço de entrada de 28.240€, acrescenta volante em pele com regulações elétricas, visão panorâmica de 360 graus e outros detalhes de conforto e tecnologia.

Já o S700 posiciona-se no segmento C como um SUV familiar e versátil, disponível com três motorizações: gasolina, híbrida e híbrida plug-in. A motorização híbrida permite, segundo a Ebro, uma redução de cerca de 30 g nas emissões de CO2 face ao motor exclusivamente a gasolina e uma diminuição de 1,3 l no consumo combinado, elevando a autonomia até cerca de 900 km. A versão PHEV, por seu lado, é apresentada como referência em autonomia dentro da gama, com capacidade combinada anunciada de aproximadamente 1.200 km. Em termos de preços, o S700 a gasolina parte de 33.740€, enquanto as versões híbrida e PHEV começam em 38.240 e 42.240€, respetivamente, mantendo o diferencial de 2.000€ entre os níveis de equipamento.

Por sua vez, o S800 surge como um SUV de sete lugares vocacionado para famílias, disponível com motor a gasolina e versão PHEV com potência combinada de 279 cv. A gama associa-se a um nível de equipamento elevado, com preços para o PHEV a partir de 42.240€, mantendo a mesma lógica de escalonamento de 2.000€ entre versões. Tal como nos restantes modelos eletrificados da marca, as versões plug-in do S700, S800 e S900 integram uma aplicação de controlo remoto que permite múltiplas funções de conectividade e gestão do veículo.

Resta falar do topo de gama, o S900, um SUV de sete lugares com tração integral, apresentado como proposta de experiência premium. O modelo disponibiliza uma potência combinada anunciada de 428 cv, uma autonomia elétrica de cerca de 140 km e uma autonomia total híbrida combinada de cerca de 1.050 km. No interior, o S900 oferece um ambiente de duas tonalidades em couro, ar condicionado trizona e ecrãs centrais de 15 ou 16 polegadas, à semelhança do S800, complementados por um leque de seis modos de condução, encostos de cabeça com sistema de som integrado e um total de 26 sistemas de segurança ativa, dois acima do restante da gama.

A Ebro sublinha que todos os modelos incluem sete anos de garantia total de fábrica e oito anos para as baterias, alinhando-se com a prática de vários concorrentes no segmento eletrificado. Mário Pinho, Head of Service, Homologations and Logistics da Ebro, descreveu a arquitetura híbrida da marca como distinta da maior parte das soluções HEV e PHEV em circulação, invertendo a lógica habitual de motores de combustão muito potentes acoplados a motores elétricos complementares. No caso da Ebro, os motores de combustão são dimensionados para a potência necessária, enquanto os motores elétricos têm potência mais elevada, privilegiando um funcionamento predominantemente elétrico apoiado pelo motor térmico.

A caixa de velocidades integra dois motores elétricos: um dedicado à fase inicial de arranque e outro encarregue da segunda fase de aceleração, passando depois para uma ligação direta do motor de combustão às rodas em velocidades de autoestrada. Esta configuração, referiu, permite um funcionamento suave, com elevada força disponível e um uso residual da gasolina em cenários urbanos ou de utilização diária, ao ponto de o responsável admitir que, no caso de alguns utilizadores, seja possível circular durante longos períodos quase exclusivamente em modo elétrico. Nos híbridos, o motor a gasolina alimenta as baterias, enquanto nos PHEV a recuperação de energia se faz também através do carregamento externo e da travagem regenerativa.

Em matéria de assistência à condução, a gama ultrapassa as cerca de nove ou dez funcionalidades ADAS obrigatórias no espaço europeu, oferecendo de série 24 sistemas nas versões base e 26 no S900. Entre as tecnologias referidas contam-se múltiplos avisos de ângulo morto, sistemas de alerta de saída de faixa, travagem autónoma de emergência e outras ajudas à condução, pensadas para facilitar o uso quotidiano e aumentar a segurança. No campo da conectividade a bordo, os sistemas de infoentretenimento recorrem a processadores Snapdragon de última geração, que, segundo a marca, asseguram tempos de resposta em milissegundos e uma perceção de toque imediata.

Outra das áreas destacadas foi a do carregamento, onde os PHEV da Ebro oferecem soluções pouco comuns no segmento. Para além do carregamento em corrente alternada a 16 A em casa ou via wallbox, os modelos plug-in estão preparados para carregamento rápido em corrente contínua, com potência até 40kW, algo que não é habitual em modelos PHEV. A marca integra ainda um sistema de carregamento inverso (V2L), que permite retirar energia da viatura através de um adaptador na tomada de carregamento, fornecendo 220 V com potência até 3,3kW nos S700 e S800 e 6,6kW no S900, capacidade suficiente, exemplificou Mário Pinho, para alimentar equipamentos como cafeteiras, frigoríficos ou uma caravana durante um fim de semana.

Ficámos também a saber que o primeiro modelo 100% elétrico a chegar a Portugal será um SUV do segmento B, com cerca de 4,2 metros de comprimento, previsto para o final deste ano ou início de 2027, afastando a hipótese de uma pickup numa primeira fase. Questionado sobre a natureza da marca – se espanhola com tecnologia chinesa – Rafael reforçou que a Ebro é uma marca espanhola, cotada em Espanha, com acionistas maioritariamente espanhóis e sede em Barcelona, embora assente num acordo tecnológico com a Chery que permite industrializar a gama numa fábrica adquirida à Nissan.

Outro ponto abordado foi a adequação da tecnologia chinesa aos padrões europeus, em particular no que respeita a chassis, suspensão e direção. A Ebro admitiu que a tecnologia de base – nomeadamente baterias e sistemas BMS, providenciados por empresas como CATL e Gotion em cooperação com a Chery – é desenvolvida na China, mas destacou que o desenvolvimento e a afinação para o mercado europeu envolvem equipas de engenharia local e processos de validação próprios na Europa.

Hugo Faria
Hugo Faria
Licenciado em Informática de Gestão e com Mestrado em Sistemas de Informação de Gestão na Coimbra Business School, fui um dos que contribuiu, do ponto de vista tecnológico, para o nascimento do Echo Boomer. Tenho uma paixão que se divide pela tecnologia, pela música e pelos automóveis, tópicos esses que são explorados por mim em cada artigo que escrevo e publico por aqui.
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