Entre ecos de Can e Television, os Modern Nature trazem a “telepatia” do novo disco à Casa Capitão e ao M.Ou.Co.
Deixaram de ser apenas um conceito de geometria variável para se assumirem, finalmente, como uma banda de corpo inteiro. É com esta nova certeza – e o álbum The Heat Warps na bagagem – que os Modern Nature se preparam para pisar os palcos portugueses pela primeira vez, com concertos marcados para 16 de abril em Lisboa (Casa Capitão) e no dia seguinte no Porto (M.Ou.Co).
A visita acontece numa altura em que o grupo britânico liderado por Jack Cooper parece ter encontrado o seu verdadeiro norte. Se antes o projeto vivia de uma experimentação fluida e quase abstrata, a estrada encarregou-se de mudar o rumo das coisas. Foi durante a digressão de 2023 que Cooper sentiu a música pedir outra estrutura: os temas exigiam grooves mais vincados e uma direção que a antiga formação, demasiado aberta, não conseguia dar.
A resposta a essa necessidade de ordem surge agora em The Heat Warps, o disco que serve de cartão de visita para estas datas nacionais. O álbum reflete a consolidação do núcleo duro da banda – Cooper, Jim Wallis e Jeff Tobias – e, sobretudo, a entrada determinante da guitarrista Tara Cunningham. A adição transformou a dinâmica do som, trocando as órbitas dispersas de vários músicos por um diálogo tenso e musculado entre duas guitarras.
O resultado é um registo gravado com a urgência de quem toca na mesma sala, captando a fricção e a “telepatia” que só uma banda coesa consegue gerar. Há ecos de Can e Television, mas também uma reflexão muito própria sobre o caos moderno, a crise ambiental e a responsabilidade coletiva. Contudo, longe de cair no fatalismo, os Modern Nature propõem um “niilismo romântico”, procurando beleza e clareza no meio do barulho do mundo.
Quanto aos bilhetes, já estão à venda nos locais habituais.
Foto: Michael Stasiak
