A escassez de memória, inflação e menor fidelidade dos consumidores colocam fabricantes em alerta, mas Apple e Google surgem como exceções.
As previsões para o mercado de smartphones em 2026 continuam a agravar‑se. De acordo com um novo estudo do Morgan Stanley, a combinação entre a crise económica global e a crescente dificuldade em obter módulos de RAM (que estão cada vez mais caros e escassos), poderá provocar uma retração significativa nas remessas de dispositivos ao longo dos próximos dois anos.
A consultora estima uma queda anual de cerca de 15% nas vendas de smartphones Android até ao final de 2026, um contraste marcante face ao universo Apple, onde a previsão aponta para uma descida muito mais moderada, na ordem dos 2%. Esta discrepância deverá traduzir‑se numa expansão da quota de mercado da Apple, impulsionada por novas funcionalidades avançadas e pela perceção de maior qualidade dos seus dispositivos. O relatório destaca ainda um dado revelador relacionado com a taxa de retenção do iPhone, já que os utilizadores que trocam o seu aparelho por outro da mesma marca deverá atingir o nível mais elevado dos últimos cinco anos. A fidelidade à Apple permanece, assim, um dos pilares da sua força comercial.
No lado do ambiente Android, o cenário é bem diferente. A inflação nos custos de memória deverá encarecer os dispositivos, reduzindo a procura e dificultando a capacidade das marcas de manterem os seus utilizadores. A falta de fidelização torna o impacto ainda mais severo, já que muitos consumidores tendem a alternar entre marcas consoante o preço. No que diz respeito à conquista de novos clientes vindos de outras plataformas, o estudo aponta dois vencedores, a Apple, com um crescimento estimado de 30%, e a Google, com um aumento de 18%, impulsionado pela linha Google Pixel, que tem ganho visibilidade e reconhecimento.
O panorama geral não é, assim, animador para a maioria dos fabricantes de smartphones, com exceção da Apple e da Google. Como temos assistido, 2026 promete ser um ano particularmente difícil, marcado por custos elevados, margens reduzidas e um mercado cada vez mais competitivo. Resta agora acompanhar os próximos meses para perceber se estas previsões se confirmam ou se o sector vai conseguir encontrar formas de contrariar a tendência.
