Chuva, vento, agitação marítima e neve marcam os próximos dias em Portugal continental devido à depressão INGRID.
O agravamento das condições meteorológicas em Portugal continental já se faz sentir esta quarta-feira, 22 de janeiro, na sequência da passagem da depressão INGRID, de acordo com as informações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. A situação meteorológica é marcada por períodos de precipitação por vezes forte, vento intenso, agitação marítima significativa e queda de neve, com impactos previstos em várias regiões do país nos próximos dias.
Ao longo da tarde e do início da noite de hoje, 22 de janeiro, registaram-se episódios de chuva mais intensa, sobretudo no litoral a norte de Sines e em zonas do interior das regiões Centro e Sul. A instabilidade deverá manter-se durante os dias 23 e 24 de janeiro, sexta e sábado, com o vento a intensificar-se, apresentando rajadas fortes no litoral, em especial a sul do Cabo Mondego, e nas terras altas do Centro e Sul.
Na costa ocidental, a agitação marítima continuará a ser um dos principais fatores de risco. Até ao final de sexta-feira, são esperadas ondas com cerca de sete metros, podendo a altura máxima atingir os 12 metros. Para sábado, prevê-se um agravamento da ondulação, com ondas até nove metros e alturas máximas que poderão alcançar os 15 metros.
A queda de neve deverá ocorrer já amanhã nas regiões Norte e Centro, inicialmente acima dos 600 a 800 metros de altitude, podendo descer pontualmente para cotas próximas dos 400 metros ao final da tarde. As previsões apontam para acumulações até cinco centímetros acima dos 600 metros e entre 20 e 30 centímetros acima dos 800 metros, valores que poderão manter-se até à manhã de sábado.
Do ponto de vista hidrológico, a Agência Portuguesa do Ambiente alerta para a possibilidade de variações significativas dos níveis de água em zonas historicamente vulneráveis. Para amanhã, sexta-feira, prevê-se uma subida de caudais em várias bacias hidrográficas, nomeadamente nas dos rios Minho, Lima, Cávado, Mondego, Vouga, Guadiana, no sector sul, e Arade. Na bacia do Vouga, em particular na sub-bacia do Águeda, os caudais poderão manter-se acima dos valores habituais até ao dia 24 de janeiro.
Este quadro meteorológico poderá traduzir-se em diversos impactos, em particular em meio urbano, onde a acumulação de águas pluviais e a ocorrência de galgamentos costeiros aumentam o risco de inundações. A subida dos níveis de água nos rios e ribeiras poderá igualmente dar origem a cheias, enquanto a saturação dos solos cria condições favoráveis à instabilidade de vertentes, com possibilidade de deslizamentos e derrocadas, sobretudo em zonas com menor cobertura vegetal ou com elevado grau de impermeabilização do solo.
As condições adversas poderão ainda afetar a circulação rodoviária, devido à formação de lençóis de água, gelo ou neve, e agravar os riscos na orla costeira, onde a forte agitação marítima representa um perigo acrescido. O vento intenso poderá também provocar o arrastamento de objetos soltos e o desprendimento de estruturas mal fixadas, com potenciais danos materiais e riscos para pessoas e veículos, contribuindo também para o aumento do desconforto térmico.
Perante este cenário, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil reforça a importância da adoção de comportamentos preventivos, sobretudo nas zonas mais expostas a estes fenómenos. As autoridades salientam a necessidade de garantir o escoamento adequado das águas pluviais, assegurar a correta fixação de estruturas móveis e manter especial atenção em zonas arborizadas, ribeirinhas e costeiras. É ainda recomendada cautela acrescida na circulação rodoviária, em particular em vias afetadas por neve ou água acumulada, bem como a limitação de deslocações em áreas mais vulneráveis.
