Dos 5,4 milhões de chamadas recebidas em 2025 pelo 112, a maioria foi considerada indevida. A PSP lembra que o uso incorreto do número de emergência é crime punível com prisão.
Cerca de três quartos das 5,4 milhões de chamadas recebidas pelo número nacional de emergência (112) em 2025 foram consideradas indevidas. A Polícia de Segurança Pública (PSP), entidade responsável pela monitorização do serviço, revela que muitos destes contactos incluem situações alheias ao socorro, como pedidos de entrega de pizzas, chamadas de táxis, solicitações de serviços domésticos ou apenas cidadãos sem saldo no telemóvel que aproveitam a gratuitidade da linha.
Segundo os dados avançados pela PSP ao Jornal de Notícias (acesso pago), dos contactos registados no ano passado, 73,5% – o equivalente a quase quatro milhões de chamadas – não correspondiam a emergências reais. Deste volume de tráfego desnecessário, 1,2 milhões referem-se a chamadas que foram abandonadas antes do atendimento. O uso abusivo da linha 112 coloca em causa a eficácia do serviço, podendo atrasar a resposta a situações de risco de vida iminente.
As autoridades alertam ainda para o enquadramento legal da utilização dolosa do serviço. As chamadas falsas ou o abuso de sinal de alarme podem configurar crime, previsto no artigo 306.º do Código Penal, punível com pena de prisão até um ano ou multa até 120 dias. Quando detetado um padrão de chamadas excessivas num curto período, são levantados autos de notícia para as entidades judiciais.
Apesar da elevada percentagem de contactos inadequados, os dados indicam uma tendência de descida no volume total de tráfego pelo segundo ano consecutivo. Em 2023, o serviço registou 6,95 milhões de chamadas, número que baixou para 5,85 milhões em 2024 e para 5,4 milhões em 2025.
