O Polestar 2 é o carro ideal para quem procura o equilíbrio entre o premium, o conforto familiar e a performance bruta.
A Polestar não é apenas “mais uma” marca de elétricos, e isso fica bastante evidente com todos os lançamentos que a marca tem feito e que não deixam ninguém indiferente. Como bem sabemos, a fabricante nasceu a partir da base da performance e do design, emancipando-se assim da Volvo para iniciar um caminho onde a sustentabilidade e a estética premium andam de mãos dadas.
O compromisso é sério: através do projeto Polestar 0, a empresa pretende criar o primeiro automóvel totalmente neutro em termos climáticos até 2030, eliminando emissões em toda a cadeia de abastecimento sem recorrer a esquemas de compensação.
É com este ADN de transparência e minimalismo escandinavo que o Polestar 2 se apresenta, agora renovado para continuar a bater o pé à concorrência. Desta vez, a Polestar deu-me a oportunidade de testar um Polestar 2 Long Range Dual Motor com Performance Pack (82kWh/350kW), num elétrico que se revela uma aposta mais que acertada.
Quando olhamos para o Polestar 2, a herança é inegável: o design traz-nos imediatamente à memória as linhas características que vimos durante anos na Volvo, o que não é de estranhar, sendo a Polestar uma marca do gigante grupo Geely. No entanto, verifica-se que existe uma identidade própria deste Polestar 2, transmitindo a sensação de estarmos perante um “automóvel a sério”, com linhas que oscilam entre o polido simplista e o premium, sem precisar de artifícios desnecessários para se destacar.
Tratando-se desta versão Performance, há detalhes que “gritam” exclusividade. Saltam logo à vista as pinças de travão Brembo com o icónico acabamento em Swedish Gold, que contrastam na perfeição com as imponentes jantes de 20 polegadas Performance. A assinatura luminosa é outro ponto alto: os faróis dianteiros Pixel LED (que fazem parte do Pack Pilot) não só iluminam o caminho com uma precisão cirúrgica, como criam uma coreografia visual de boas-vindas que nos deixa sempre com um sorriso. Já na traseira deste Polestar 2, a barra de LED que percorre quase toda a largura do carro cria uma assinatura luminosa distinta de tudo o que existe no mercado e que depressa nos remete para um Polestar.
Entrar no Polestar 2 é como mergulhar no minimalismo sueco, ou seja, encontrar o máximo número de funcionalidades da forma menos ruidosa possível, tanto para o design como para a condução. Nesta unidade, o requinte é elevado pela Pele Bridge of Weir em tom Charcoal, acompanhada pela decoração em madeira Light Ash. O toque de rebeldia do Pack Performance volta a aparecer nos cintos em Swedish Gold, um detalhe que adorei completamente mal entrei dentro do carro.
O cockpit é dominado por dois ecrãs ergonómicos o suficiente de forma a evitar distrações durante a condução: o do condutor (LCD de 12,3″) e o central (11,2″). Aliás, nota-se o cuidado extremo que a Polestar teve com a segurança ao manter “poucos mas bons” botões físicos, facilmente acessíveis durante a condução. No volante, controlamos o painel de bordo e o cruise control; na consola central, temos o volume, o play/pause e os desembaciadores. Até o seletor de mudanças tem um design funcional e oco, onde o logótipo da Polestar se reflete.
Este modelo também dispõe de um enorme teto panorâmico com um pormenor bastante engraçado: ao observar o carro de cima, vemos um símbolo da Polestar iluminado ser projetado no teto. Este, juntando também ao cuidado dado nos acabamentos das portas e tablier, é mais uma prova que este Polestar 2 pode bem ser enquadrado no estatuto de um automóvel premium.
Destaco ainda o sistema de som Bower & Wilkins for Polestar, com oito colunas estrategicamente colocadas que oferecem uma envolvência sonora de outro campeonato. O sistema multimedia é Google built-in, o que significa que temos o Google Maps e a Play Store nativos. Através desta mesma Play Store, é também possível instalar o Waze, o Chrome ou até o Prime Video da Amazon para ver uns episódios de umas séries enquanto carregamos a bateria. O único “senão”? A obrigatoriedade de ligar o iPhone por cabo USB-C para usar o Apple CarPlay, ou um dispositivo Android por cabo USB-C para usar o Android Auto, algo que parece anacrónico num carro que até tem Wi-Fi integrado.
Na estrada, depressa cheguei à conclusão que o Polestar 2 é uma espécie de camaleão, oferecendo um misto de robustez e conforto que o torna versátil tanto para o “pára-arranca” urbano, como para devorar quilómetros em autoestrada. Qualquer que seja o piso onde estejamos a circular, a experiência é notável, filtrando bem as irregularidades sem nunca perder a agilidade.
Quando apertamos com ele, os dois motores elétricos acordam os 476cv (350kW) de potência. A resposta é imediata, o que transforma qualquer ultrapassagem numa manobra trivial. Independentemente do tipo de percurso escolhido, o carro transmitiu-me sempre uma sensação clara de segurança, apresentando sempre uma dinâmica que dá garantias de que o carro está “colado” ao chão, mesmo em estradas mais sinuosas.
Com 350 kW de potência, não esperava milagres nos consumos, mas o Polestar 2 até surpreendeu. Num percurso misto de 562 km, obtive uma média de 22,1 kWh/100 km, o que não é nada mau para um “animal” com tração integral às quatro rodas. A bateria de 82 kWh (cell-to-pack de 27 células) prometia cerca de 568 km de autonomia WLTP, já o meu ensaio real conseguiu rondar os 500 km, o que retira de certa maneira qualquer “ansiedade de autonomia” para trajetos mais longos.
No que toca a “atestar”, em Carregamento Rápido (DC) consegui levar este Polestar 2 dos 50% aos 90% em cerca de 37 minutos a uma potência de 120KW (suporta até 205 kW). Já em box Doméstica (AC) a 16A (3,45 kW), uma carga dos 11% aos 100% demorou cerca de 21 horas.
O Polestar 2 é o carro ideal para quem procura o equilíbrio entre o premium, o conforto familiar e a performance bruta. Já o sistema multimédia incorporado é uma excelente aposta, pois conseguiu entregar um misto de simplicidade, trabalhada claramente pela marca, e assente na robusta plataforma Google, já presente em diversas marcas automóveis. Por último, a App Polestar, que permite climatizar o carro, trancar portas à distância ou, até, configurar uma chave digital, funciona na perfeição, permitindo esquecer até que o Polestar 2 tem uma chave física.
Para terminar, destaco pela positiva a performance e agilidade de alto nível – com autonomia real muito próxima da anunciada -, bem como o interior minimalista, muito bem construído.
Quanto ao menos bom, tenho de referir o caso do Android Auto e Apple CarPlay disponível apenas por cabo USB-C. Também o túnel central volumoso pode comprometer o conforto do terceiro passageiro atrás.
O Polestar 2 está disponível a partir dos cerca de 52.600€ (IVA incluído), sendo que a unidade ensaiada, carregada de extras e com o Performance Pack, fixa-se nos cerca de 73.000€. É um valor acima da média para um familiar, mas totalmente ajustado se considerarmos o nível de conforto, tecnologia e os quase 500cv que temos debaixo do pé direito.
