O Paço dos Cunhas regressa aos lançamentos com novas colheitas do Dão, destacando o Vinha do Contador Branco 2017, classificado como Nobre, e o inédito Clos de Santar.
O Paço dos Cunhas, propriedade com mais de 500 anos de história localizada no coração da vila de Santar, na região demarcada do Dão, promoveu uma prova esta semana, na qual o Echo Boomer esteve presente, para apresentar as suas mais recentes colheitas ao mercado, assinalando o regresso aos lançamentos presenciais após a última sessão realizada em 2018.
A estratégia da marca assenta no princípio do respeito pelo tempo, com lançamentos ditados exclusivamente pela prontidão e maturação dos vinhos em cave, rejeitando a obrigatoriedade de edições anuais ininterruptas. O centro de operações da Paço dos Cunhas, que engloba vertentes de enoturismo e um restaurante focado na gastronomia regional e na ligação histórica entre o vinho e a comunidade, gere sete hectares de vinhas totalmente muradas por estruturas de granito. A topografia da propriedade, que se encontra a cerca de quatrocentos metros de altitude, culmina no Pombal de Dom Pedro da Cunha, o ponto mais alto de Santar, historicamente utilizado como pombal e local de caça.
A viticultura praticada na propriedade beneficia de um microclima ímpar, influenciado por quatro grandes serras que circundam a região, bem como pela proximidade ao rio Dão, situado a cerca de dois quilómetros, e ao rio Mondego, localizado a dez quilómetros a sul. O encepamento é rigorosamente controlado e a vindima é executada de forma estritamente manual, permitindo a seleção videira a videira consoante a maturação ideal. A área de plantação divide-se em 85% de castas tintas e 15% de castas brancas. Nas uvas brancas, a casta Encruzado domina o encepamento com 80% da área, sendo o remanescente preenchido, em partes iguais, por Malvasia Fina e Cercial. Nas variedades tintas, o terreno reparte-se entre 41% de Alfrocheiro, 29% de Tinta Roriz, 20% de Touriga Nacional e 10% de Jaen. A reestruturação profunda destas vinhas ocorreu no ano 2000, rompendo com o paradigma da produção de vinhos pesados da década de noventa para focar a intervenção na elegância, na acidez natural e na preservação da identidade do terroir silvestre do Dão.
O destaque principal do evento recaiu sobre o Vinha do Contador Branco 2017, um vinho que alcançou a prestigiada classificação de “Nobre” atribuída pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão. Esta distinção reveste-se de extrema relevância estatística e qualitativa, uma vez que apenas 13 vinhos obtiveram este selo de excelência desde a criação dos novos regulamentos no ano 2000, e a propriedade não lançava um branco com esta chancela desde a colheita de 2015. Com um teor alcoólico de 13,5%, uma acidez total de 6,5 e um pH de 3,17, este vinho estagiou longamente em barrica de madeira. O processo de vinificação envolveu a fermentação de metade do lote em barrica, seguida de uma trasfega e posterior retorno à madeira, garantindo uma integração perfeita que respeita a fruta e confere uma frescura notável à prova. A produção limitou-se a 4500 garrafas de formato padrão e 166 unidades magnum. O preço de venda ao público recomendado fixa-se nos 100€ com a equipa de enologia a aconselhar o consumo a uma temperatura entre os 16 e os 17 graus centígrados para potenciar a expressão aromática sem mascarar a estrutura.
No espetro dos vinhos tintos, foi dado a conhecer o Vinha do Contador Tinto 2015, resultante de um ano agrícola caracterizado por uma produção curta, motivada por fatores climatéricos, mas de elevadíssima qualidade. O lote é composto por Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, tendo a casta Jaen ficado excluída da conceção final devido ao seu perfil de maturação distinto que não se enquadrava no perfil traçado para esta referência. O vinho apresenta um teor alcoólico de 14 por cento, um pH de 3,85 e uma acidez em torno de 5,8. Após um prolongado estágio em madeira, o resultado é um vinho de cor rubi profunda, que alia a presença evidente da fruta madura a notas vincadas de bosque e a um caráter silvestre, distanciando-se de qualquer traço resinoso ou excessivamente extraído. A madeira encontra-se totalmente harmonizada, atestando o seu elevado potencial de guarda e a capacidade de evolução em garrafa. Foram produzidas apenas 2250 garrafas de 0,75 litros e 60 garrafas magnum, chegando ao mercado com um valor comercial estipulado de 140€.
A sessão serviu igualmente para apresentar uma novidade absoluta no portefólio da Paço dos Cunhas, o Clos de Santar, que se estreia oficialmente no mercado com a colheita de 2020. Concebido para atuar como uma segunda marca e uma porta de entrada no universo dos vinhos da propriedade, este lançamento apresenta um perfil deliberadamente diferente do clássico Vinha do Contador. Trata-se de um vinho mais jovem, vibrante, menos marcado pela madeira e focado na exuberância direta da fruta, proveniente de uma seleção rigorosa das melhores micro-parcelas. A primeira edição chega ao mercado com uma produção de 4662 garrafas padrão e 75 em formato magnum, posicionando-se num segmento de preço competitivo de 45€.
A apresentação da Paço dos Cunhas terminou com o anúncio da Aguardente Vínica Velha Vinha do Contador, um produto de nicho e envelhecido nas próprias barricas que outrora acolheram o vinho topo de gama da casa. Esta aguardente apresenta uma tiragem extremamente restrita a apenas 500 garrafas de 50 centilitros, sendo comercializada num intervalo de preços entre os 75 e os 80€, completando assim o rigoroso leque de lançamentos da marca.
