God of War Sons of Sparta Review: Filhos do Aborrecimento

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Kratos está de regresso em God of War Sons of Sparta, desta vez numa viagem até ao passado, num spin-off que transporta a série para o mundo dos metroidvania com resultados nem sempre positivos.

Enquanto muitos se questionam sobre o futuro de Kratos e da série God of War, a Santa Monica Studios decidiu responder com uma nova pergunta: e se viajássemos antes até ao passado? Em God of War:Sons of Sparta, o primeiro verdadeiro spin-off da série (desconsiderando as prequelas com registo semelhante à trilogia original), reencontramos Kratos e Deimos, anos antes de Ares manipular o semi-deus a ser o seu carrasco, numa era ainda envolta em ingenuidade e crenças que viriam a ser corrompidas. Em Esparta, Kratos ainda empunhe a sua lança e escudo em vez das suas Blades of Chaos, destinadas a ficarem cravadas nos seus punhos, numa aventura que procura contextualizar as origens daquele que viria a ser o destruidor da Grécia, agora a cargo da Mega Cat Studios, e numa estreia no género metroidvania.

Reencontrar Kratos antes da sua viagem até à mitologia nórdica, até antes do seu encontro com Ares, é refrescante. God of War Sons of Sparta funciona como um longo flashback, onde Kratos conta as suas aventuras de infância a Calliope, a sua filha, num ambiente propositadamente mais familiar que procura retrabalhar o herói de God of War como uma personagem mais humana e próxima ao seu retrato em God of War: Ragnarök. A própria interpretação de TC Carson demonstra essa vontade em criar uma maior uniformidade entre as várias fases da vida de Kratos. A história é competente, Kratos e Deimos carregam o fardo emocional aos seus ombros, mas a Mega Cat Studios parece ter ficado demasiado embevecida pelas suas cinemáticas, ao ponto de ter sufocado a ação em prol da narrativa. As paragens constantes, os diálogos de circunstância, a impossibilidade em avançara história tornaram a aventura progressivamente mais cansativa e menos apelativa, ao ponto de se tornar ruido.

A falta de equilíbrio está também presente na visão da Mega Cat Studios e na sua abordagem ao género metroidvania, com zonas desinteressantes, cheias de barreiras de progresso, que pouco recompensam os jogadores pela sua curiosidade. As salas e corredores são extensos e vazios, os puzzles nunca se tornam memoráveis – reduzidos quase sempre a atirar uma das habilidades contra um mecanismo para ativar portas ou plataformas – e existe uma falta de incentivo à exploração que condiciona a campanha de God of War Sons of Sparta. A campanha move-se a um ritmo demasiado lento, onde habilidades e ataques especiais são desbloqueados esporadicamente, sem sentirmos um claro crescimento no arsenal de Kratos até ser tarde demais. O modelo metroidvania é perfeito para God of War, mas este primeiro passo está longe de ser um sucesso. Há aqui potencial, mas a Mega Cat Studios, se tiver uma segunda oportunidade, tem muito para aprender com o género e a série que se propôs a adaptar.

Cópia para análise cedida pela PlayStation Portugal.

João Canelo
João Canelo
Crítico de videojogos, Guionista, Professor e o responsável pelo melhor mortal nas aulas de Educação Física em 2002. Um aficionado por jogos peculiares.
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