O músico canadiano Patrick Watson mostrou no Porto porque o palco continua a ser o seu lugar natural, numa noite esgotada e cheia de significado.
Patrick Watson apresentou-se, no passado dia 14 de janeiro, na sala Suggia da Casa da Música, para a apresentação do seu novo álbum Uh Oh de 2025, um disco com muitas colaborações (destaque para “The Wandering” com a nossa MARO) e mais dubstep envolvido em cada uma das músicas, mas muito aquém das expectativas, muito por culpa do pouco piano.
No entanto, ao vivo, o músico canadiano é capaz de fazer esquecer os mais ou menos céticos em relação a cada um dos seus discos de estúdio pela intimidade e conforto em palco para com os presentes. Vimos, na Casa da Música, uma sala esgotada para um concerto intimista e cheio de simplicidade.
O Porto marcou o pontapé de saída do primeiro concerto da tour do novo disco em que o artista começou por dizer que esteve sem ver público durante mais de um mês (último concerto nos Países Baixos, em novembro). Após o cair do pano e das luzes, o canadiano entrou em palco para uma espécie de prelúdio – ou aquecer a sala, vá – com “Peter and The Wolf”, e depressa se percebeu a magia da sua voz e das suas palavras.
A partir de “Ode To Vivian”, dedicada a Vivian Maier, uma fotógrafa norte-americana que passava os tempos livres de babysitter a tirar fotografias a estranhos e que apenas foram adquiridas poucos anos antes da sua morte, podemos afirmar que a fase do aquecimento do concerto terminou e o músico visitou os velhinhos clássicos. O clássico tão seu como dos próprios The Cinematic Orchestra, “To Build a Home”, foi dedicado a todos que lutam todos os dias contra as diversas injustiças que existem e sofrem no mundo em que vivemos e presenciamos. Seguiu-se “Melody Noir”, à luz do microfone, acapella e apenas de guitarra impune a três, música que foi escrita e dedicada a Simón Diaz, escritor venezuelano e preferido do artista.
Um dos maiores aplausos e surpresas previsíveis da noite foi para MARO. A cantora portuguesa, vencedora do Festival da Canção em 2022, subiu ao palco para um dos momentos mágicos da noite com “The Wandering” e “Silencio”, tendo agradecido ao público português todo o apoio e confessado que o canadiano era um artista de mão cheia de talento.
Após a presença da portuguesa, Patrick Watson relembrou os tempos de juventude em que cresceu a ouvir Madredeus e que o nosso país sempre foi importante para si, tão importante que, aquando da hemorragia grave nas cordas vocais em 2023, começou a sentir saudades, uma palavra tão simples e tão portuguesa. Como forma de agradecimento, escreveu “A Mermaid in Lisbon”, que embeveceu e acarinhou cada espetador presente na sala.
Seguiu-se “Je te Laisserai des Mots”, o êxito em francês resgatado pela plataforma TikTok, e “House On Fire”, escrito em conjunto com Martha Wainwright e que, de acordo, com o próprio, cada um tem a sua próprio versão da mesma.
Para o final, “Lighthouse”, obra prima de 2012 do álbum Adventures In Your Own Backyard, para enfeitiçar e iluminar a nossa estrada.
