Durante muitos anos, Portugal raramente surgia nas listas dos países europeus mais avançados no uso de novas tecnologias. Essa perceção começou, no entanto, a alterar-se de forma gradual. Dados recentemente divulgados pela Eurostat indicam que o país já figura entre os dez Estados europeus onde a inteligência artificial é mais utilizada – um resultado que acabou por surpreender até quem acompanha o setor de perto.
Basta olhar para o que aconteceu recentemente para perceber que algo mudou. Nos últimos meses de 2025, muitos portugueses, dos mais novos aos mais velhos, passaram a recorrer a plataformas de inteligência artificial com alguma regularidade. Portugal pode ainda surgir atrás de países como a Irlanda, a Bélgica ou os Países Baixos, mas o simples facto de já aparecer entre os dez primeiros marca uma rutura clara com o que era habitual há poucos anos.
Nada disto aconteceu de forma isolada. O acesso à tecnologia foi-se tornando mais simples, as ferramentas passaram a estar mais à mão e muitos utilizadores começaram, pouco a pouco, a experimentar soluções novas sem grande resistência. Paralelamente, surgiram iniciativas públicas, como a Agenda Nacional de IA (ANIA), que ajudaram a criar um contexto mais favorável à adoção destas tecnologias, tanto a nível individual como institucional.
A escrita destaca-se como um dos principais usos da IA
O interesse generalizado pela inteligência artificial é relativamente recente. Durante muitos anos, o tema era visto como algo distante, associado a previsões futuristas pouco concretas. Para a maioria das pessoas, não passava de um conceito abstrato, sem impacto real no quotidiano.
Essa realidade começou a mudar à medida que estas ferramentas se tornaram mais acessíveis e úteis no dia a dia. Aquilo que antes era visto como mera curiosidade passou, pouco a pouco, a ter aplicação concreta em diferentes contextos, tanto pessoais como profissionais.
Um estudo divulgado no portal ScienceDirect ajuda a compreender melhor este fenómeno. A investigação, intitulada “Quem utiliza IA em pesquisa e por que?”, um estudo realizado na Alemanha, com uma amostra alargada de participantes, mostra que quase metade dos inquiridos utiliza a inteligência artificial como apoio para testar ideias e procurar soluções diferentes. Apesar de o trabalho ter sido conduzido noutro país, os resultados ajudam a compreender comportamentos que também começam a ser visíveis noutros contextos europeus, incluindo o português.
Na prática, a inteligência artificial acabou por se espalhar por tarefas muito diferentes, desde a escrita de textos até ao apoio no desenvolvimento técnico ou na organização de conteúdos mais formais, como manuscritos e comunicações internas. Em comum, surge sempre a mesma preocupação: ganhar eficiência sem sacrificar a clareza nem o tom natural da escrita.
É precisamente neste ponto que entram soluções como as desenvolvidas pela JustDone. A empresa criou um humanizador de IA que permite transformar textos gerados automaticamente em conteúdos com uma linguagem mais próxima da escrita humana. Esta abordagem tem sido especialmente valorizada por profissionais que precisam de produzir grandes volumes de texto sem comprometer a qualidade ou o tom adequado.

A combinação entre o interesse crescente pela escrita e a evolução das plataformas orientadas para este fim ajuda a explicar o aumento expressivo do uso da inteligência artificial em Portugal, tanto por utilizadores individuais como por empresas.
O desafio do uso empresarial da inteligência artificial
Embora o uso da inteligência artificial esteja bastante disseminado entre os utilizadores individuais, essa realidade ainda não se reflete com a mesma força no contexto empresarial. Nas empresas portuguesas, a adoção destas tecnologias continua a avançar a um ritmo mais cauteloso. Dados da Eurostat mostram que apenas 11,54% das organizações recorrem atualmente à inteligência artificial de forma regular nas suas atividades.
Este valor coloca Portugal abaixo da média europeia, que se situa perto dos 20%. Há países que seguem num ritmo bem mais acelerado, como a Dinamarca, onde a utilização já ultrapassa largamente os 40%. Noutros casos, como o da Roménia, a adoção permanece bastante reduzida. O contraste entre realidades mostra que o avanço da IA no meio empresarial europeu está longe de ser uniforme.
Quando as empresas decidem avançar com a inteligência artificial, a motivação costuma ser bastante prática. Na maioria dos casos, a tecnologia é usada para lidar melhor com dados ou para apoiar a criação de conteúdos. É neste contexto que soluções como o humanizador de IA da JustDone começam a fazer sentido, sobretudo para organizações que querem ganhar tempo e eficiência sem perder clareza nem coerência na forma como comunicam.
Com o tempo, esse uso tende a alargar-se. Para além da escrita, algumas empresas começam a explorar outras possibilidades, como a criação de imagens, vídeos ou conteúdos em áudio. Há também quem aposte em ferramentas ligadas à programação ou à automatização de tarefas internas. No entanto, não existe um padrão único: tudo depende da dimensão da empresa, da área em que atua e do nível de familiaridade que já tem com o digital.
O investimento do Estado português em inteligência artificial
Uma das iniciativas mais relevantes lançadas nos últimos anos foi o plano nacional de inteligência artificial. De acordo com informações divulgadas pela ANIA, este plano integra-se numa Estratégia Nacional Digital que prevê um investimento de cerca de 25 milhões de euros. O objetivo passa por tornar a inteligência artificial mais presente no dia a dia dos cidadãos e das empresas, criando condições para um desenvolvimento sustentável e alinhado com os interesses do país.
José Moreira, professor de Direito na Universidade Portucalense, reconhece que a criação da ANIA representa um passo importante, mas alerta para alguns desafios. Na sua perspetiva, existem metas bem definidas, mas também áreas que necessitam de maior clareza e de mecanismos mais concretos para garantir a sua implementação eficaz.
Mais do que aumentar percentagens, importa perceber se a tecnologia está a ser utilizada de forma produtiva e estratégica. Iniciativas públicas, investimento privado e formação adequada serão determinantes para garantir que a inteligência artificial contribui efetivamente para o desenvolvimento económico e social do país, e não apenas para um aumento estatístico do seu uso.
