Este Philips Evnia 32M2N8900 brilha no escuro, mas os mais entusiastas podem dizer que “sofre de dia”. Ainda assim, com 4K, 240Hz e cores incríveis, será perfeito para muita gente.
Antes de mais, um pouco de contexto. Quando o Echo Boomer foi criado, em 2017, a minha ferramenta de trabalho era um portátil da Lenovo, com uma bateria francamente má e que me obrigava, basicamente, a ter o portátil sempre ligado à corrente. E quando surgiu a oportunidade de ter um iMac – curiosamente um modelo também de 2017 – não pensei duas vezes, até porque o preço era imbatível para a altura e perceberia, finalmente, se me iria adaptar ao sistema operativo da Apple.
A adaptação foi facílima, tanto que nunca mais voltei ao Windows. Mas o iMac, que é basicamente um computador all in one, sofreu com o efeito de ghosting no ecrã. Para quem não sabe, trata-se de um “fenómeno” visual que ocorre em ecrãs, quando a imagem anterior deixa um rasto fantasma ao mover-se rapidamente. Este efeito surge devido à lentidão na mudança de cor dos pixels, tornando visíveis borrões ou duplicações temporárias, especialmente em jogos ou vídeos de alta velocidade. É mais frequente em ecrãs LCD, mas pode ser minimizado com tecnologias que aceleram a resposta dos pixels.
Como a minha experiência de utilização se degradou bastante, fui obrigado a duas coisas: arranjar um novo computador… e um novo monitor. Rapidamente concluí que voltar a um portátil não seria solução, mas que algo interessante seria apostar num Mac Mini – o que tenho hoje é o modelo mais atual -, pois percebi que, dado os temas aos quais dedico atenção aqui no site, este transportável computador permitiria-me trabalhar em qualquer lugar, desde que o pudesse ligar a um qualquer monitor ou Smart TV à minha disposição.
Mas em casa, na minha secretária, precisava de um monitor. Comecei por ter um AOC U28P2A, depois passei para um da INNOCN. Cada um tinha os seus problemas, mas safavam o meu dia-a-dia. Porém, senti necessidade de elevar o nível, e foi precisamente isso que aconteceu com o Philips Evnia 32M2N8900.

Quando me convidaram a experimentar um monitor da Philips, tinha alguns requisitos: preferencialmente elevar a qualidade de imagem face aos anteriores, manter – ou aumentar – o tamanho do ecrã, ecrã OLED e, muito importante, tecnologia antirreflexo – já explico. Foi assim que percebi que, mesmo para o meu caso, que não sou, de todo, um gamer, a solução surgia na linha de monitores gaming da Philips, a Evnia, com o 32M2N8900, e não na gama de produtividade, como originalmente pensei.
Mas logo por aqui, percebe-se que, mesmo quem não é gamer, irá usufruir de todas as mais-valias da gama Evnia face aos monitores de gamas de produtividade. Ou seja, são ótimos para trabalhar.
Uma das mais-valias é a sua camada antirreflexo. Se, como eu, têm o escritório improvisado na sala de estar, é um requisito fundamental num monitor. Durante muito tempo, tive de trabalhar na sala enquanto os estores estavam todos para baixo, impedindo-me de usufruir das vistas para o campo. Atualmente, posso ter toda a luminosidade a entrar que não me causa qualquer dificuldade no meu trabalho diário, ou mesmo quando estou a ver vídeos ou a jogar. Para mim, é um game changer.
A experiência com o Philips Evnia 32M2N8900 começa muito antes de ligarmos o ecrã, mais precisamente no momento em que nos deparamos com a embalagem, que foge ao padrão convencional ao apresentar-se num cartão violeta de abertura lateral, facilitando imenso o acesso ao equipamento sem termos de o virar de pernas para o ar. Ao pegar na caixa, percebe-se a substância do produto, com um peso bruto total de 13,67 kg, mas, ao desembalar as peças individualmente, nota-se que o ecrã isolado pesa 8,18 kg, subindo para os 9,65 kg quando acoplado ao suporte.
Dentro da caixa, a Philips não poupou nos acessórios, fornecendo um conjunto completo de cabos que inclui HDMI, DisplayPort, USB-A para USB-B e USB-C, garantindo que o utilizador tem tudo o que precisa para arrancar. E, felizmente, montagem do suporte é um processo simples e sem ferramentas.
Mas é ao olhar para o Philips Evnia 32M2N8900 que percebemos que não é um monitor qualquer. A Philips apostou num acabamento em branco e prateado – em detrimento de um padrão mais gaming -, com um suporte que utiliza materiais reciclados com um efeito salpicado, conferindo-lhe um ar moderno e sofisticado que não destoaria num escritório de arquitetura ou num estúdio de design. Já as molduras finas e simétricas remetem para a elegância de equipamentos de uma conhecida marca cujo logo é uma maçã com uma dentada.
No entanto, notei que, apesar do seu suporte metálico pesado em forma de V – e que ocupa bastante espaço -, a estabilidade pode deixar um pouco a desejar. Basta abanarem a mesa/secretária onde o monitor está exposto – seja qual for o motivo – que o “braço” do monitor permite alguma oscilação. Também talvez devido às 32″ de tamanho, que, confesso, não me fizeram qualquer impressão. Tendo passado de um de 27″ para este de 32″, os meus olhos ficaram algo admirados com a diferença de tamanho, mas rapidamente se habituaram e, hoje em dia, considero o tamanho perfeito – para quem gosta de ter duas janelas abertas lado a lado então, é perfeito.
No que toca à funcionalidade diária, o Evnia 32M2N8900 posiciona-se como um excelente híbrido para trabalho e lazer. A inclusão de um switch KVM – permite controlar dois computadores diferentes com apenas um teclado, um rato e um monitor – e de uma porta USB-C com capacidade de fornecimento de energia (Power Delivery de 90W) é uma mais-valia fantástica, pois permite ligar e carregar um portátil de trabalho com um único cabo e alternar periféricos entre o PC de jogos e o computador profissional. Tem, ainda, duas entradas HDMI 2.1, uma entrada DisplayPort 1.4, duas portas USB-A, a já mencionada entrada para USB-C e, por fim, a sempre bem-vinda entrada auxiliar 3.5mm para auriculares com fios.
Por outro lado, a navegação nos menus deixa a desejar. O Evnia 32M2N8900 é daqueles monitores que usa um botão joystick na traseira, o que, honestamente, não é lá muito intuitivo (e sim, mexer neste botão reforça a falta de estabilidade do braço do monitor que mencionei anteriormente), até porque obriga a algum contorcionismo do pulso para o alcançar. Após alguns minutos acaba-se por perceber como funciona, mas mesmo eu, que tenho este monitor há meses, ainda hoje me engano quando quero aceder a alguma função, tendo vários cliques acidentais. E por falar em menus, apesar da interface também não ser a mais interessante, é a partir do OSD (On-Screen Display) que têm as várias opções disponíveis, como Smartimage (onde definem o tipo de perfil de imagem a utilizar), o Modo Jogo, o tipo de entrada, as definições áudio, opções de sistema e, ainda, a opção configurar. Lá está, conseguem sempre fazer o pretendido, mas seria bem mais fácil se a marca apostasse em menus mais intuitivos (e já agora com um comando à parte, porque não?).
Uma das opções dos menus está relacionada com o Ambliglow, que marca aqui presença com uma matriz de LEDs na traseira que projeta luz na parede, expandindo visualmente o conteúdo do ecrã. Confesso que não sou grande utilizador deste sistema dado que uso o monitor principalmente para trabalhar, mas, do que experimentei, funciona bem, ainda que algumas transições de cor possam, por vezes, ter algum atraso.
Quanto ao sistema de som integrado do Evnia 32M2N8900, é composto por duas colunas de 5W e serve apenas para o básico, faltando-lhe a profundidade necessária – nada que um bom par de colunas não resolva – para acompanhar a qualidade visual da imagem. Mas nada que me choque, sinceramente.
Porém, o verdadeiro coração do Evnia 32M2N8900 é, sem dúvida, o seu painel QD-OLED (Quantum Dot OLED) de 32 polegadas com resolução 4K, que é incrível. Aliás, a primeira coisa que salta à vista é a ausência total de luz onde ela não deve estar. E é aí que se percebe que não se está a lidar com um ecrã LED ou IPS normal, uma vez que o preto neste monitor é, literalmente, o ecrã desligado naquele pixel específico.
Ora, isto cria uma profundidade na imagem que é difícil de explicar para quem nunca usou um OLED, mas, basicamente, a sensação é de um contraste infinito. Ou quase.
É importante salientar que o painel usa tecnologia QD-OLED, e isso nota-se na forma como trata as cores. Ao contrário de outros OLEDs que por vezes perdem saturação quando a imagem fica muito brilhante, aqui as cores mantêm uma vivacidade impressionante, profundas e vibrantes como não se vê todos os dias. Os vermelhos e os verdes, por exemplo, são quase agressivos de tão puros que são.
Um receio comum com esta tecnologia costumava ser a leitura de texto, mas a Philips resolveu isso muito bem neste modelo. Podem perfeitamente passar o dia a escrever documentos ou a ler sites – tal como eu faço – que as letras aparecem nítidas e limpas, muito semelhantes ao que teriam num ecrã LCD de alta qualidade. O revestimento do ecrã também ajuda muito aqui. Só vos aconselho é, de noite, ativarem o Modo de LowBlue. Os vossos olhos agradecem.
Este monitor suporta 240Hz, mas, no meu caso, com o meu Mac Mini e recorrendo a um cabo USB-C, consigo uma taxa de atualização de 165Hz. Se preciso de mais? Nem por isso, e provavelmente nem iria sentir assim tanta diferença.
Ah, lembram-se quando falei na camada antirreflexo anteriormente? Na verdade, e se “forçar” a vista a focar-me em certos pontos, eu, no meu caso, consigo ver a minha janela através do ecrã, bem como as árvores. Há quem diga que o calcanhar de Aquiles deste monitor é precisamente a forma como se comporta durante o dia – e que efetivamente brilha mais durante a noite – mas, no meu caso, e tendo em conta as minhas experiências anteriores, não acho nada problemático.
Uma última nota para um dos aspetos mais intrusivos do software do Evnia 32M2N8900: o Pixel Refresh. Para prevenir o burn-in e prolongar a vida útil do ecrã, o sistema sugere uma limpeza de píxeis de vez em quando – ainda não consegui perceber bem quando é que este aviso é apresentado, pois parece-me ser algo aleatório. O problema, porém, reside na forma como é apresentado, através de um pop-up que interrompe o que estamos a fazer. E isto pode ser particularmente chato caso esteja numa reunião virtual ou a assistir a algum evento online.
Como puderam perceber, não usei propriamente o Evnia 32M2N8900 para gaming – nem era esse o intuito desta review, mas sim entender como é que um monitor orientado para jogadores podia funcionar em contexto de trabalho diário. E, mesmo tendo em conta a sua falta de estabilidade e os menus pouco intuitivos, não há mais críticas negativas a apontar.
O melhor de tudo? O preço. Já conseguem encontrar o Philips Evnia 32M2N8900 novo a estrear por pouco mais de 750€ ou, então, versões “recondicionadas” por pouco mais de 710€ e com direito a um desconto extra de 10%, fazendo com que, no final, fique por menos de 640€. Imperdível.

Este produto foi cedido para análise pela Philips
