Upon Angels: Uma escolha luxuosa e atrevida para o Dia dos Namorados

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O Upon Angels, do Stay Upon Hospitality Group, apresenta-se como um pequeno hotel cheio de irreverência, ao estilo de boudoir copiado do universo queirosiano, mas assumidamente atrevido.

O Upon Angels instala-se numa zona historicamente marcada pela transição entre o sagrado e o profano, recebendo francas influências da herança da sociabilidade boémia oitocentista reinterpretada num registo contemporâneo, maximalista e provocador. Entre papéis de parede narrativos, néons insinuantes, tecnologia invisível e um terraço-jardim que espelha o espírito multicultural do bairro, este hotel merece bem o distintivo de refúgio hedonista onde o apelo da transgressão é filtrado através da elegância e da arte.

Trata-se de um hotel bem discreto e à mão, numa Lisboa que cultiva a memória mas também o excesso. No número 10 da Rua dos Anjos, o Upon Angels, do Stay Upon Hospitality Group, surge como uma unidade hoteleira fora da caixa que soube materializar um conceito decadentista do século XIX, de realidades menos piedosas, numa tradução visual contemporânea disruptiva e, paradoxalmente, bem lisboeta.

Mas, para compreender a alma deste hotel, é necessário começar pela rua que o acolhe.

A rua dos Anjos está no cerne de uma história urbana cujo nome deriva da antiga Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, templo quinhentista que acabou por ser sacrificado no altar do progresso, aquando da abertura da Avenida Almirante Reis. No final do século XIX, a zona dos Anjos representava o início da “cidade nova”, fronteira simbólica entre a Baixa consolidada e as áreas em expansão.

Sociologicamente, tratava-se de um espaço nem aristocrático nem popular, nem totalmente respeitável nem francamente marginal. Nas imediações, em Arroios e Anjos, multiplicavam-se casas de pasto e cafés de tertúlia onde a boémia literária encontrava palco. Era um bairro onde o prazer, quando revestido de requinte, podia ser legitimado como forma superior de existência – a materialização urbana do que se convencionou chamar “pecado elegante”.

Um dos detalhes que mais nos chamaram logo a atenção foi o fantástico papel de parede do Upon Angels, com as suas figuras mascaradas, espartilhos e cenas de sedução, onde se nota, precisamente, uma transposição visual direta dos ambientes de “deboche sofisticado” que povoavam obras como Os Maias ou O Primo Basílio do nosso famoso escritor realista Eça de Queirós. Não se trata de uma reconstituição histórica, evidentemente, mas de uma evocação intencional dessa iconografia, que assim aparece reinterpretada sob o prisma do design contemporâneo: os néons provocadores, enquadramentos ousados, atitudes atrevidas, que transfiguram a reverência num jogo.

De notar que o edifício que alberga o Upon Angels mantém a traça exterior de uma estrutura histórica recuperada. A fachada, alinhada com a malha urbana, não denuncia de imediato a explosão estética que nos aguarda no interior.

Dizem-nos os funcionários que muitos dos que ali passam após o anoitecer, dando conta das janelas iluminadas, dos tons dos reposteiros vermelhos e do papel de parede, ou dos reflexos dourados do bar, acabam por se interrogar sobre que lugar é aquele, de aparência tão mística e intimista, luxuriante…

O Upon Angels, que resulta da recuperação de um edifício histórico, possui 47 quartos distribuídos por cinco pisos que, curiosamente, se vão estreitando à medida que subimos, assemelhando-se a uma estrutura piramidal. Ao cruzarmos o átrio, a primeira impressão é a de estarmos a pular para o interior de uma estética maximalista eclética do século XXI: o hotel recebe os hóspedes com veludos densos, franjas, padrões florais e elementos dourados, que convivem com superfícies industriais, iluminação de néon e detalhes gráficos contemporâneos.

O icónico sofá-namoradeira carmim – peça central logo à entrada – assenta sobre um pavimento geométrico azul e branco que evoca a tradição azulejar sem cair na literalidade, peça que remete para a intimidade partilhada, para o encontro cúmplice, para o espaço onde o olhar e a conversa se tornam prelúdio de algo mais.

Nos quartos, desde o standard, às suites românticas ou pop, a atmosfera aproxima-se da de um boudoir de luxo, filtrada por uma sofisticação artística que evita o vulgar.

Raissa Martins, que nos acompanhou e integra a equipa do Upon Angels há quase dois anos, descreveu a estética do hotel como “romântica e casual”, sublinhando o uso de tons vermelhos para evocar uma atmosfera mais íntima. Durante a visita, guiou-nos por diferentes tipologias de quartos, incluindo as suites temáticas. Na verdade, estes quartos estão pensados para se transformarem em palcos de encenação privada.

O primeiro onde entrámos foi o nosso estúdio Premium. Aí, a primeira impressão é de uma modernidade luxuosa e acolhedora. O estúdio é amplo e destaca-se pelo seu sofá vermelho vibrante e uma cama de casal larga, estrategicamente separada da zona de estar por uma cortina de tranças metálicas – um elemento de design que, segundo nos explicou Raissa, é um dos favoritos dos hóspedes pelo jogo visual que cria. Os néons reaparecem sobre a cabeceira da cama, por vezes sob a forma de silhuetas insinuantes – pernas que se desenham na penumbra – dialogando com quadros e almofadas de detalhes anatómicos.

Um roupeiro (munido de cofre) com luzes LED automáticas e de estética nipónica organiza o espaço, enquanto o balcão de apoio funciona como uma verdadeira coffee station, equipada com máquina de café, cafeteira e micro-ondas, além do mini-bar discretamente embutido e do armário superior com loiças de pequeno-almoço.

No WC, o contraste entre metais dourados e cerâmicas em tons de terracota, combinados com padrões em xadrez, revela uma atenção meticulosa ao detalhe. Cada superfície foi pensada para contribuir para uma atmosfera coerente, onde a exuberância é controlada por um desenho rigoroso.

No entanto, a mais surpreendente peça é a banheira japonesa circular, em tons de antracite, uma peça-escultura. Emoldurada por pastilha metalizada que cria reflexos hipnóticos, transforma o banho num ato cénico. A água, a luz e os materiais conjugam-se numa experiência relaxante, num cenário de luxo casual. Sinceramente, não é de perder.

E, como se não bastasse, da varanda, a vista sobre o saguão permite vislumbrar a piscina no piso térreo, criando uma sensação de oásis urbano.

Já o Red Room é um quarto totalmente dedicado ao vermelho, onde, das cortinas ao frigorífico, tudo exala paixão. Há também a Sweet Pop, localizada no quinto piso. Esta suite transporta-nos para um universo retro-vanguardista, como o nome indica, com decorações inspiradas na cultura pop, com certa inspiração evocativa dos clássicos da ficção científica, como Espaço: 1999. Por fim, a Sweet Romantic: um espaço que remete para o estilo dos anos 20 e para a Art Nouveau, proporcionando um ambiente mais relaxante e sofisticado.

O acesso aos quartos é controlado por cartões magnéticos, reforçando a ideia de exclusividade e segurança num espaço assumidamente destinado a adultos.

Nos elevadores, um painel digital rompe com a monotonia do transporte vertical. Mais do que indicar o piso, o ecrã oferece boas-vindas em múltiplas línguas e apresenta informação meteorológica em tempo real.

Na senda do lazer, somos reconduzidos ao Angels Bar, o coração social do Upon Angels, aberto diariamente das 11h às 21h30. Como dissemos, o papel de parede do bar é uma homenagem à Lisboa boémia do século XIX, criando o cenário perfeito para os pequenos-almoços (servidos das 8h às 12h) ou para um cocktail ao final da tarde.

O buffet continental (15€ por pessoa) é variado, em boa quantidade e com todos os básicos, oferecendo diversos tipos de corn flakes, ovos mexidos ou estrelados, queijos, salpicão e presunto, diversos tipos de pão, frutas, tomate e pepino, além de iogurtes. Estão disponíveis também opções mais doces, como croissants e mini panquecas, mini folhados de chocolate e pastéis de nata, tudo servido de vários toppings à discrição e acompanhado por sumos naturais e outras bebidas dispensadas por uma versátil máquina de café Delta.

A verdade é que o Angels Bar prolonga esta experiência. É uma sala lindíssima e única. O pequeno-almoço é aí servido num ambiente que evoca um clube privado exclusivo. O design industrial-chic – visível em estruturas metálicas e na garrafeira suspensa que ilumina o balcão ripado – sobrepõe-se à iconografia clássica das paredes. O resultado é um espaço híbrido, onde o passado boémio e a contemporaneidade urbana se entrelaçam. Ao final do dia, o bar assume outra identidade: torna-se ponto de encontro, lugar de socialização onde hóspedes e visitantes partilham a sensação de pertencer a um microcosmo distinto da cidade lá fora.

E, no entanto, o Upon Angels não se fecha sobre si próprio.

No saguão, no exterior, o terraço revela-se um segredo bem guardado. Trata-se de um pátio emoldurado por um mural de cores vibrantes que ecoa a tradição lisboeta de contar histórias nas fachadas, agora reinterpretada à luz da arte urbana, entre folhas imponentes de Strelitzias. Com uma piscina jacuzzi aquecida (muitos hóspedes utilizam-na mesmo no pino do inverno) e aquecedores a gás, o espaço é versátil e surpreendentemente íntimo e confortável.

No verão, o Upon Angels organiza aí sessões de cinema ao ar livre, sendo que este espaço pode ser reservado para eventos privados, como jantares com chefs convidados (que preparam desde sushi a comida mexicana) ou até casamentos íntimos.

Em suma, o Upon Angels não só se insere nesta nova dinâmica, como recupera a memória boémia e literária, projetando-a para um público global habituado a procurar e valorizar experiências imersivas e conceptuais.

Num tempo em que muitos projetos optam pela neutralidade escandinava ou pelo minimalismo assético, o Upon Angels escolhe exuberância, afirmando a liberdade de experimentar, de cruzar referências, de provocar. Mas fá-lo com elegância, evitando a caricatura. Como nas melhores páginas do grande Eça, a crítica e o deleite caminham lado a lado.

No fim, talvez o maior “pecado” do Upon Angels do número 10 da Rua dos Anjos seja o de dar aos visitantes a oportunidade de se sentirem felizes e realizados com requinte e liberdade autêntica. E porque não já no próximo dia 14, com o evento de fado previsto para o Angels Bar? Angelicamente falando, eu adoraria!

Graça Pacheco
Graça Pacheco
Licenciada em literaturas clássicas e com um doutoramento em estudos literários, sou colaboradora e fã do Echo Boomer. Escrever, para mim, é um ofício desafiante mas também um hobby. Também adoro gastronomia, gosto de explorar novas tecnologias e sobretudo, adoro cinema e TV.
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