A Waterdrop A1 é um sistema de osmose inversa de bancada que disponibiliza água fria e muito quente de forma quase imediata, sem necessidade de instalação. Melhora claramente o sabor da água, mas ocupa espaço e exige enchimento manual regular.
Quando decidi experimentar a Waterdrop A1 Hot and Cold Water Dispenser, fi-lo mais por curiosidade e necessidade, uma vez que sempre utilizei jarros filtrantes e, apesar de cumprirem minimamente a função, nunca fiquei totalmente convencida de que estavam realmente a melhorar a qualidade da água para além de suavizarem o sabor. A minha água da torneira tem um teor de cloro bastante percetível e, em determinados dias, sobretudo depois de algumas horas sem utilização, o sabor tornava-se ainda mais evidente. Por isso, a ideia de um sistema de osmose inversa de bancada pareceu-me um meio-termo interessante entre algo demasiado básico como os jarros filtrantes e uma instalação fixa sob o lava-loiça.
Ao retirar a máquina da caixa, notei logo que se tratava de um equipamento robusto e relativamente pesado. E não, não é um pequeno eletrodoméstico discreto que se move facilmente de um lado para o outro. Exige um espaço próprio e uma decisão clara de onde vai ficar, o que pode levar à reorganização de alguns objetos na bancada para lhe dar lugar, como no meu caso. As dimensões (aproximadamente 46,5 cm de altura, 19,8 cm de largura e 43,4 cm de profundidade) não são exageradas, mas também não passam despercebidas, sobretudo em cozinhas mais pequenas ou com bancadas que tenham outros eletrodomésticos. Além disso, é necessário ter atenção à altura disponível, uma vez que o depósito traseiro tem de ser removido por cima, o que pode ser problemático se houver armários muito baixos, já que exige ainda algum espaço de manobra.
Mas a instalação da Waterdrop A1 em si foi, honestamente, bastante simples: é só inserir os dois filtros, lavar o depósito, encher com água da torneira e seguir os passos indicados no ecrã para efetuar os ciclos de lavagem inicial. O processo demora algum tempo, não por ser complicado, mas porque a máquina precisa de realizar várias passagens de água para preparar o sistema. E é isto, não tem nada que saber. É efetivamente um sistema plug and play, o que para mim é uma das suas maiores vantagens. Não queria mexer na canalização, nem depender de terceiros para instalar o que quer que fosse, e com a Waterdrop A1 tal não foi necessário.
Confesso que estava ansiosa antes de realmente utilizar a Waterdrop A1. O primeiro copo de água foi uma espécie de teste decisivo, e felizmente posso dizer que fiquei logo aliviada ao notar a diferença no sabor, que foi imediata. A água apresentou-se mais neutra, sem o sabor e cheiro metálico a que estava habituada. Não tinha um sabor “especial”, no sentido de ser mineral ou distinto – simplesmente sabia a água limpa. Ao longo dos dias seguintes, fui comparando com a água diretamente da torneira e a conclusão foi clara: a da Waterdrop parecia mais leve e menos agressiva no paladar.
Outra das funcionalidades que mais me intrigava era a possibilidade de obter água muito quente quase instantaneamente. Testei-a com chá e medi a temperatura com um termómetro de cozinha por curiosidade. Atingiu valores muito próximos da ebulição, o que me surpreendeu. Não é apenas água morna adequada para bebidas solúveis, ou seja, a água é suficientemente quente para acelerar a preparação de alimentos que pedem água a ferver. Ao mesmo tempo, a água fria sai pronta a beber, sem aquele ligeiro arrefecimento insuficiente que por vezes se encontra noutros dispensadores – se bem que durante o processo de arrefecimento, que vai ocorrendo automaticamente ao longo do dia, acaba por fazer um som que pode se tornar um pouco incomodativo.
Relativamente ao painel tátil da Waterdrop A1, é intuitivo e rapidamente dá para interiorizar completamente a lógica de funcionamento. Quando mexemos, podemos perceber que existem várias opções de temperatura e diferentes volumes pré-definidos, o que facilita o enchimento de copos, canecas ou garrafas reutilizáveis. Gosto particularmente do facto de poder escolher quantidades específicas, como por exemplo 150ml, 250ml, 350ml, 500ml e máximo, porque me ajuda a encher rapidamente dois jarros de 2L e 3L rapidamente, ajudando a evitar transbordos. O painel apresenta ainda indicadores relacionados com a qualidade da água e com o estado dos filtros, permitindo acompanhar o funcionamento do sistema de forma clara. A função de bloqueio para crianças é, na minha opinião, indispensável, considerando que a água pode atingir temperaturas elevadas, e ninguém quer arriscar um acidente mais sério com os pequenitos em casa.
Com o passar do tempo, e depois de ultrapassada a fase inicial de entusiasmo, comecei naturalmente a reparar em alguns aspetos menos convenientes da Waterdrop A1. Um deles é a gestão da água residual. Sendo um sistema de osmose inversa, é inevitável que exista uma percentagem de água rejeitada durante o processo de filtração. No caso desta máquina, essa água fica armazenada num compartimento próprio no depósito traseiro, separado da água filtrada.
Na prática, isto significa que, quando esse reservatório atinge o limite, tenho de o esvaziar – a Waterdrop A1 “deixa de funcionar” caso não esvaziem esse reservatório. Não é um procedimento complicado, nem algo que tenha de fazer constantemente, é só daqueles passos chatos. Ainda assim, prefiro encarar esta característica como parte do próprio funcionamento do sistema: a água rejeitada fica claramente isolada e não há qualquer risco de mistura com a água pronta a consumir. Existem soluções no mercado que não fazem esta separação de forma tão evidente, por isso, apesar de ser menos prático, dá-me alguma tranquilidade saber exatamente o que está a acontecer em cada fase da filtração.
O que acaba por se tornar menos prático, no meu caso específico, é a frequência com que preciso de reabastecer o depósito. Em minha casa consome-se bastante água ao longo do dia (tal como referi há pouco, encho facilmente cerca de 5 litros em jarros diariamente) e isso obriga a encher o depósito da máquina pelo menos duas vezes. No início não dei grande importância a esse detalhe, mas com o tempo passei a vê-lo como mais uma pequena tarefa a juntar às restantes rotinas da casa, sendo por isso um aspeto a ter em conta, sobretudo para quem bebe muita água. A meu ver, é uma solução fantástica para pessoas solteiras ou para casais, já para famílias… pode não ser suficiente.
Outro ponto a ter em conta é a manutenção, nomeadamente no que toca aos filtros, que são bastantes caros. De acordo com o site da Waterdrop, o CF Filter (39,99€) tem um tempo de vida útil de 6 meses ou cerca de 1900 litros, enquanto que o RO Filter (79,99€) tem um tempo de vida estimado de 12 meses ou, então, cerca de 4.150 litros. Confesso que tenho uma certa dificuldade em acreditar nestes números, até porque já tenho a Waterdrop A1 há algum tempo e, neste preciso momento, os filtros ainda estão a 90% da sua capacidade. Em todo o caso, é um custo avultado que tem de ser avaliado face à quantidade de água engarrafa que iriam adquirir – pelo menos sempre é menos plástico…
De resto no dia-a-dia, notei que passei a beber mais água. Não por qualquer efeito milagroso, mas porque a conveniência de ter água fria ou quente à distância de um toque facilita bastante este hábito. Ainda assim, tento manter uma visão crítica: beber mais água não se deve exclusivamente à máquina, mas também à minha predisposição para tirar partido dela.
Se fizer a comparação com um jarro filtrante tradicional, a diferença no tipo e na profundidade da filtração é bastante evidente. A osmose inversa trabalha a um nível mais exigente, removendo uma variedade muito mais ampla de substâncias presentes na água, o que se traduz, na prática, numa água mais neutra e depurada. Não se limita apenas a melhorar o sabor ou o odor, mas também a atuar de forma mais abrangente na composição da água.
Ainda assim, este tipo de filtração levanta uma questão que surge frequentemente: a eventual remoção de alguns minerais naturalmente presentes na água. É um tema que gera opiniões diferentes e que depende muito da sensibilidade e das prioridades de cada pessoa. No meu caso, não senti qualquer efeito negativo, nem notei alterações que me causassem preocupação, mas reconheço que é um ponto que merece ser ponderado por quem valoriza a presença desses minerais na água que consome.
Há ainda a questão do consumo energético, sendo que, no meu caso, o impacto foi mínimo. Lá está, é um custo que cada um de vós terá de fazer, juntamente com a aquisição de água engarrafada – ou o equivalente a consumo da água da torneira..-
Como deu para perceber, a minha experiência com a Waterdrop A1 tem sido globalmente satisfatória. A qualidade da água é, sem dúvida, o ponto que mais valorizo, assim como a rapidez com que consigo água fria ou muito quente e a facilidade com que encho jarros ao longo do dia. A instalação simples, sem necessidade de obras ou adaptações na canalização, também foi um fator decisivo e continua a ser uma das características que mais aprecio neste equipamento.
Naturalmente, existem limitações. A Waterdrop A1 ocupa um espaço considerável na bancada, obriga a reabastecimentos frequentes em casas onde se consome muita água e implica manutenção periódica com custos associados aos filtros. Ainda assim, encaro esses aspetos como parte do tipo de sistema que é.
Não a considero um produto milagroso, nem uma solução perfeita para toda a gente. Vejo-a como um equipamento que, no meu contexto específico, trouxe uma melhoria real à forma como consumo água em casa, mesmo exigindo alguma adaptação. Numa cozinha muito pequena ou para alguém que privilegie total autonomia sem intervenções manuais, poderá não ser a opção mais prática. No meu caso, faz sentido neste momento, consciente tanto das vantagens como dos compromissos que envolve.
No fundo, a Waterdrop A1 acabou por mudar a forma como encaro a água no dia a dia. Tornou-a mais presente, mais acessível e até mais valorizada na minha rotina, não por ser um luxo, mas porque passou a ser uma escolha mais consciente e prática dentro da minha rotina. E se a querem lá por casa, aproveitem, pois custa de momento 449,99€ ao invés dos habituais 599,99€.

Este produto foi cedido para análise pela Waterdrop
