Fried chicken com alma nova-iorquina: assim é a Pow Chick’s, que pretende expandir-se além da região de Lisboa.
Num conceito de frango frito que junta referências americanas, execução artesanal e uma imagem visual pensada ao detalhe, há um espaço que procura distinguir-se pela forma como trata cada etapa da experiência, da marinada ao empanamento, das batatas frescas aos milkshakes preparados com ingredientes específicos. Falamos, claro, na Pow Chick’s, cuja proposta assenta num menu centrado no frango, neste caso hamburgueres de frango, e aos quais se juntam acompanhamentos, toppings, molhos, bebidas e, claro, sobremesas.
A identidade da marca começa na forma como quer ser percecionada. Para Afonso Torres, representante da Pow Chick’s, há uma clara preocupação em fugir a códigos visuais agressivos e em apostar antes em branco e azul, cores associadas a limpeza, confiança e leveza. A lógica é simples: se o produto principal é frango frito e os acompanhamentos também passam pela fritura, o espaço deve transmitir frescura e não peso visual.
E lá está, a grande estrela da carta da Pow Chick’s é mesmo o frango, tratado como produto central e não como simples matéria-prima. A casa usa sempre coxa de frango desossada e sem pele, deixada 24 horas em buttermilk, numa preparação associada ao estilo Louisiana. Depois dessa marinada, o frango é empanado à mão e pré-frito, sem máquinas, num processo descrito como completamente artesanal.
O frango é preparado numa cozinha de produção, arrefecido rapidamente, selado a vácuo e depois finalizado na loja. Este procedimento foi testado variadas vezes e não altera a experiência final, precisamente porque o sabor já está profundamente construído pela marinada e pela pré-fritura. A ideia de fundo é manter consistência sem perder autenticidade.
O menu da Pow Chick’s organiza-se em seis sanduíches, cada uma pensada para um tipo de cliente. Entre elas está a Not Chick’s, a opção vegetariana feita com produto da Vegetarian Butcher, descrita como extremamente semelhante a frango. Em conversa com o Echo Boomer e outros colegas, Afonso relata que houve clientes que questionaram se tinham recebido a versão correta, precisamente porque o produto imita de forma convincente o original.
Já a sanduíche da casa é a The Pow Chick’s, com queijo cheddar, bacon, pickles e molho fil-pow. Este molho é um dos elementos mais marcantes da proposta: caseiro, ligeiramente defumado e equilibrado, sem cair em excessos de acidez, maionese ou pimenta. É apresentado como a escolha ideal para quem está a conhecer o conceito pela primeira vez.
Para quem prefere uma experiência mais intensa, surge a Hot Honey Chick’s. O nome não engana: trata-se de mel picante, com uma combinação direta entre doçura e calor. Neste caso, quem não gosta mesmo de picante deve evitar esta proposta.
Entre as restantes opções, a Chili Chick’s destaca-se como uma das preferidas dos clientes. Junta cheddar, queijo, pickles, jalapeño e cebola caramelizada, criando um perfil de sabor mais forte, mas ainda equilibrado pela doçura da cebola e pela maionese. Apesar do nome, não é um hambúrguer excessivamente picante, mas antes uma combinação intensa e coesa.
A Farm Chick’s segue uma linha mais leve, com salada, alface, cebola roxa e tomate. É apresentado quase como a opção de quem quer reduzir danos dentro de um menu de hambúrgueres, sendo particularmente procurado por quem sai do ginásio e quer uma alternativa percebida como menos pesada. Ainda assim, continua a ser uma sanduíche volumosa, pensada para satisfazer.
Por fim, a Cheese Chick’s leva a lógica do queijo ao extremo, com seis fatias de cheddar e sem molho, porque o queijo já cumpre essa função. A proposta é assumidamente indulgente e reforça a ideia de que a carta trabalha diferentes perfis de cliente, desde os que procuram equilíbrio até aos que querem excesso.
Afonso Torres explicou-nos que a Pow Chick’s trabalha com produto natural, o que significa que as peças variam de tamanho. A média de carne é de 130 gramas por hambúrguer, havendo, por vezes, mais ou menos quantidade.
Depois há os toppings, que podem ser adicionados a qualquer sanduíche, com exceção do coleslaw, vendido à parte. Esse coleslaw é preparado no momento, com mistura e tempero feitos na hora, reforçando a ideia de frescura. O menu foi desenhado para permitir pequenas variações sem perder coerência interna.
Nos acompanhamentos, a Pow Chick’s aposta em produtos que prolongam o mesmo registo de conforto e sabor. As Pow Chicken Bites são pedaços de peito de frango empanado, posicionados como uma espécie de nugget, mas com matéria-prima mais nobre e menos processada.
Já as Mac and Cheese Balls são, como se pode calcular, bolas crocantes por fora e cremosas por dentro, feitas de macarrão com queijo. São bem generosas a nível de tamanho… e são deliciosas.
A terminar o capítulo dos acompanhamentos, há ainda os Jalapeño cheese, apresentados como uma versão de jalapeño popper, com recheio de cheddar e uma textura mais próxima de um pimento empanado do que de um produto picante clássico. E sim, nem as batatas fritas faltam. Neste caso, as crinkle fries ocupam um lugar especial no menu: são batatas frescas vindas da Holanda, nunca congeladas, servidas apenas com sal e óleo.
Os molhos ajudam a organizar o menu sem dispersar a identidade da casa. Há uma parceria com a Heinz para algumas opções, como Sweet Chili, Bacon Aise e Barbecue. Ao mesmo tempo, o Fil-pow e a maionese são caseiros, o que dá à marca controlo sobre os sabores que considera mais importantes.
Nas bebidas, a oferta é curta e intencional. A casa trabalha com kombuchas, incluindo a Why Not, e com uma única cerveja: a Coors Light. A escolha é explicada como coerente com o conceito e com a imagem da marca, que não quer transformar-se numa beer house nem num espaço de consumo prolongado de cerveja ao final da tarde. É uma bebida fácil de beber, alinhada com a proposta geral do espaço.
E claro, nem a componente doce podia faltar. Neeste caso, têm os milkshakes (350ml cada), descritos como um dos produtos mais fortes da casa, sendo feitos com gelado de alta qualidade, leite gordo nacional e sabor acrescentado depois. Em vez de usar bases já aromatizadas, a marca recorre a ingredientes específicos, como compota de morango de França ou uma mistura de chocolate italiana comparada a uma Nutella. E sim, há quem peça milkshake não como sobremesa, mas enquanto bebida principal da refeição.
Depois têm as cookies, que vêm de uma casa artesanal de Lisboa, com adaptação da receita ao projeto. Há versões Red Velvet e chocolate, além de combinações com gelado servidas em cone ou com cookie.
Antes da loja física nas Avenidas Novas – e entretanto com uma nova loja no Estoril -, a Pow Chick’s começou como dark kitchen em Alvalade, onde funcionou durante cerca de um ano e meio. Essa origem ajuda a perceber a evolução do projeto, que passou de cozinha fantasma a espaço de rua sem abandonar a base concetual. O percurso também explica a disciplina operacional e o cuidado com os detalhes da execução.
Para muito breve está a iminente inauguração de uma terceira loja física, neste caso na Graça, onde antes existia a pizzaria Little Caesars. A médio prazo, isto é, nos próximos dois/três anos, a ambição é chegar às 20 ou 30 lojas em território nacional, o que implicará, como é óbvio, uma expansão além da região de Lisboa.
No fim de tudo, ficámos com a ideia que se trata de um conceito que quer unir frango frito, estética limpa, processo artesanal e variedade suficiente para ir além da sanduíche principal. A Pow Chick’s apresenta-se como um restaurante de identidade bem definida, com uma carta curta mas pensada ao detalhe, onde cada item parece responder à mesma lógica: oferecer uma experiência americana, mas construída com método próprio e atenção minuciosa ao produto.
