Antiga Companhia Aurifícia dá lugar a empreendimento misto com habitação, comércio e escritórios.
Um dos mais valiosos exemplares da arquitetura industrial da cidade do Porto está prestes a ganhar uma nova vocação. A antiga Companhia Aurifícia, fundada na década de 1860 e pioneira na ourivesaria, será convertida num vasto empreendimento imobiliário que combina habitação, escritórios e comércio. O projeto representa um investimento global de 85 milhões de euros.
O plano de intervenção abrange um quarteirão com 1,6 hectares e prevê uma área total de construção superior a 24.000 m2. A traça original será respeitada, uma vez que quatro dos edifícios existentes – classificados como Conjunto de Interesse Público desde 2012 – serão integralmente reabilitados. A estes somar-se-ão dois novos blocos habitacionais, totalizando 122 fogos que variam entre estúdios nos edifícios recuperados e tipologias T2 a T4 nas novas construções.
A responsabilidade pelo desenho arquitetónico foi entregue ao atelier portuense Ventura + Partners. A estratégia passou por adequar as novas funcionalidades às características singulares do edificado, tirando partido das grandes naves industriais para instalar zonas de comércio e escritórios, bem como algumas frações habitacionais. O edifício principal, considerado a joia da coroa do complexo, acolherá um restaurante de grandes dimensões com cerca de 2.000 m2.
O projeto realça a intenção de preservar a “alma” do lugar, mantendo elementos históricos como os antigos carris, pavimentos originais e a vegetação existente. Um dos desafios particulares da obra prende-se com o subsolo: uma das parcelas onde nascerão os novos edifícios é atravessada pelo histórico Manancial de Paranhos, uma estrutura hidráulica subterrânea do século XVI que transportava água para a cidade.
Para além da vertente imobiliária, o projeto terá um impacto direto na mobilidade local através da criação de uma nova via pedonal e ciclável. Este novo eixo permitirá ligar a Rua dos Bragas à Rua de Álvares Cabral, devolvendo o interior do quarteirão ao usufruto público. O empreendimento contará ainda com 252 lugares de estacionamento privativo em cave.
Estima-se que o novo projeto, promovido pelo FVC Group, esteja concluído em três anos, ou seja, até ao final de 2029.
