20 Anos depois, os The Gift na Aula Magna

por Ricardo Noronha

Não gosto do Verão! Não me interpretem mal – gosto do calor, de bom tempo, da praia, das esplanadas e de escutar as conversas alheias. Simplesmente cansa-me o saudosismo que associam a este período, ao término, ao encerrar um capítulo.

E não gosto de baladas melosas por melhor que sejam orquestradas e tocadas e, confesso, não gostava dos The Gift neste registo. Sinto falta do rasgar da voz da Sónia Tavares, dos sintetizadores inebriantes do Nuno Gonçalves, da bateria desenfreada! Sinto falta dos Gift de há 20 anos. De pensar que como era incrível esta banda ser portuguesa, estar na vanguarda e de subir a pulso, enquanto enchia salas de espetáculos por este país.

Nesta última noite, fui convidado para entrar na “sala de estar” deles e ouvir o seu mais recente projeto, Verão, à qual juntaram o pretexto para uma digressão intimista; calma, um pouco dormente. Porém, ao vivo os The Gift energizam-se, sobem de tom, elevam os padrões. Não é à toa que é a banda portuguesa que mais vezes vejo ao vivo, desde concertos no Coliseu de Lisboa, a sessões no Casino do Estoril e de Lisboa, dos festivais à praia de Carcavelos, até no Funchal.

Incensuráveis musicalmente, com arranjos perfeitos e voz afinada de Sónia Tavares, os The Gift mostraram-me de forma doce e melancólica porque continuo a achar que são uma das melhores bandas portuguesas.

Entre o ritmo do coração, a cadência da respiração, um palco simples mas majestoso, e a adaptarem-se cada vez mais aos padrões que grandes bandas nos habituam com as suas projeções, levaram-nos numa viagem de uma hora e 40 minutos por entre uma tarde de final de Verão, nostálgica, em que perdemos a vontade de sair daquele lugar e, lá está, ganhamos uma tristeza em abandonar o momento perfeito.

“Whatever you wanna say, No matter how hard you play, Just say it as you wanna say” ouve-se na letra de “SOL” e entendo perfeitamente este registo da banda. É um álbum sem pressas nem pressões, é a música que lhes faz sentido agora e neste momento.

São os The Gift de quem tem 40 anos, de quem amadureceu e ganhou protagonismo, de quem sabe o seu lugar na história da música portuguesa e, quem sabe, internacional. São os The Gift de quem “Uso e cruzo algum desnorte, provo a sorte, Tento, invento, o amor que é só” deles. Só nosso! É fazê-lo pela música e sentirem-se bem com isso.

“And They stopped at something you will not forget”!

Setlist
Blue
Hammock
Books
Serpentina
Verão
Variações Sobre Verão II
You will be queen
La terraça
Open Window
Meaning of life
Primavera
Fácil de entender
Cabin
Low land
Sol
Vulcão
Love without violins
Impressiveness

Encore
Music
Live to tell (Madonna cover)
Big fish

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