A centralização das urgências obstétricas em Almada e Setúbal visa garantir maior estabilidade clínica e resposta contínua face à escassez de profissionais.
A partir de 15 de abril, a Península de Setúbal passa a dispor de um modelo regional de urgências externas de Ginecologia e Obstetrícia, com funcionamento centralizado, resultado da reorganização dos serviços ditada pela escassez de profissionais e pela instabilidade registada nos últimos anos.
A nova estrutura ficará dividida em dois polos principais. O Hospital Garcia de Orta, em Almada, pertencente à Unidade Local de Saúde (ULS) de Almada-Seixal, assume o papel de unidade-sede. Dispõe de bloco de partos e de apoio perinatal diferenciado, concentrando cerca de 80% do funcionamento em equipas da própria ULS de Almada-Seixal e o restante em profissionais da ULS Arco Ribeirinho.
O segundo polo estará instalado no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, integrado na ULS da Arrábida. Este serviço prestará atendimento a utentes provenientes dos concelhos de Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra e Sines. O funcionamento será assegurado maioritariamente por equipas da ULS da Arrábida, mantendo-se a maternidade do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, em atividade regular, uma vez que a centralização se aplica apenas ao atendimento de urgência.
As três unidades locais de saúde manterão a atividade programada de ginecologia e obstetrícia, garantindo continuidade nos cuidados não urgentes. O modelo prevê ainda uma articulação operacional entre as ULS envolvidas, de forma a assegurar o serviço de urgência centralizada e resposta coordenada nas áreas respetivas de influência.
O modelo de urgências centralizadas foi desenvolvido pela Direção Executiva do SNS e enquadra-se na estratégia nacional para responder à falta de recursos humanos, sobretudo de especialistas em obstetrícia e anestesiologia. O decreto-lei que regula esta reorganização determina uma avaliação semestral do funcionamento, a cargo do SNS.
A primeira experiência deste tipo entrou em vigor a 16 de março, no Hospital Beatriz Ângelo, que serve a área da ULS de Loures-Odivelas. O serviço funciona de forma contínua, 24 horas por dia, com equipas conjuntas das ULS de Loures-Odivelas e do Estuário do Tejo.
