Apesar dos seus problemas e de apresentar novas mecânicas e sistemas que ficaram por apurar, o regresso da Retro Studios em Metroid Prime 4: Beyond trouxe-nos uma excelente sequela que poderá ser o início de algo maior.
Independentemente da vossa opinião sobre 2025 e o estado atual da indústria dos videojogos, dois milagres aconteceram este ano. Uma estrelinha viajou pelo céu e o impossível tornou-se realidade. Primeiro foi o regresso de Routine, o jogo de terror e sobrevivência da Lunar Software, anunciado em 2012, mas perdido durante mais de uma década entre trailers, problemas de produção e uma luta constante contra as exigências do público. O segundo milagre foi Metroid Prime 4: Beyond, uma impossibilidade dentro de outra impossibilidade, que chegou há semanas ao mercado quando o cancelamento parecia inevitável. O regresso à saga Prime e ao mundo criado pela Retro Studios estava tão distante que os fãs sofreram primeiro com o anúncio, depois com a incerteza da direção do jogo e, por fim, com o lançamento que muitos consideram ter ficado aquém do esperado. Independentemente da vossa opinião, repito, dois milagres aconteceram.
No entanto, é impossível separar os lançamentos destes jogos da cruel expectativa dos fãs, especialmente se a espera apurou, aqueceu e arrefeceu a opinião pública durante 10 ou mais anos. Quando a única prova de existência de um videojogo é um logótipo ou um trailer, a mente viaja, sonha, acredita e inventa. Se a espera for avultada, então a mente aprende a duvidar e a odiar. O lançamento nunca é acompanhado de alegria e alívio plenos, mas de medo e ressentimento. Não quero justificar os problemas de Metroid Prime 4: Beyond apenas como um caso de expectativas injustas e infundadas, não só porque estamos a falar de um jogo que tem problemas que merecem ser criticados, mas também porque se trata de uma das séries mais emblemáticas e acarinhadas pela crítica especializada. Mas é impossível não ponderar sobre os efeitos desta longa espera por algo idealizado e como isso afeta a longevidade de uma experiência que parecia impossível.
Talvez esteja mais confortável no meu canto, a gozar de uma sabedoria que só os cabelos brancos nos ensinam, mas as duas balas passaram ao lado. Se Routine é um dos melhores jogos que joguei em 2025, Metroid Prime 4: Beyond não fica muito atrás. Mesmo com os seus problemas de ritmo, um mapa mal desenhado (mas não tão vazio como a internet diz), backtracking constante e uma clara tentativa de suavizar a experiência Metroid para um público mais vasto, Metroid Prime 4: Beyond acerta onde mais importa: em ser Metroid. Muitos fãs discordam e acreditam que a Retro Studios falhou o alvo hipotético, mas custa-me aceitar esta negatividade desenfreada quando a jogabilidade nunca foi tão completa e acessível, o combate tão desafiante, mas recompensante, a direção de arte e a fidelidade visual tão memoráveis, e a sensação de explorarmos um mundo alienígena tão gratificante. Os problemas não podem ser ignorados, mas é difícil encaixotar este jogo e determinar que é apenas um projeto falhado e o fim da série Prime. Será que estou a ficar mais simpático e permissivo? Ou será que Metroid Prime 4: Beyond é um bom jogo? Podem ouvir mais na minha análise.

Cópia para análise (versão Nintendo Switch 2) cedida pela Nintendo Portugal.
