Entre Alverca e Castanheira, a Linha do Norte vai ser alargada para acolher comboios de alta velocidade, com efeitos significativos nas localidades atravessadas.
Está disponível, para consulta pública de avaliação de impacte ambiental, o projeto de quadruplicação da Linha do Norte entre Alverca e Castanheira do Ribatejo. A intervenção consiste em 12,5 quilómetros de linha férrea que vão ser alargados para permitir a circulação de comboios de alta velocidade, mas com impactos significativos previstos sobretudo em Vila Franca de Xira e Alhandra, as localidades mais afetadas.
O estudo de impacte ambiental sustenta que o projeto visa modernizar e aumentar a capacidade do troço, sem criar uma nova linha. O alargamento de duas para quatro vias permitirá acomodar tanto os comboios mais lentos, nas vias centrais, como os rápidos, que circularão nas laterais.
Mas os impactos previstos são consideráveis. A ampliação da linha em cerca de 11 metros exigirá a demolição ou afectação de mais de 40 edifícios, entre habitações, estabelecimentos comerciais, armazéns e equipamentos desportivos, cerca de 15 deles ainda ocupados. Entre os bens afetados contam-se também um antigo campo de futebol em Alhandra e aproximadamente 1.800 m2 do jardim municipal ribeirinho de Vila Franca de Xira. A obra terá uma duração estimada de cinco anos e meio e será realizada maioritariamente à noite, entre a 1h e as 6h, para não interromper a circulação de comboios durante o dia, prevendo-se medidas de mitigação do ruído.
O projeto inclui ainda a construção de novas estações ferroviárias em Alhandra e Vila Franca de Xira. A estação de Alhandra será demolida, enquanto a de Vila Franca será preservada com fins culturais. A construção da nova estação em Alhandra implicará também a demolição do ginásio da Sociedade Euterpe Alhandrense (SEA), utilizado para atividades desportivas e culturais. Jorge Zacarias, presidente da SEA, disse ao Público que a quadruplicação será conduzida “à custa das populações de Alhandra e Vila Franca de Xira” e criticou o silêncio das autarquias sobre os impactos, apelando a transparência e à intervenção em defesa dos moradores.
O estudo aponta ainda efeitos positivos, embora de menor dimensão, como a redução de ruído associada à renovação da via, a transferência de passageiros do transporte rodoviário para os comboios, a melhoria da mobilidade e transporte de mercadorias, e a criação de infraestruturas complementares, incluindo novos parques de estacionamento e interfaces em Alhandra e Vila Franca.
