Sucessivas tempestades fizeram recuar a costa até 20 metros, destruindo dunas, acessos e estruturas. APA prevê 27 milhões em obras de emergência.
Portugal está a perder território ao longo da sua faixa costeira, com vários troços do litoral continental a recuar de forma acelerada neste inverno, diz o Expresso (acesso pago) na sua edição impressa desta semana. As sucessivas tempestades dos últimos meses provocaram recuos da linha de costa que chegaram aos 20 metros em vários locais, com particular gravidade na praia de São Pedro de Maceda, no concelho de Ovar. As ondas fortes e a agitação marítima contínua destruíram dunas, instabilizaram arribas, danificaram acessos e estruturas de proteção e deixaram diversas praias praticamente sem areia.
De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entre 1958 e 2021 Portugal perdeu 13,5 km² de território costeiro, valor a que se somam mais 0,3 km² até 2025. No total, trata‑se de uma área equivalente à soma de 1380 campos de futebol “comida” pelo mar ao longo de 66 anos. Ainda não existem contas atualizadas para 2026, mas o relatório apresentado esta semana pela APA descreve um verdadeiro “comboio de tempestades” neste inverno, com ondas que atingiram 15 metros e mais de 20 dias seguidos de forte agitação marítima. Este conjunto de episódios extremos provocou danos em pelo menos 147 locais ao longo do litoral português.
Para responder às 86 situações consideradas mais urgentes, estão previstas obras de emergência no valor de 27 milhões de euros até ao final de 2026, dos quais 15 milhões até maio. As intervenções incluem reparação de estruturas de proteção, reposição de areia e limpeza de praias, reconstrução de acessos e estabilização de arribas. Paralelamente, estão programados 147 milhões de euros para ações no litoral a curto e médio prazo até 2027, algumas já em execução ou prestes a arrancar.
A prioridade, sublinha o presidente da APA, José Pimenta Machado, é “intervir imediatamente onde há perigo direto para populações, infraestruturas ou arribas instáveis”. Entre os casos mais críticos, destaca acessos e muros colapsados em zonas como Moledo (Caminha, no Norte) ou Maceda, em Ovar, que exigem intervenção rápida. O princípio é “responder ao imediato e preparar o longo prazo”. Pimenta Machado insiste que a melhor defesa das praias “é colocar areia”, lembrando que as chamadas obras “duras”, como esporões, têm limites na capacidade de travar a erosão.
O litoral centro surge como a zona mais afetada. Os concelhos de Ovar, Ílhavo, Figueira da Foz e Leiria concentram uma parte importante dos impactos, segundo o relatório Síntese das ocorrências no litoral e medidas imediatas de minimização do risco, elaborado com base na monitorização do programa COSMO, coordenado pela APA. Praticamente todas as praias do continente perderam sedimentos, sendo os efeitos mais graves registados em litorais baixos e arenosos já vulneráveis, com destaque para a faixa costeira de Maceda, Furadouro e Cortegaça, em Ovar.
