Já não consigo sair de casa sem levar comigo o meu companheiro de todas as horas, o reMarkable Paper Pro Move, que cabe na palma da minha mão e que me ajuda não só organizar melhor o meu dia, mas também todas as minhas ideias.
Nesta nova era dos tablets e-paper, nunca foi tão fácil aceder a uma vasta oferta de dispositivos pensados para a escrita e leitura. As opções multiplicam-se, com elevados níveis de personalização e funcionalidades que permitem adaptar a experiência a praticamente qualquer necessidade. No entanto, grande parte destes tablets apresenta dimensões consideráveis, algo compreensível num contexto de leitura prolongada ou escrita intensiva, mas que acaba por limitar a sua utilização em cenários mais informais ou em movimento. A portabilidade, muitas vezes, fica em segundo plano, tornando menos prático o uso destes dispositivos em diferentes contextos do dia a dia.
Foi precisamente a pensar nessa limitação que uma das marcas mais conceituadas no mundo E-Ink, a reMarkable, introduziu recentemente no mercado um dispositivo pensado de raiz para responder a esta questão. Graças ao seu formato compacto, o reMarkable Paper Pro Move surge como uma proposta para quem procura uma experiência de leitura e escrita digital sem comprometer a mobilidade.
No Echo Boomer já tive a oportunidade de testar vários dispositivos da marca, entre eles o reMarkable 2 e o reMarkable Paper Pro, experiências que me permitiram compreender bem a filosofia da reMarkable e a forma como a marca aborda a escrita e a leitura digitais. E a verdade é que são dispositivos que uso religiosamente todos os dias, sobretudo o Paper Pro. Por isso, quando surgiu a oportunidade de analisar este novo tablet e-paper focado na portabilidade, foi de bom grado (e com bastante entusiasmo à mistura) que aceitei o desafio. Comparar o reMarkable Paper Pro Move com o seu irmão mais velho, o Paper Pro, foi uma experiência interessante para perceber até que ponto se complementam, ou então, qual dos dois valerá mais a pena.
Como já é habitual na marca, a reMarkable mantém um elevado padrão na apresentação dos seus produtos. A experiência começa logo ao receber a encomenda com duas caixas, uma onde podemos encontrar o reMarkable Paper Pro Move e a respetiva caneta, e a outra caixa, com a capa de proteção, a Book Folio. O design de ambas as embalagens, em branco com linhas pretas subtis, reflete na perfeição o minimalismo que define a identidade da marca.
Ao abrir a embalagem, o primeiro contacto é com o dispositivo, envolto em papel crepe. Por baixo, surge um guia de início rápido que facilita a primeira configuração. Removendo este elemento, encontramos então os restantes acessórios incluídos com o reMarkable Paper Pro Move: a caneta, acompanhada pelas respetivas pontas de substituição, e um cabo muito bem organizado e com ambas as pontas USB-C.
Depois de removido o papel que envolvia o tablet, é possível apreciar com mais atenção o cuidado colocado no design do reMarkable Paper Pro Move. O dispositivo apresenta um visual marcadamente minimalista e bastante elegante. A sua parte traseira tem uma cor cinza acastanhada, com uma textura subtil e mate, com um ligeiro grão ao toque. Pessoalmente adorei este pormenor, já que me traz uma certa nostalgia dos tempos em que usava diferentes tipos de papel e cartolina para fazer os meus trabalhos para a escola. Mas esta textura da superfície não cumpre apenas uma função estética, mas também prática, já que dá uma sensação maior de segurança quando seguro no Paper Pro Move. Em comparação com o Paper Pro, a traseira acaba por ser da mesma cor, só que lisa e sem qualquer textura. Igual também ao Paper Pro, o Paper Pro Move tem quatros pinos, um em cada canto, da mesma cor do fundo e feitos em borracha. Ou seja, posso pousar o tablet em qualquer sítio que queira, já que não corro tanto o risco de o estragar, sobretudo quando uso o Paper Pro Move fora da capa protetora Book Folio, o que para ser sincera, não acontece muitas vezes.
E já que falamos da Book Folio, importa destacar que esta, à semelhança da Book Folio do reMaPaper Pro, está entre as capas mais bem conseguidas do mercado. A reMarkable demonstra uma atenção ao detalhe rara, conseguindo um equilíbrio difícil de atingir: uma capa que é simultaneamente muito apelativa do ponto de vista estético e extremamente funcional, o que se formos a comparar com as restantes capas protetoras no disponíveis no mercado, nem sempre é fácil de conseguir. Ao abrir a Book Folio, é possível ver no seu interior que esta também integra quatro pontos de encaixe perfeitamente alinhados com os quatro pinos de borracha existentes no tablet, recorrendo a um sistema magnético que fixa o reMarkable Paper Pro Move de forma segura. O seu magnetismo é suficientemente forte para garantir que o dispositivo está sempre no lugar, sem qualquer folga, mas ao mesmo tempo permite removê-lo com facilidade sempre que for necessário. O interior é todo revestido num material aveludado, de cor cinzento escuro, claramente pensado para proteger o ecrã e evitar riscos durante o transporte. Já no exterior a capa é revestida por um tecido texturizado, com uma malha fabricada em poliéster reciclado, numa elegante tonalidade Bordeaux. A Book Folio está também disponível noutras cores, nomeadamente Basalto e Cobalto, permitindo alguma personalização, já que existem ainda noutros materiais, como a pele, que é o material da Book Folio do meu Paper Pro.

Adjacente à capa existe ainda uma aba magnética que mantém a Book Folio firmemente fechada, protegendo simultaneamente o tablet e a caneta. Quando quero utilizar o reMarkable Paper Pro Move, basta abrir a capa para que o dispositivo se ligue automaticamente, graças aos sensores que detetam se a capa está aberta ou fechada. Durante a utilização, recolho a aba da Book Folio, que se passa a fixar discretamente na parte traseira do tablet, numa pequena reentrância onde fica presa magneticamente, sem que possa assim interferir com a escrita ou a leitura. Quando acabo de trabalhar, é só guardar a caneta na lateral e fechar a capa com a aba, o que ajuda a evitar que a caneta se perca durante o transporte.
E transportar o reMarkable Paper Pro Move é um dos pontos chave deste dispositivo. Normalmente ando sempre com imensa tralha atrás, o que faz com que a minha mala fique pesar alguns quilos extra, o que não é de todo o ideal para as minhas costas. Por isso, quando chega a hora de sair de casa, já não penso duas vezes sobre qual o tablet que quero levar, até porque o conjunto Paper Pro Move, Book Folio e caneta não ultrapassam sequer os 345 g. Ajuda nisto também o facto de ter umas dimensões de apenas 195,6 x 107,8 x 6,5 mm, ou seja, é mesmo muito fácil arrumá-lo na mochila ou mala, sem que ele ocupe demasiado espaço. Outra vantagem é que este tamanho reduzido é também ótimo para quando fico sentada nos transportes a ler ou a escrever, sem cansar muito a minha mão, sobretudo se não tiver sítio onde possa pousar o tablet.
Já a caneta que acompanha o reMarkable Paper Pro Move é a Marker, existindo a possibilidade de fazer upgrade para a Marker Plus, que, na minha opinião, vale bastante a pena, sobretudo para conseguir tirar um bom partido da experiência de escrita do Paper Pro Move. É uma caneta que se destaca pela simplicidade e conforto, não tem botões e não necessita de carregamento por cabo; basta pegar e começar a escrever, tal como numa caneta tradicional, já que ela recarrega automaticamente quando é acoplada magneticamente ao lado do Paper Pro Move.
A Marker Plus tem cerca de 19gr e o seu corpo é todo em alumínio, com acabamento mate e ligeiramente texturizado, o que ajuda a oferecer uma boa ergonomia e uma aderência. A ponta em carbono é substituível e já vêm incluídas seis pontas extra, garantindo uma boa durabilidade ao longo do tempo, dependendo, claro, da intensidade de uso. Para mim, o que compensa mais ao fazer o upgrade para a Marker Plus é o facto de ter a borracha digital integrada na extremidade oposta à ponta de escrita. Ao virar a caneta, é possível apagar diretamente no ecrã, sem recorrer a menus, o que ajuda a tornar a escrita mais fluida. No entanto, esta borracha exige apagar manualmente traço a traço, o que pode ser um pouco mais enfadonho quando existem muitas alterações a fazer.
Naturalmente, a experiência não é exatamente a mesma quando comparada com a escrita no Paper Pro, o que se nota, sobretudo, em sessões mais longas. Ainda assim, sempre que o uso fora de casa ou no escritório, o Paper Pro Move revela-se extremamente prático. No meu caso, o que acaba por acontecer é que utilizo o Paper Pro Move como forma de captar ideias e notas em movimento, e depois quando chego a casa dou continuidade ao trabalho no Paper Pro, que sincroniza muito rapidamente todas as notas e ficheiros que estejam no Paper Pro Move e vice-versa.
O dispositivo herda ainda outras características de design do seu irmão mais velho. Um dos exemplos mais evidentes encontra-se nas laterais, que apresentam uma textura inspirada na aparência de várias folhas de papel empilhadas. Este detalhe ganha ainda mais destaque no Paper Pro Move, uma vez que a sua espessura ligeiramente superior torna o efeito visual e tátil ainda mais perceptível.
Em termos de disposição dos elementos físicos, o reMarkable Paper Pro Move mantém a mesma lógica funcional do Paper Pro. A entrada USB-C está localizada no lado esquerdo, junto ao bordo inferior, facilitando o carregamento sem interferir com a utilização do dispositivo. Já no bordo superior, do lado esquerdo, encontra-se o botão de ligar e desligar. Por uma questão de hábito, acabo por o procurar instintivamente no lado direito, onde, do meu ponto de vista, faria mais sentido e seria mais intuitivo. Até porque é também desse lado que se encontra o bordo magnético responsável por fixar a caneta, o que faz dessa zona do dispositivo a que acaba por ser mais utilizada no dia a dia.
Mas a zona frontal tem aquele que é outro dos pontos-chave deste dispositivo: o ecrã Canvas Color display de 7,3”, com uma resolução de 1696 x 954. Baseado na tecnologia E Ink Gallery 3, este ecrã eleva de forma clara a experiência de leitura e escrita, oferecendo uma reprodução de cor rica e precisa, aproximando-se ainda mais visualmente do papel impresso.
E a verdade é que, mesmo após longos períodos de leitura ou escrita, nunca sinto fadiga visual. A ausência de reflexos também ajuda para este conforto e, por isso, acabo por conseguir utilizar o Paper Pro Move tanto em ambientes exteriores com muita luz natural, como em espaços interiores bem iluminados com luz artificial ou até sem luz nenhuma, graças ao ajuste até cinco níveis da luminosidade do ecrã.
Ainda outro detalhe importante deste ecrã é a presença da funcionalidade palm rejection, funcionalidade essa que permite ao ecrã distinguir com precisão entre a caneta e a palma da mão. No fundo, o sistema ignora o contacto da palma e dos dedos enquanto a caneta está em uso, o que significa que posso apoiar a mão sobre o ecrã da mesma forma que faria num caderno tradicional, mas sem que sejam registados toques indesejados. Noutros dispositivos que testei, mas sem esta funcionalidade, acaba por se tonar um pouco irritante ter o meu toque confundido com o da caneta, mas, de facto, com o Paper Pro Move, nunca tive essa questão.

De resto, há outras características do reMarkable Paper Pro Move que importa destacar, nomeadamente o seu processador dual-core Cortex-A55, acompanhado por 2GB de RAM e 64GB de armazenamento interno. Seguindo a mesma filosofia adotada nos restantes tablets da reMarkable, não existe slot para microSD, por isso não há a possibilidade de expansão de memória, mas a verdade é que a capacidade disponível revela-se mais do que suficiente para o tipo de utilização a que o dispositivo se destina. Os 64GB permitem-me armazenar confortavelmente um grande volume de ficheiros, documentos e notas, garantindo espaço de sobra para todo o trabalho criativo e organizacional do dia a dia.
Já a bateria de lítio com 2334 mAh é carregável via cabo USB tipo C e mantém uma autonomia de cerca de duas semanas em utilização típica. Este desempenho garante vários dias de uso sem preocupações com carregamentos constantes, algo especialmente prático num dispositivo pensado para acompanhar-me na azáfama do dia a dia, sobretudo fora de casa. E para os mais distraídos, como eu, basta um carregamento de cerca de 45 minutos para passar dos 0 aos 90%, o que é ideal para garantir que o Paper Pro Move nunca fica sem bateria quando é preciso.
Em termos de conectividade, o reMarkable Paper Pro Move recorre a Wi-Fi nas bandas de 2,4GHz e 5GHz, que serve essencialmente para descarregar atualizações de software da reMarkable e para a transferência de ficheiros através dos serviços de cloud. O ecossistema da reMarkable é um dos melhores que já testei no mercado, porque é praticamente instantâneo, quer seja para guardar ficheiros, notas ou documentos, com tudo a ficar automaticamente sincronizado entre os vários dispositivos associados à mesma conta, graças à reMarkable Cloud e ao Conect, que tem uma subscrição paga para ter armazenamento ilimitado. Ou seja, posso começar a escrever uma nota no Paper Pro Move e retomá-la no reMarkable 2 ou no Paper Pro com uma facilidade que me deixou impressionada.
No que diz respeito à compatibilidade de formatos, é possível importar documentos em PDF e EPUB, o que o torna bastante versátil tanto para leitura como para anotação de livros, artigos ou documentos de trabalho. Já no momento de exportar conteúdos, o dispositivo permite fazê-lo em PDF, PNG e SVG, facilitando a partilha de notas, esquemas ou desenhos.
Dito isto, e à semelhança do restante ecossistema da reMarkable, o Paper Pro Move não permite a navegação na web nem o acesso a páginas online. Trata-se de uma decisão consciente da marca, alinhada com a sua filosofia de criar dispositivos livres de distrações, totalmente focados no seu objetivo principal: oferecer uma experiência de leitura e escrita concentrada, simples e sem interrupções.
Essa mesma filosofia estende-se ao software. O reMarkable OS, baseado num sistema Linux, é extremamente minimalista e apresenta poucas diferenças entre o reMarkable Paper Pro Move e o Paper Pro. Ambos partilham a mesma página inicial, acompanhada por um pequeno menu de acesso rápido que surge ao deslizar de cima para baixo junto ao canto superior direito do ecrã. A partir daí, é possível consultar o estado da bateria ou ajustar a luminosidade do ecrã de forma rápida. No canto oposto encontra-se um segundo menu, acessível através de um ícone, onde temos acesso aos Favoritos, Tags, Integrações com serviços como o Google Drive, Dropbox ou OneDrive, bem como ao Lixo, guias de utilização e às configurações do sistema.
E é precisamente nas configurações que surgem as poucas diferenças entre o reMarkable Paper Pro Move e o Paper Pro. Estas prendem-se essencialmente com pequenas variações de versão de software e, sobretudo, com o suporte do Paper Pro para o Type Folio, um teclado físico que o Paper Pro Move não suporta. Essa diferença reflete-se na existência de opções adicionais de configuração relacionadas com o teclado no Paper Pro. De resto, tudo se mantém praticamente igual entre os dois modelos, desde as opções de segurança, como o desbloqueio do ecrã através de um código de seis dígitos, até às definições de ecrã e restantes ajustes do sistema.
Voltando à página inicial, aparece também imediatamente a secção “My Files”. Aqui surge uma das limitações comuns aos dois modelos: o sistema está disponível apenas em inglês ou alemão. Ainda assim, é nesta área que temos acesso a todos os ficheiros armazenados nos dispositivos, organizados de forma simples e direta.
Na parte inferior do ecrã encontramos uma lupa para pesquisar documentos e um ícone de “mais”, que permite criar novas notas ou pastas. Algo que considero particularmente útil é a possibilidade de pressionar este botão durante cerca de três segundos, criando de imediato um novo bloco de notas com um layout predefinido, sem necessidade de o nomear no momento. É uma funcionalidade simples e prática, sobretudo em situações em que quero apenas registar rapidamente uma ideia, mas não quero estar a perder tempo a escolher formatos ou a organizar tudo naquele instante.
Já dentro do bloco de notas, o Paper Pro Move mantém exatamente o mesmo menu e conjunto de ferramentas do seu irmão mais velho. Estão disponíveis nove ferramentas de escrita no total: Ballpoint Pen, Fineliner, Highlighter, Pencil, Mechanical Pencil, Calligraphy Pen, Marker, Shader e Paintbrush.
Cada uma destas ferramentas permite escolher entre três espessuras diferentes (fina, média e grossa), o que é ótimo quando quero alternar entre escrita ou desenho. Além disso, quase todas as ferramentas disponibilizam um conjunto de nove cores, incluindo preto, cinzento, branco, azul, vermelho, verde, amarelo, azul claro e magenta/rosa. Naturalmente, não estamos perante cores muito intensas, até porque este não é um ecrã convencional, mas a verdade é que os tons apresentados são agradáveis à vista e visualmente equilibrados. No meu caso, ajudam bastante na organização visual de notas, sublinhados e esquemas, o que torna a minha leitura e a revisão de conteúdos mais clara e menos stressante. Existe uma opção bastante interessante que permite criar combinações de cores, misturando, por exemplo, azul com amarelo para obter verde, o que acrescenta alguma flexibilidade criativa. Além disso, é possível desenhar formas geométricas de forma livre (como círculos, triângulos ou outras figuras) que, ao manter a ponta da caneta pousada durante alguns segundos, são automaticamente corrigidas, resultando em linhas e formas perfeitas.
Relativamente à experiência de escrita em si é, sem dúvida, outro dos pontos fortes deste dispositivo. Graças aos 4096 níveis de sensibilidade à pressão e aos 50 níveis de inclinação, consigo variar a espessura e o estilo do traço de forma muito natural. A resistência subtil da ponta no ecrã e o som semelhante ao do papel contribuem para uma sensação extremamente realista, tanto na escrita como no desenho, especialmente ao usar a ferramenta de lápis para criar sombreados e texturas. Ainda assim, a minha ferramenta preferida continua a ser, sem dúvida, a caneta caligráfica, que já utilizo com bastante frequência noutros dispositivos da reMarkable e que aqui não é exceção. É a ferramenta que mais se aproxima da escrita manual que gosto de usar no dia a dia e aquela que, para mim, coloca qualquer dispositivo da reMarkable no topo no que diz respeito à experiência de escrita.
A única parte da experiência de que gosto menos prende-se com o processo de refresh quando utilizo cor. O traço surge inicialmente a preto e só após a atualização do ecrã é aplicada a cor selecionada, o que, em alguns momentos de escrita, acaba por quebrar ligeiramente o ritmo. Ainda assim, trata-se de um pormenor menor que não compromete de forma significativa a experiência geral de utilização. Já quando escrevo a preto, o traço surge de forma imediata, sem qualquer atraso perceptível.
À falta do teclado físico Type Folio, é possível escrever texto digitado no reMarkable Paper Pro Move sem recorrer a um teclado físico. Basta utilizar o teclado virtual integrado no ecrã, que se revela suficiente para pequenas edições, apontamentos rápidos ou organização de conteúdo.
As situações em que uso este teclado acabam por ser mais escassas, como por exemplo estruturar apontamentos manuscritos ou fazer correções rápidas em texto convertido. O teclado permite ainda escolher entre vários idiomas, incluindo o português, o que facilita bastante a vida. Este teclado virtual pode ser utilizado com o reMarkable Paper Pro Move, tanto na posição vertical como na horizontal, sendo que, em modo horizontal, o espaço disponível para escrita acaba por ser mais generoso e confortável. Um “truque” que costumo usar passa por recorrer à caneta para interagir com o teclado, evitando que os dedos toquem inadvertidamente nas teclas adjacentes à que pretendo selecionar. Ainda assim, para quem quiser escrever textos mais longos com regularidade, a minha recomendação mantém-se: o Paper Pro em conjunto com o Type Folio continua a ser a solução mais indicada.
Por isso, para quem esteja indeciso, vale a pena compreender bem o que está disponível dentro do universo da reMarkable e perceber qual o dispositivo que melhor se adapta a cada tipo de utilização. Tanto o Paper Pro como o Paper Pro Move contam com ecrã a cores e iluminação ajustável, o que lhes confere uma maior versatilidade em diferentes contextos, seja em ambientes com pouca luz ou em situações em que a cor ajuda a organizar notas e documentos. Já o reMarkable 2 segue uma abordagem mais minimalista, com um ecrã a preto e branco e sem iluminação integrada, focando-se numa experiência de escrita e leitura o mais próxima possível do papel tradicional. O teclado Type Folio existe apenas para o reMarkable 2 e Paper Pro.

Relativamente ao reMarkable Paper Pro Move, uso-o com frequência quando vou treinar, para ir registando as minhas cargas, ou nos transportes públicos, sobretudo para leitura. Gosto também de o utilizar em determinadas reuniões, onde me permite tirar apontamentos rápidos e captar ideias que mais tarde desenvolvo com mais calma no Paper Pro e assinar documentos importantes. Além disso, acaba por ser muito útil em momentos mais informais, como quando estou num café a organizar tarefas do próprio dia ou da semana de trabalho.
Não considero que o reMarkable Paper Pro Move venha substituir o Paper Pro, muito pelo contrário. Vejo-os como duas faces da mesma moeda, pensadas para contextos de utilização distintos, mas que se complementam de forma natural. Enquanto o Paper Pro se destaca em ambientes mais estáveis, como o escritório ou em horas de trabalho prolongadas, o Paper Pro Move assume um papel mais prático e imediato, ideal para acompanhar o dia a dia fora de casa. Em conjunto, oferecem uma experiência coerente e contínua, permitindo alternar entre ambos sem compromissos, tirando partido das forças de cada um conforme o contexto.
No final, o reMarkable Paper Pro Move afirma-se como um excelente complemento dentro do ecossistema da reMarkable: compacto, elegante e focado, pensado para quem valoriza portabilidade sem abdicar da qualidade de escrita e leitura. Mais do que recomendado, podem adquiri-lo no site oficial da reMarkable a partir de 479€.

Este produto foi cedido para análise pela reMarkable
