Se a iRobot já era uma referência do mercado, com o Roomba Max 705 Combo a marca mostra que não está disposta a desistir.
A iRobot e a sua marca de aspiradores Roomba já são há muito tempo, sinónimos do popular conceito de aspirador robô. Esteticamente são fáceis de identificar, a sua aplicação continua a ser das mais simples e fiáveis que já utilizei, e o algoritmo de navegação mantém-se atual. E a marca foi mesmo pioneira ao introduzir coisas como rodas de borracha pensadas para casas com animais de companhia. No entanto, a iRobot tem ficado atrás noutros aspetos, já que o boom dos aspiradores de marcas asiáticas mostrou que é possível ganhar na batalha da relação preço-qualidade e, mais importante, apresentando cada vez mais novidades e funcionalidades competitivas.
A empresa tem, no entanto, acertado com algumas funcionalidades, como a base de limpeza automática a destacar-se como um bom exemplo, mas também deu alguns passos em falso, como a Mopa elevatória do Roomba Combo J9+, que me pareceu mais um teste falhado do que uma solução prática face aos avanços das plataformas de esfregão. Por esse motivo, a marca não vive o seu melhor momento, mas conta agora com um trunfo na manga, o novo Roomba Max 705 Combo.

Um aspirador com uma base que “faz tudo” não é, à primeira vista, o objeto mais sedutor para a sala de estar, a menos que se chame Roomba. E quando estamos perante um modelo de topo como este Roomba Max 705 Combo, a coisa muda de figura. À primeira vista, o aparelho é apelativo, o único senão é que, se se encostar o robô ou a base com a ponta dos dedos, ficam marcas visíveis. Nada grave mas incomodativo num equipamento com um acabamento tão cuidado. A base tem linhas elegantes e um tamanho moderado, com um acabamento mate que lhe confere um ar sofisticado. Na face superior há uma tampa que dá acesso aos três compartimentos – resíduos sólidos, água limpa e água suja, tudo bem pensado para reduzir intervenções constantes. Quanto ao robô em si, segue a fórmula habitual de “disco” em plástico, mas com uma construção em preto mate com uma metade com textura e um canto com aspeto metálico que resulta num visual minimalista. Na frente encontramos uma câmara e um LED que acende em ambientes mais escuros, e uma ranhura lateral por onde o sensor LiDAR integrado faz o seu trabalho. É ligeiramente maior e mais pesado do que os outros Roomba que já testei, o que indica capacidade para ultrapassar pequenos obstáculos, mas também pode dificultar a passagem por espaços muito estreitos. Ao virar o Roomba Max 705 Combo de cabeça para baixo vêm-se ainda mais soluções bem pensadas, como um rolo de limpeza que oscila lateralmente e que consegue deslocar-se um pouco fora do seu eixo para melhor alcançar os cantos. Esse rolo está protegido por uma cobertura em plástico que é útil, por exemplo, quando se quer só aspirar e evitar molhar um tapete. A novidade mais óbvia é a função de esfrega/aspiração, mas a marca não se esqueceu da dupla escova em borracha para diversos tipos de superfície, ideal para casas com animais, e duas escovas laterais rotativas, relativamente compridas para empurrar a sujidade para a sucção.

Para se orientar pela casa, este Roomba recorre à clássica câmara da marca, agora numa versão mais competente no reconhecimento e desvio de objetos, combinada com um sensor LiDAR. A ausência da típica “torre” do laser poderia ser uma boa notícia se tornasse o aparelho mais baixo, permitindo-lhe passar por baixo de mais móveis, mas não é o caso. É mais alto e mais largo do que o padrão, o que faz com que simplesmente não consiga entrar em certos espaços. No meu caso, não passa debaixo de uma cama de um dos quartos.
Com dimensões mais volumosas e as rodas avantajadas poderiam sugerir uma capacidade acima da média para superar obstáculos, mas a verdade é outra, já que fica preso nos tapetes felpudos, com pelos com 4 a 5 centímetros. Para além disso, não estamos perante um robô que “sobe degraus”, e tal também não seria expectável. Apesar das rodas grandes, não possui qualquer mecanismo extra que lhe permita saltar desníveis, como já vi em outros modelos. A solução é simples, e pouco elegante, já que passa por remover esse tipo de tapetes antes de iniciar o processo de limpeza, ou simplesmente marcar na aplicação os mesmos como zona proibida.

Tenho acompanhado a evolução dos Roomba ao longo dos anos e continuo a acreditar que o algoritmo da iRobot é o mais consistente do mercado. As câmaras, porém, têm limitações óbvias em cenários de fraca luminosidade, como debaixo da cama. Por isso estava particularmente curioso para ver como a marca integraria o LiDAR nesta equação. A minha impressão é que a combinação ainda não está totalmente afinada, já que por vezes o robô apresenta erros sem explicação, ficando preso e aparentemente “encurralado” em zonas onde, teoricamente, não deveria ter qualquer dificuldade. Conhecendo o histórico da iRobot no que toca a software, não ficarei surpreendido se surgir uma atualização para corrigir estes pequenos lapsos. E tirando esses episódios pontuais, a experiência tem sido bastante satisfatória. Podemos escolher exatamente que divisões limpar, a ordem de limpeza e até quantas passagens queremos. O robô segue depois um percurso metódico e coerente, cobrindo a área sem redundâncias e percebendo com precisão onde cabe e onde não cabe. No mapa da aplicação, vê-se a casa a ficar gradualmente “pintada” de verde à medida que o Roomba Max 705 Combo avança, uma forma simples, mas eficaz, de acompanhar todo o processo em tempo real.
A iRobot continua a não divulgar valores concretos de potência, mas este é claramente um dos melhores robôs aspiradores que testei até hoje. Os Roomba sempre foram fortes na aspiração, mas com este Max 705 Combo a marca resolveu finalmente a sua fragilidade histórica, a limpeza com pano húmido. E quando tudo corre bem a nível de navegação, o resultado é uma casa irrepreensivelmente limpa. No que toca a opções, na aplicação podemos definir se queremos só aspirar, só passar pano, aspirar e passar pano, ou aspirar primeiro e lavar depois. Há dois caminhos possíveis, um mais simples, com perfis de limpeza (ligeira, padrão, profunda ou inteligente), e outro mais completo, divisória a divisória, escolhendo a potência de aspiração (económica, normal, alta ou máxima) e a intensidade da lavagem (ligeira, padrão ou alta). Podemos ainda optar por uma ou duas passagens e ativar, ou não, o Smartscrub, que faz o rolo “esfregue” o chão. Na potência máxima, recolhe praticamente tudo, desde areia, migalhas de pão e até pequenas sementes de chia que espalhei propositadamente no chão para testar. A verdade, porém, é que na potência média os resultados são muito idênticos ao da potência máxima, tanto o sistema de sucção como o desenho da escova trabalham a favor do robô. Destaca-se ainda a remoção de cabelo, que é feito de forma especialmente boa.
Não tenho cães nem gatos em casa, pelo que não pude testar nesse ambiente mais “extremo”, mas nos meus testes o Roomba Max 705 Combo retira toda a sujidade do chão sem esforço, mesmo sem potência máxima ou dupla passagem, e nos cantos, desde que consiga lá chegar, é igualmente competente. Com a escova dupla central e lateral, basta uma passagem para um resultado convincente. Para casas com animais de estimação, promete ser uma escolha praticamente infalível. Em tapetes finos, é excelente. O modo inteligente ajusta a potência ao detetar mais sujidade, levantando pelos presos nas fibras e aspirando a poeira que vemos habitualmente ao sacudir os tapetes. E a meu ver, é tão eficaz que o aspirador tradicional começa mesmo a perder utilidade. E, já agora, podemos aspirar tapetes sem receios, já que se estiver configurado para lavar, ele evita molhar o seu tecido. Se estiver no modo “aspirar primeiro e lavar depois”, o rolo fica protegido durante a fase inicial para impedir qualquer contacto com a humidade. E a evolução no lado do “esfregão” é evidente. Esta geração do Roomba finalmente oferece lavagem a sério, algo que já tinha presenciado nos testes ao Roomba Combo 505 Plus, com os seus esfregões rotativos que parecem seguir na mesma direção. No Roomba Max 705 Combo, o rolo assemelha-se a um rolo de pintura que gira e também gira para alcançar melhor os cantos. O material, semelhante a microfibra com textura, aumenta o atrito e é perfeito para remover, mesmo a sujidade mais agarrada. Já com o Smartscrub ativo, o desempenho melhora ainda mais. Fiquei mesmo surpreendido com a capacidade para retirar pequenas manchas secas utilizando pouquíssima água. E mesmo quando há várias marcas no chão, o rolo limpa-as sozinho, mantendo o nível de eficácia. Em pequenas situações de derrame, meio copo de leite no meu teste, o robô resolveu facilmente o problema. Obviamente que para acidentes maiores é melhor utilizar uma esfregona. Mas ainda assim, impressiona o facto de usar tão pouca água e, mesmo assim, limpar tão bem.

A iRobot raramente revela a capacidade exata das baterias dos seus dispositivos, mas posso dizê-lo com toda a segurança, a bateria do Roomba Max 705 Combo é mais do que suficiente para casas grandes. Durante as semanas que o tive em testes, no andar superior da minha casa, com cerca de 80 metros quadrados, consegui realizar limpezas exigentes sem qualquer limitação evidente. Para efeitos de medição, utilizei sempre o mesmo critério, com a aspiração contínua na potência máxima. Nesse cenário extremo, o consumo foi de 41% em 70 minutos. Claro que, no dia a dia, ninguém utiliza apenas a potência máxima. O normal é optar por aspirar e passar pano, ou por ambos em simultâneo, e como já referi, o modo inteligente é o mais sensato. Numa limpeza completa da zona, com primeiro a aspirar e depois a lavar, o robô utilizou apenas 32% da bateria. No fundo, aguenta três sessões sem voltar à base. Quando decidi gastar a bateria até ao fim em modo inteligente, o Roomba trabalhou durante pouco mais de três horas sem interrupções, um resultado realmente impressionante. Para quem vive numa casa maior ou com mais sujidade acumulada, o habitual sistema de “recarregar e retomar” continua presente. E se o robô precisar de energia a meio de uma tarefa, ele regressa à base, carrega o suficiente e retoma exatamente no ponto onde ficou. Ou seja, a autonomia nunca será um problema.
No campo do software, embora seja possível pôr o robô a funcionar através de um botão físico, o ideal é instalar a aplicação Roomba Home, disponível gratuitamente na App Store e na Google Play Store. Depois de criar conta, iniciar sessão e emparelhar o dispositivo, percebe-se que a aplicação continua tão simples e direta de usar.
Enquanto eletrodoméstico, este equipamento que deve ser acessível a qualquer pessoa. Com isto em mente, a verdade é que a maioria das aplicações de aspiradores é tão carregada de opções e menus obscuros que rapidamente se tornam intimidantes para os menos entendidos em tecnologia. Felizmente, qualquer pessoa que saiba mexer minimamente num smartphone, vai-se sentir confortável a utilizar a aplicação da Roomba. Com um design colorido, a sua comunicação é clara e a organização lógica fazem com que tudo pareça natural. A iRobot mantém a simplicidade à vista e guarda as opções mais avançadas para menus discretos. Ao abrir a aplicação, vê-se de imediato “A Minha Casa” com os mapas que temos. Toca-se no mapa, escolhe-se um dos botões na parte inferior, e a limpeza começa.
Por defeito, existem já algumas programações pronta a utilizar, mas quem quiser pode personalizar praticamente tudo, desde divisões incluídas, divisões excluídas, sequências de limpeza, intensidade da aspiração, intensidade da lavagem. É ótimo quando se pretende, por exemplo, uma passagem rápida geral seguida de uma limpeza mais profunda na cozinha ou na casa de banho. No menu inferior há ainda acesso ao estado do robô (componentes, manuais, assistência), às automações, à ajuda e à loja online da iRobot. E, tocando nos três pontos da secção “Robôs”, surgem as definições gerais, onde se pode configurar desde bloqueios para crianças ou animais até à frequência de esvaziamento e lavagem. Ou seja, quem percebe minimamente de tecnologia vai encontrar aqui um conjunto impressionante de opções avançadas, e quem não percebe, não se vai sentir perdido. E, como nota final, tenho um dos modelos da marca mais antigos há sensivelmente de cinco anos e ainda hoje recebe atualizações. Para além disso, a aplicação indica quando cada componente do Roomba Max 705 Combo começa a degradar-se, quando deve ser substituída e que manutenção precisa, mas, na prática, o contacto com o robô é mínimo.
A base do Roomba Max 705 Combo é uma unidade três-em-um. Aspira a sujidade recolhida pelo robô através de um sistema ruidoso – mas extremamente eficaz -, armazena a água limpa para a lavagem e recolhe a água suja após cada ciclo. Mas o destaque vai para uma função que, durante anos, foi o ponto fraco dos robôs com esfregão, a manutenção do rolo. Quem já teve, ou tem, um aparelhos deste género sabe bem que se não retirarmos a mopa ou o rolo no fim de cada limpeza, ele fica húmido, sujo e rapidamente ganha um cheiro desagradável. Aqui a iRobot disponibilizou uma solução elegante, com a base que limpa automaticamente o rolo e, depois, seca-o com ar quente. É um detalhe que faz toda a diferença na utilização diária e que, honestamente, considero essencial para que esta categoria de produtos seja realmente prática. De acordo com a iRobot, esta base permite até 75 dias sem trocar o saco (dependendo do ritmo de aspiração e da presença de animais) e fornece água suficiente para cerca de oito semanas de lavagens. E posso confirmar que esses números estão muito perto da realidade, já que utilizei o Roomba Max 705 Combo todos os dias, durante várias semanas, e quase não precisei de lhe tocar. Nunca me aconteceu nada semelhante com outro robô de limpeza, e é precisamente este tipo de conveniência que me faz sentir que estamos, finalmente, perante um aspirador robô verdadeiramente autónomo.

Com este Roomba Max 705 Combo, a iRobot deu um passo claro em frente, corrigindo fragilidades já conhecidas pela marca e apresentando um robô capaz de competir pelo titulo de melhor aspirador que já testei. E fez isso sem abdicar das qualidades que tornaram a marca famosa, com design premium tanto no aparelho como na interface, uma capacidade de aspiração que continua a servir de referência e um preço competitivo de 699€. É verdade que a navegação ainda precisa de algum melhoramento para atingir um nível verdadeiramente exemplar, mas a qualidade da limpeza é difícil de contestar. Enquanto muitas marcas fazem publicidade agressiva a números que pouco dizem na prática, o Roomba Max 705 Combo chega equipado para aspirar e lavar com uma competência incrível. Nenhum outro modelo no mercado combina dois rolos de borracha com duas escovas laterais, uma configuração que, na minha experiência, torna-o particularmente eficiente em casas com animais de estimação, ou com maiores necessidades de limpeza.
A evolução da iRobot na função de passar pano é digna de nota. Durante anos, ignoraram a lavagem (numa altura em que, para ser justo, quase todos os robôs eram fracos nesse aspeto) e, quando finalmente aderiram, os primeiros esforços ficaram aquém das expectativas. Desta vez, o salto qualitativo é real, e o seu grande rolo giratório que se move lateralmente lava de forma eficaz e consistente. E o facto de utilizar tão pouca água, mantendo ainda assim um excelente desempenho, revela a habitual atenção ao detalhe que caracteriza a marca.

Este dispositivo foi cedido para análise pela iRobot.
