Sete anos de trabalho chegam ao fim na Take-Two, que alegadamente eliminou toda a sua equipa dedicada à inteligência artificial no âmbito de uma reestruturação interna.
A Take-Two Interactive, editora responsável por estúdios como a Rockstar Games (Grand Theft Auto VI) e a Zynga, despediu alegadamente a totalidade da sua equipa de investigação e desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial, com vários dos seus membros a confirmá-lo através das redes sociais. A notícia surgiu depois de Luke Dicken, que chefiava a área de IA da empresa, ter publicado no LinkedIn uma mensagem de despedida onde assinalava o encerramento do projeto coletivo. “Desenvolvemos tecnologia de ponta para apoiar o desenvolvimento de jogos durante sete anos“, escreveu Dicken, elogiando a capacidade da equipa em conjugar inovação com design de produto orientado para os criadores ao longo de todo o fluxo de trabalho de produção.
Jason Leon, que desempenhou as funções de diretor sénior de desenvolvimento de IA, confirmou também o seu afastamento.”Esse capítulo chegou ao fim, uma vez que mudanças de prioridades por parte da gestão de topo afetaram a minha equipa e a mim“, declarou Leon. Vários outros membros da equipa confirmaram, entretanto, ter sido abrangidos pelos despedimentos, mas até ao momento a Take-Two ainda não prestou declarações oficiais sobre a situação.
Esta reestruturação parece refletir a posição da Take-Two em relação a estas novas tecnologias, com o seu CEO, no passado, tendo demonstrado alguma apreensão e resistência ao seu desenvolvimento e aplicações – apesar de também indicar que a empresa continuaria a “abraçar a IA como sempre fez“, enumerando centenas de pilotos e implementações em curso nos seus estúdios e referindo ganhos concretos de eficiência em tempo e custos. Em fevereiro, ao GamesIndustry.biz, Strauss Zelnick, presidente executivo da Take-Two, havia comentado a distinção entre ferramentas de apoio de produção e de criatividade, afirmando que “as ferramentas, por si só, não criam grandes propriedades de entretenimento. Não há qualquer evidência de que esse seja o caso, nem o será no futuro.” Sobre Grand Theft Auto VI, atualmente em desenvolvimento, o Zelnick foi mais longe ao dizer que a IA generativa não tem “qualquer papel” no que a Rockstar está a construir.
Esta não é a primeira vez que Zelnick se pronuncia sobre os limites da inteligência artificial no desenvolvimento de jogos. No final do ano passado, durante o Technology Executive Council Summit da CNBC, o executivo argumentou que os modelos de IA funcionam de forma retrospetiva por dependerem de dados já existentes, o que os impede de gerar algo genuinamente original. “Mesmo que fosse possível carregar num botão e gerar um novo Grand Theft Auto, o resultado seria derivado e de qualidade duvidosa“, afirmou então. Zelnick apontou ainda preocupações de ordem legal, sublinhando que obras criadas exclusivamente por IA não são passíveis de proteção por direitos de autor, um obstáculo que considera determinante para a sua adoção em processos criativos. “Se algo for criado por IA, não é protegível“, disse o executivo na altura.
A dissolução da equipa de IA da Take-Two surge num contexto de pressão crescente sobre os orçamentos de desenvolvimento na indústria, e contraria a tendência de investimento nesta área que várias editoras têm protagonizado nos últimos anos. Para a empresa que detém Grand Theft Auto VI, um dos títulos mais aguardados dos últimos anos, a aposta continua a ser, pelo menos no discurso público, a criatividade das equipas humanas.
