Lote 2 da Unir recebe reforço de viaturas, mas os problemas persistem dada a falta de infraesturutras.
A rede de autocarros Unir não sofrerá um redesenho estrutural durante o primeiro semestre do ano, focando-se a operação na aplicação de ajustes pontuais e na integração de uma nova frota de veículos elétricos. O anúncio, diz o Jornal de Notícias (acesso pago), surge no momento em que os operadores exigem a conclusão urgente da instalação de paragens físicas e a criação de faixas exclusivas para os transportes públicos na Área Metropolitana do Porto.
Nuno Sousa, o recém-nomeado presidente da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), confirmou que as alterações a curto prazo limitar-se-ão a adaptações cirúrgicas, como o alargamento de horários, o prolongamento de percursos ou a revisão de paragens. Uma reestruturação profunda da rede fica, para já, posta de parte, ficando dependente da futura articulação com a entrada em funcionamento das novas linhas do Metro do Porto e com o plano estratégico da STCP, previsto para 2030. Já os constrangimentos atuais da rede Unir, que continuam a motivar queixas dos utilizadores, com especial incidência em Vila Nova de Gaia, serão debatidos em reuniões agendadas com os autarcas já na próxima semana.
Este esclarecimento sobre o futuro da operação ocorreu à margem da apresentação de 53 novos autocarros por parte da Nex Continental, operadora responsável pelo lote 2 da Unir. Este segmento, o mais procurado pelos passageiros ao longo do ano de 2025, garante as ligações nos concelhos de Gondomar, Paredes, Valongo e Santo Tirso. Com a introdução destes veículos, a frota da Unir reforça o seu compromisso com a transição energética, passando a contar com um total de 113 viaturas 100% elétricas, 129 movidas a gás natural e 11 de motorização híbrida.
No entanto, as operadoras alertam para a persistência de graves falhas na infraestrutura de apoio. Juan Gomez Piña, diretor-geral da Alsa Portugal, entidade que lidera a Nex Continental, assinalou que a oferta de autocarros equipados com aquecimento e geolocalização perde eficácia quando, volvidos mais de 700 dias desde o arranque do serviço, continua a faltar informação de horários e abrigos adequados na via pública, um problema particularmente evidente nas zonas periféricas.
Para além da infraestrutura básica, a Alsa Portugal tem vindo a pressionar os municípios para a adoção de canais dedicados de circulação. A criação de faixas BUS é apontada como a única forma de garantir a pontualidade e a rapidez comercial necessárias para que o transporte público se afirme como uma alternativa viável ao automóvel individual.
