Remake de Prince of Persia cancelado numa nova reestruturação estratégica da Ubisoft

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Para além de Prince of Persia, a Ubisoft cancelou mais cinco projetos e reorganizou os seus estúdios e planos para o futuro.

Após muita antecipação e rumores, o aguardado remake de Prince of Persia já não vai ver a luz do dia. Num extenso comunicado, a Ubisoft anunciou o cancelamento de seis jogos em desenvolvimento ativo, incluindo o remake de Prince of Persia, justificando esta decisão por ter avaliado que estes jogos não se encontram à altura dos seus critérios. Dos seis títulos cancelados a produtora francesa não nomeia mais nenhum, referindo que entre eles quatro eram jogos ainda por anunciar, sendo três novas propriedades, e um seria um jogo móvel.

Ao contrário do costuma ser comum em situações destas, a Ubisoft não menciona cortes nas equipas, fechos de estúdios ou outros despedimentos, indicando que irá realocar todos os recursos no desenvolvimento adicional de sete outros jogos em desenvolvimento ativo, incluindo um jogo planeado para este ano fiscal e outo que foi adiado para o próximo (2027), mais uma vez não mencionando quais.

Estas decisões fazem parte de uma reorganização e planeamento estrutural à larga escala na Ubisoft, a pensar num plano para os três próximos anos. A Ubisoft refere necessidades de ajuste num mercado AA cada vez mais seletivos, com maior presença de shooters competitivos e com os desafios de criar novas marcas e propriedades com custos mais elevados, como explica Yves Guillemot, fundador e CEO da Ubisoft: “Por um lado, a indústria AAA tornou-se progressivamente mais seletiva e competitiva, com o aumento dos custos de desenvolvimento e maiores dificuldades na criação de novas marcas. Por outro, os jogos AAA de exceção, quando bem-sucedidos, têm hoje um potencial financeiro superior a qualquer outro período.”

Adicionalmente, Yves também apresenta os planos do futuro da empresa, que passam pela aposta em géneros de jogos genéricos, em segmentos saturados, mas que são vistos como as maiores fontes de rendimento, para a sobrevivência dos estúdios. “É neste contexto que anunciamos hoje uma reestruturação profunda, pensada para criar as condições para um regresso ao crescimento sustentável a médio e longo prazo. A Ubisoft está a transformar o seu modelo de operações para produzir jogos de qualidade excecional assentes nos dois pilares centrais da sua estratégia: aventuras em mundo aberto e experiências GaaS (Jogos enquanto serviços) concebidas de raiz.”

Para além disso, o comunicado também refere investimentos em áreas atualmente controversas entre produtores e jogadores, incluindo investimentos em desenvolvimento e especialização em tecnologias de ponta e investimentos acelerados “em inteligência artificial generativa orientada para a experiência do jogador.”

Noutras alterações estratégicas, encontram-se, então, a gestão de estúdios e de recursos, com um conceito que a Ubisoft define como Creative Houses. Vários núcleos de estúdios, que se dedicarão a diferentes propriedades intelectuais, com um maior foco e controlo criativo interno. Ao todo, serão cinco Creative Houses, estruturadas da seguinte forma:

  • A CH1, também indicada como Vantage Studios, dedicar-se-á aos produtos rainhos da Ubisoft, com o objetivo de os tornar em “franquias anuais bilionárias”. Essas franquias são Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six.
  • A CH2 concentrará os shooters competitivos e cooperativos, em propriedades como The Division, Ghost Recon e Splinter Cell.
  • A CH3 será o grupo dedicado a jogos enquanto serviços, as chamadas “live experiences”, com franquias como For Honor, The Crew, Riders Republic, Brawlhalla e Skull & Bones.
  • A CH4 terá foco em jogos de ação e fantasia, com fortes componentes narrativas, como Anno, Might & Magic, Rayman, Prince of Persia e Beyond Good & Evil.
  • E, por fim, a CH5, focar-se-á em jogos de festa e orientados para as camadas mais jovens com propriedades como Just Dance, Idle Miner Tycoon, Ketchapp, Hungry Shark, Invincible: Guarding the Globe, Uno e Hasbro.

Apesar desta segmentação de propriedades e de estúdios alocados, a Ubisoft garante que dependendo da natureza de cada jogo, cada grupo irá colaborar entre si, através de uma “Rede Criativa”.

Com toda esta transformação, ficam no ar questões sobre o estado de alguns jogos já conhecidos em desenvolvimento, como Beyond Good & Evil 2, o remake do primeiro Splinter Cell e o remaster de Assassin’s Creed Black Flag. Para já, a Ubisoft não faz qualquer menção, levando a crer que estes jogos ainda estão em cima da mesa. Já sobre a importância de cada propriedade, como é o caso de Prince of Persia, há pelo menos uma esperança de no futuro termos mais jogos, dado que surge listado na lista das casas criativas.

Esta reestruturação estratégica surge numa altura de outras transformações, nomeadamente, os sucessivos despedimentos e fechos de estúdios da Ubisoft nos últimos meses.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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