Ryanair confirma saída dos Açores e aponta 2027 como possível regresso se taxas forem reduzidas

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    Michael O’Leary confirma o fim da operação da Ryanair nos Açores em março e admite um eventual regresso apenas se forem eliminadas taxas ambientais e reduzidos os custos aeroportuários.

    Michael O’Leary admite que a Ryanair só regressará aos Açores se houver uma redução significativa das taxas cobradas, admitindo mesmo que esse regresso apenas possa acontecer no verão de 2027. Em entrevista ao Negócios (acesso pago), o CEO da companhia aérea garante que não existe qualquer negociação em curso com as autoridades regionais ou com a ANA e confirma que a operação termina definitivamente no final de março.

    A decisão de abandonar as rotas açorianas foi tomada em novembro do ano passado, numa altura em que a Ryanair ainda admitia a possibilidade de reabrir a base aérea em Ponta Delgada. Apesar desse cenário, O’Leary mantém-se convicto quanto à saída e aponta como fator determinante a aplicação da taxa ambiental aos voos entre o continente e os Açores. Até ao final de 2025, a região beneficiava de uma isenção semelhante à das Canárias, mas desde 1 de janeiro de 2026 passou a ser cobrada uma taxa de 12€ por passageiro nos voos a partir de Lisboa e do Porto. Segundo o responsável, este encargo inviabiliza uma operação baseada em tarifas baixas, sobretudo num contexto em que os custos aeroportuários nos Açores se aproximam dos praticados em Lisboa.

    O CEO da Ryanair acrescenta que o Governo Regional não cumpriu um acordo celebrado há cerca de três anos, o que contribuiu para a decisão de encerrar a operação. Sublinha ainda que existem alternativas mais competitivas para a companhia, referindo que é possível voar de Lisboa para Rabat, em Marrocos, sem taxa ambiental, com custos aeroportuários cerca de 50% mais baixos do que nos Açores e com uma duração de voo inferior. Para O’Leary, as ilhas ficam fora da rede da Ryanair até que a taxa ambiental seja eliminada e as tarifas aeroportuárias reduzidas entre 50% e 60%.

    Estas declarações contrastam com a posição do Turismo dos Açores, que tem afirmado que as negociações continuam. O’Leary rejeita essa versão e assegura que não existe qualquer diálogo em curso, apontando como prova o facto de não ser possível reservar voos para depois de março. Segundo o responsável, os aviões já foram realocados para outros destinos e as autoridades regionais estão a transmitir informação que não corresponde à realidade.

    Questionado sobre um eventual regresso caso a ANA avance com uma redução relevante das taxas, O’Leary admite essa possibilidade apenas a médio prazo. Se a taxa ambiental for abolida e os custos aeroportuários reduzidos de forma significativa, a Ryanair poderá regressar aos Açores no verão de 2027, descartando qualquer retorno ainda este ano. Quanto à possibilidade de eliminação destas taxas, considera que existe uma probabilidade real de a União Europeia rever o modelo durante este ano, criticando o que classifica como incoerências na política ambiental europeia, que penaliza voos de curto curso enquanto mantém isenções para a aviação de longo curso, mais poluente.

    Apesar da saída dos Açores, a Ryanair não prevê abandonar outros aeroportos em Portugal. Pelo contrário, a companhia planeia acrescentar novas rotas, embora mantenha um diferendo com a ANA. O’Leary acusa a gestora aeroportuária de ter aumentado as taxas na Portela em cerca de 50% desde a pandemia e critica a proposta de novos aumentos para financiar antecipadamente o futuro aeroporto de Alcochete, defendendo que não faz sentido cobrar por uma infraestrutura que ainda não entrou em funcionamento. Na sua leitura, o monopólio da ANA deveria terminar e o Governo português tem margem para promover concorrência, nomeadamente através da abertura do Montijo num prazo reduzido, permitindo aliviar a pressão sobre Lisboa.

    No contexto da privatização da TAP, a Ryanair manifesta igualmente interesse nas slots que a companhia aérea portuguesa terá de libertar por razões de concorrência. O’Leary confirma essa intenção e critica a atribuição anterior de slots à easyJet, argumentando que a decisão beneficiou uma companhia com menor capacidade de crescimento. Segundo o CEO, a Ryanair prevê receber cerca de 300 aviões da Boeing nos próximos oito anos, o que permitirá aumentar o número de passageiros de 200 para 300 milhões, enquanto a easyJet terá um crescimento bastante mais limitado.

    Caso consiga adquirir slots em Lisboa, O’Leary estima que cada par de aterragem e descolagem permita transportar cerca de 100.000 passageiros por ano. Um conjunto de dez pares de slots eficientes poderia, assim, acrescentar um milhão de passageiros anuais ao aeroporto da Portela. Ainda assim, sublinha que esse crescimento não depende exclusivamente da redistribuição de slots, defendendo que o aumento da capacidade dos terminais existentes permitiria acrescentar entre 10 e 15 aviões à operação em Lisboa.

    Quanto às limitações da pista, O’Leary rejeita que constituam um entrave estrutural. Compara a Portela ao aeroporto de Gatwick, que opera com uma única pista e movimenta cerca de 65 milhões de passageiros por ano, questionando a razão pela qual Lisboa se mantém próxima dos 30 milhões. Na sua perspetiva, o problema reside sobretudo na gestão dos terminais, lembrando que a generalização do check-in online e a redução da bagagem de porão diminuíram as necessidades de espaço. Com ajustes operacionais, considera possível elevar a capacidade da Portela para cerca de 40 milhões de passageiros por ano.

    Alexandre Lopes
    Alexandre Lopes
    Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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